Pesquisa revela ‘silêncio organizacional’ e falta de poder para grupos diversos nas empresas
Apesar dos avanços no discurso e na contratação de profissionais de grupos diversos, a participação efetiva na tomada de decisões dentro das empresas ainda patina. Essa desconexão leva ao chamado “silêncio organizacional”, onde colaboradores se abstêm de contribuir por receio de represálias.
Estudo aponta falta de segurança psicológica
A conclusão é da pesquisa nacional “Diversidade sem Poder: quem entra, mas não decide”, realizada pela Heach Recursos Humanos. O levantamento aponta que a ausência de segurança psicológica faz com que os profissionais prefiram se calar diante das lideranças, limitando os benefícios da diversidade para as organizações.
O estudo, que ouviu 1.250 profissionais de empresas com 100 ou mais funcionários em janeiro de 2026, demonstra que o silêncio é intensificado pela percepção de que a presença não se traduz em influência real nas decisões. Os dados revelam que:
- 68% dos profissionais de grupos diversos participam de reuniões estratégicas, mas não possuem poder de decisão;
- 61% relatam que suas contribuições raramente alteram decisões já tomadas;
- 57% afirmam ser consultados apenas para validar definições prévias;
- 54% dos respondentes evitam discordar de seus líderes por medo de impactos negativos em suas carreiras;
- 49% acreditam que expor problemas organizacionais pode gerar retaliações veladas;
- 46% afirmam que medir as palavras durante reuniões estratégicas é uma prática constante.
Índice de Diversidade com Poder (IDP) revela inclusão parcial
Para quantificar o acesso ao poder decisório, a Heach desenvolveu o Índice de Diversidade com Poder (IDP), que varia de 0 a 100. A média nacional atingiu 52 pontos, indicando que a inclusão nas empresas é apenas parcial.
O pior desempenho entre os indicadores avaliados foi o de “poder decisório real” (47 pontos), seguido de perto pela “segurança psicológica” (49 pontos) – fator diretamente ligado ao silêncio e ao medo de retaliação.
Risco para a sucessão e retenção de talentos
O estudo adverte que a perda de influência ocorre justamente no momento de transição para cargos de maior responsabilidade, na chamada liderança intermediária.
Enquanto a alta liderança apresenta um IDP médio de 67 pontos, o índice cai para 48 entre coordenadores e 50 entre gerentes, comprometendo o desenvolvimento de futuros líderes nas empresas.
Segundo Elcio Paulo Teixeira, CEO da Heach Recursos Humanos, a persistência desse cenário tem um custo elevado para a continuidade dos negócios.
“Quando profissionais participam, mas não decidem, o engajamento se desgasta. A consequência disso é a frustração, mas, principalmente, o aumento do risco de perda de talentos e um vácuo na formação de lideranças futuras. A diversidade entrou nas empresas, mas o poder continuou concentrado. Sem rever estruturas decisórias, a inclusão se torna frágil e a sucessão, vulnerável”, analisa o executivo.
Teixeira ressalta que o desafio atual é estrutural e exige que as empresas transformem o discurso em prática efetiva nas mesas de decisão.
“Hoje, o principal gargalo não é mais quem entra na empresa, mas quem decide. Diversidade sem poder não se sustenta, e cobra um preço alto em retenção, inovação e continuidade do negócio”, conclui.
Contexto
A pesquisa da Heach Recursos Humanos destaca um problema crucial no ambiente corporativo: a falta de representatividade real de grupos diversos nas decisões estratégicas. Essa desconexão entre discurso e prática pode minar a inovação, a retenção de talentos e, consequentemente, a sustentabilidade dos negócios, evidenciando a necessidade de mudanças estruturais nas empresas.