Cada ser humano carrega em si um ritmo próprio, uma maré interna que oscila entre a calma e a tempestade, refletindo as complexidades da existência.
Essa dança invisível do cotidiano, repleta de ciclos e transformações, ganha forma e profundidade em um espetáculo que promete tocar as fibras mais íntimas do público.
Nesta sexta-feira, **23 de outubro de 2026**, às 20h, o Grupo Dançaberta apresenta a aguardada montagem “Maré”, no palco do Sesc Campinas.
O trabalho explora a fusão da dança contemporânea com a **teatralidade**, desvendando paisagens emocionais através dos corpos em cena.
Sob a direção geral de Julia Ziviani e a direção artística de Verônica Fabrini, quatro mulheres conduzem a narrativa.
Elas traduzem em movimento as “marés” internas e os intrincados **ciclos femininos**, convidando a uma profunda reflexão sobre a vida.
Maré: O Diálogo Profundo entre Corpo e Natureza
A estrutura do espetáculo é concebida em formato de suíte, uma sucessão de danças que exibem diferentes temperamentos e intensidades.
Essa fluidez permite que estados e segredos se revelem no palco, num jogo constante com o tempo e os elementos naturais.
A coreografia explora o feminino em seu encontro primordial com a **natureza**, apresentada como uma companheira misteriosa e resiliente.
Mesmo sob constante ameaça, essa natureza persiste, espelhando a força e a vulnerabilidade da condição humana.
Os gestos alternam entre a precisão coreografada e a **expressão dramática**, enriquecendo a experiência visual e sensorial de quem assiste.
Impacto na região
A realização de eventos culturais de grande porte no **Sesc Campinas** estabelece a cidade como um polo de irradiação artística para toda a região.
Espetáculos como “Maré” atraem público não apenas da metrópole campineira, mas também de cidades vizinhas, como **Jundiaí** e seus moradores, interessados em programação cultural de alto nível.
Isso fortalece o cenário artístico local, movimentando a economia cultural e oferecendo acesso a produções que ampliam o repertório e o pensamento crítico da comunidade.
A Dançaberta, com sua trajetória, contribui significativamente para essa vitalidade cultural que beneficia a **Região Metropolitana de Campinas** e seus arredores.
Dançaberta: Duas Décadas de Inovação Coreográfica
Fundado em 2000 e dirigido por Julia Ziviani, o Dançaberta é um grupo de Campinas dedicado à **pesquisa em dança contemporânea** e Educação Somática.
A companhia investiga conceitos e princípios das abordagens somáticas, visando aprimorar as **habilidades corporais** e expressivas dos intérpretes.
Esse processo busca procedimentos que sustentam o desenvolvimento do artista, permitindo contato com maneiras inesperadas de movimento durante a criação cênica.
A concepção de suas produções passa por discussões aprofundadas sobre a relação entre técnica, habilidades corporais específicas e as **práticas somáticas**.
O coletivo mantém uma **parceria constante** com a literatura e a música, elementos que enriquecem o universo criativo de cada montagem.
O estímulo à criatividade viabiliza a geração de múltiplos procedimentos, adaptando-se às necessidades de cada novo espetáculo.
A individualidade técnica e expressiva de cada intérprete é valorizada, enriquecendo a dinâmica do grupo e, consequentemente, o **resultado cênico final**.
A Arte Cênica em Constante Mutação
O panorama da dança contemporânea brasileira tem testemunhado uma efervescência notável, com grupos que desafiam fronteiras e buscam novas linguagens expressivas.
A relevância de companhias como o Grupo Dançaberta reside justamente nessa capacidade de pesquisa aprofundada, impulsionando a **evolução da arte** do movimento no país.
Historicamente, a dança tem sido um espelho das transformações sociais, e hoje não é diferente, com obras que dialogam abertamente com questões urgentes.
É nesse contexto que espetáculos como “Maré” se tornam essenciais, ao abordar temas como os ciclos femininos e a relação com a natureza, oferecendo perspectivas críticas e poéticas.
A manutenção de um grupo com mais de duas décadas de existência, focado em inovação e **educação somática**, demonstra o compromisso com a perenidade da arte e sua capacidade de reflexão contínua.



