Presidente francês expressa insatisfação e sugere mudanças em negociações comerciais

Macron afirma que acordo entre Mercosul e UE é insatisfatório e precisa ser aprimorado.
A insatisfação de Macron com o acordo entre Mercosul e UE
O presidente da França, Emmanuel Macron, expressou sua insatisfação em relação ao acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia (UE), afirmando que o pacto ainda não atende às necessidades atuais e precisa ser aprimorado. Suas declarações foram feitas durante uma reunião no palácio do eliseu, em Paris, com um grupo de empresários brasileiros, onde o líder francês ressaltou que o acordo, que foi negociado ao longo de 20 anos, não leva em consideração os avanços recentes, especialmente em relação às mudanças climáticas.
Contraponto às declarações de Lula
Essa posição de Macron contrasta com as declarações do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, que prometeu assinar o acordo com os líderes europeus em uma cerimônia marcada para o dia 20 de dezembro, a ser realizada no Brasil. Durante o encontro, Macron afirmou que o acordo é, na verdade, um “acordo velho” e que melhorias são necessárias para torná-lo mais adequado às realidades econômicas atuais.
Críticas ao protecionismo
A ex-ministra da Agricultura, Kátia Abreu, que participou da reunião, manifestou descontentamento com as declarações de Macron, interpretando-as como uma postura protecionista do governo francês em relação ao agronegócio brasileiro. Durante o encontro, o diretor de Relações Institucionais da Vale, Kennedy Alencar, questionou Macron sobre a possibilidade de assinatura do acordo na data prometida por Lula. A resposta do presidente francês foi clara: “Isso não depende de mim”, ressaltando a complexidade das negociações.
Pontos a serem aprimorados
Macron destacou que o pacto com o Mercosul precisa ser melhorado em três aspectos principais. Primeiro, seriam necessárias salvaguardas para proteger os mercados que possam ser negativamente afetados pela concorrência. “Precisaríamos aplicar um freio para ajudar determinados setores”, afirmou. Em segundo lugar, ele enfatizou a importância de que os setores econômicos dos dois lados atuem sob regras convergentes. Por exemplo, ele mencionou que produtores europeus são proibidos de usar certos pesticidas que podem ser liberados no Mercosul, uma situação que ele considera injusta.
A necessidade de mecanismos de cumprimento
Por fim, Macron enfatizou a necessidade de implementar um mecanismo que garanta que ambas as partes cumpram o que foi negociado. Ele ressaltou que, embora as discussões estejam em andamento e os dois lados estejam se esforçando para chegar a um acordo, muitas reuniões ainda são necessárias para concretizar o pacto. Luiz Fernando Furlan, acionista da MBRF e chairman do Lide, atuou como porta-voz do grupo de empresários presentes e avaliou que as declarações de Macron não são uma novidade para o Mercosul, indicando que, após 22 anos de negociações, ainda há espaço para convergência. “A posição dele é muito positiva”, concluiu.