Zagueiro Gustavo Marques é suspenso por 12 jogos por declarações machistas contra árbitra
O Tribunal de Justiça Desportiva do Estado de São Paulo (TJD-SP) pune o zagueiro Gustavo Marques, do Bragantino, com uma suspensão de 12 jogos. A punição é resultado das declarações consideradas machistas proferidas contra a árbitra Daiane Muniz após a partida contra o São Paulo pelo Campeonato Paulista. O julgamento ocorreu na última quarta-feira (4).
Multa de R$ 30 mil imposta ao jogador do Bragantino
Além da suspensão de 12 jogos, a corte desportiva decide, durante o julgamento, que o jogador deverá arcar com uma multa no valor de R$ 30 mil. O valor da multa será destinada para a ONG Rendar, que cuida de mulheres em situação de vulnerabilidade na região de Bragança Paulista.
Entenda a origem da punição
No dia 21 de fevereiro, após a derrota do Bragantino para o São Paulo pelo Campeonato Paulista, Gustavo Marques faz declarações consideradas machistas. Ele questiona e critica a escalação da árbitra Daiane Muniz para a partida. “Primeiramente, quero falar da arbitragem porque não adianta jogar contra São Paulo, Palmeiras, Corinthians e eles colocarem uma mulher para apitar um jogo desse tamanho”, declara o zagueiro em entrevista após a partida para uma equipe de reportagem da emissora TNT. Ele continua: “Era nosso sonho chegar à semifinal, ou até a final, mas ela acabou com nosso jogo. Acho que a Federação Paulista tem que olhar para os jogos desse tamanho e não colocar uma mulher. Todo respeito às mulheres do mundo, sou casado, tenho minha mãe, então desculpa se estou falando alguma coisa para as mulheres”.
A repercussão das declarações de Gustavo Marques gera debates acalorados sobre machismo no esporte e a importância da representatividade feminina na arbitragem.
O pedido de desculpas do jogador nas redes sociais
Horas após o ocorrido, em uma postagem nas redes sociais, o jogador Gustavo Marques pede desculpas pelas declarações. “Estava de cabeça quente e muito frustrado pelo resultado da nossa equipe e acabei falando o que não deveria e poderia”, escreve o jogador. “Isso não justifica minha atitude e peço desculpas a todas mulheres e em especial a Daiane […]. Espero sair desse episódio uma pessoa melhor. Prometo aprender com esse erro”.
Posicionamento da Federação Paulista de Futebol (FPF)
A atitude do jogador é prontamente criticada pela Federação Paulista de Futebol (FPF). A entidade máxima do futebol paulista afirma que encaminhará a declaração de Gustavo Marques à Justiça Desportiva. “É com profunda indignação e revolta que a Federação Paulista de Futebol recebeu a entrevista do atleta Gustavo Marques, do Red Bull Bragantino, após a partida contra o São Paulo”, declara a FPF.
“Uma declaração em relação à árbitra Daiane Muniz que reflete uma visão primitiva, machista, preconceituosa e misógina, incompatível com os valores que regem a sociedade e o futebol”, continua a nota da Federação. “É absolutamente estarrecedor que um atleta, em qualquer circunstância, questione a capacidade de um árbitro com base em seu gênero. A FPF tem orgulho de contar em seu quadro com 36 árbitras e assistentes e continua trabalhando ativamente para que este número cresça […]. A FPF encaminhará tais declarações à Justiça Desportiva, para que esta tome todas as providências cabíveis”.
A FPF demonstra seu apoio a Daiane Muniz e a todas as árbitras do estado, reiterando o compromisso de combater o machismo e a discriminação no esporte.
Medidas internas do Bragantino contra Gustavo Marques
O Bragantino adota medidas internas em relação ao caso. O clube multa o jogador em 50% do total de seus vencimentos. Além disso, o zagueiro não é relacionado para o jogo entre Massa Bruta e Athletico-PR pelo Campeonato Brasileiro.
A diretoria do clube se pronuncia sobre o caso, reforçando o compromisso do Bragantino com a igualdade de gênero e o combate a qualquer forma de discriminação.
A atitude do clube demonstra a seriedade com que o caso é tratado e a importância de promover um ambiente de respeito e igualdade no esporte.
O que está em jogo: o combate ao machismo no futebol
Este caso levanta importantes discussões sobre o machismo no futebol brasileiro. A punição a Gustavo Marques serve como um alerta para que atletas, dirigentes e torcedores reflitam sobre suas atitudes e palavras. A luta pela igualdade de gênero no esporte é um processo contínuo e exige o engajamento de todos os envolvidos. É fundamental que as entidades esportivas, clubes e atletas se posicionem contra o machismo e promovam ações que incentivem a participação feminina em todas as áreas do futebol.
A visibilidade do caso contribui para a conscientização sobre a importância do respeito e da igualdade entre homens e mulheres no esporte e na sociedade em geral.
A punição imposta a Gustavo Marques pode influenciar futuras decisões em casos semelhantes, reforçando a importância de se combater o machismo no esporte.
Contexto
A suspensão de Gustavo Marques e a multa de R$ 30 mil ocorrem em um momento de crescente debate sobre a igualdade de gênero no esporte. Casos de discriminação e machismo têm sido cada vez mais denunciados e combatidos, com o objetivo de promover um ambiente mais justo e inclusivo para atletas e profissionais de todas as áreas. A punição imposta pelo TJD-SP reflete a importância de se responsabilizar indivíduos por comportamentos considerados ofensivos e discriminatórios, buscando assim promover a mudança de cultura no esporte.