Convenção do PT na Bahia Oficializa Reeleição de Jerônimo Rodrigues em Disputa Acirrada
O Partido dos Trabalhadores (PT) oficializou a candidatura à reeleição do governador Jerônimo Rodrigues na Bahia neste sábado, durante sua convenção estadual. O evento, que contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, selou também a composição da chapa governista. Para a vice-governadoria, o nome confirmado é o de Geraldo Júnior (MDB). A disputa pelo Senado terá Rui Costa (PT), ex-ministro da Casa Civil, e Jaques Wagner (PT), ex-líder do governo no Senado, como candidatos.
A solenidade, que reuniu as principais lideranças petistas e aliados no estado, ocorre em um cenário de intensa polarização e equilíbrio nas pesquisas eleitorais, onde cada movimento estratégico ganha relevância. A presença de Lula sublinha a importância estratégica da Bahia para o projeto político do PT, um estado que o partido governa há duas décadas.
Lula Pede Votos e Cobra Conquista de Salvador
Durante a convenção, o presidente Lula reforçou seu apoio à chapa petista, pedindo votos explicitamente e referindo-se a Jaques Wagner com o apelido carinhoso de “galego”. A fala de Lula foi além do apoio direto aos candidatos, marcando um posicionamento claro sobre a capital baiana. O presidente afirmou que o PT, após 20 anos no comando do estado, precisa agora conquistar a prefeitura de Salvador.
A capital baiana, sob a gestão de ACM Neto (União) até 2020 e atualmente administrada por seu aliado, foi descrita por Lula como “meio largada”, uma clara provocação ao principal adversário de Jerônimo Rodrigues. A declaração do presidente expõe a ambição do PT em solidificar sua hegemonia política na Bahia, mirando não apenas a reeleição do governo, mas também o controle administrativo da maior cidade do estado, um polo estratégico para o Nordeste.
Jaques Wagner e a Operação Compliance Zero
A oficialização da candidatura de Jaques Wagner ao Senado acontece em um momento delicado para o ex-líder do governo. Considerado um dos políticos mais próximos de Lula, Wagner deixou a liderança do governo no Senado em junho. A decisão veio após o político ser alvo da 9ª fase da operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal.
A investigação apura um esquema de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. A inclusão de Wagner na operação gerou repercussão e levantou questionamentos, apesar de o político negar qualquer irregularidade. A candidatura dele, nesse contexto, representa um desafio para o PT, que precisará gerenciar a narrativa em torno das investigações enquanto busca consolidar a chapa majoritária.
Cenário Eleitoral Baiano: Empate Técnico em Pesquisa
A convenção do PT ocorre dias após a divulgação da pesquisa Genial/Quaest, que apresentou um cenário de equilíbrio na disputa pelo governo da Bahia. No levantamento, ACM Neto aparece numericamente à frente com 39% das intenções de voto, enquanto Jerônimo Rodrigues registra 38%. Com a margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos, os dois candidatos se encontram em uma situação de empate técnico.
Em um eventual segundo turno, o cenário se mantém igualmente apertado. ACM Neto alcança 43% das intenções de voto, contra 39% de Jerônimo, também indicando um empate técnico. Esses números mostram a intensidade da disputa e a necessidade de cada campanha intensificar seus esforços para mobilizar o eleitorado, dada a proximidade dos resultados. A margem de erro, neste caso, é um fator crucial que pode alterar a percepção de quem está “na frente”, tornando a corrida ainda mais imprevisível.
Aprovação do Governo X Disputa Acirrada
Apesar da disputa apertada nas intenções de voto, os indicadores de avaliação do governo de Jerônimo Rodrigues mostram um contraste. Segundo a mesma pesquisa Genial/Quaest, 57% dos baianos aprovam a gestão do governador, enquanto 34% a desaprovam. A avaliação positiva específica do governo é de 37%, contra 23% de negativa e 35% de regular. Esses números sugerem que, embora a gestão seja bem vista por uma parcela considerável da população, essa aprovação não se traduz automaticamente em uma vantagem clara nas urnas, indicando que outros fatores, como alinhamentos políticos e percepções sobre mudanças, pesam na decisão do eleitor.
A pesquisa também revela que 52% dos entrevistados consideram que Jerônimo merece ser reeleito, contra 41% que defendem a alternância no comando do estado. Ao mesmo tempo, 43% dos eleitores indicam que o próximo governador deve promover mudanças pontuais na administração, 33% avaliam que é preciso mudar completamente o rumo da gestão e 21% defendem a continuidade do trabalho. Este cenário complexo demanda das campanhas a habilidade de dialogar com diferentes expectativas da população, seja para manter o projeto ou para apresentar propostas de renovação.
O Peso do Apoio de Lula na Estratégia Petista
A estratégia eleitoral do PT na Bahia aposta fortemente na associação entre Jerônimo Rodrigues e o presidente Lula. O levantamento da Genial/Quaest corrobora essa tática, mostrando que 47% dos eleitores preferem que o próximo governador seja aliado de Lula, ante apenas 14% que desejam um aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro. Esta preferência destaca a força do capital político de Lula no estado e sua capacidade de influenciar a decisão de voto.
Os dados da pesquisa indicam que 56% dos eleitores identificam Jerônimo como o candidato apoiado por Lula, enquanto 29% associam ACM Neto a Bolsonaro. Essa percepção reforça a narrativa petista e posiciona Jerônimo como o legítimo representante da agenda do governo federal, um trunfo significativo em um estado historicamente simpático ao Partido dos Trabalhadores. A polarização nacional, portanto, reverbera diretamente no pleito baiano, tornando os apoios presidenciais um componente crucial da disputa.
Disputa pelo Senado e Alto Índice de Indefinição
A corrida pelo Senado, também oficializada na convenção, apresenta seus próprios desafios e oportunidades. Rui Costa lidera as intenções de voto com 22%, seguido por Jaques Wagner, que registra 16%. Na sequência aparecem Angelo Coronel (Republicanos) e João Roma (PL), ambos com 6%. A alta fragmentação de votos e a presença de múltiplos candidatos com chances de chegar ao segundo posto, se houvesse, complicam o cenário.
Um dado relevante do levantamento é o alto índice de indefinição: 22% dos entrevistados se declararam indecisos, e 24% afirmaram que pretendem votar em branco, nulo ou não comparecer às urnas. Esse patamar de eleitores ainda não engajados representa um contingente expressivo que pode ser decisivo. As campanhas terão o desafio de converter esses eleitores indecisos ou apáticos em votos válidos, o que pode alterar significativamente o resultado final da eleição para as duas vagas ao Senado.
Ataque Coordenado nas Redes Sociais Marca o Sábado Eleitoral
Horas antes da convenção do PT, os candidatos Jerônimo Rodrigues, Jaques Wagner e Rui Costa alegaram ter sido alvo de um ataque coordenado nas redes sociais. Segundo a federação partidária liderada pelo PT, os perfis dos três políticos no Instagram começaram a receber, a partir da 1h30 da manhã de sábado, um volume incomum de seguidores falsos, supostamente de origem asiática.
De acordo com a legenda, mais de 70 mil contas passaram a seguir os perfis em um período de aproximadamente cinco horas. O partido prontamente registrou um boletim de ocorrência, classificando a ação como uma tentativa de manipulação. A alegação é que a tática visaria criar a narrativa de que os petistas estariam comprando seguidores, além de tentar provocar a suspensão das contas pela Meta, empresa controladora do Instagram, visto que o crescimento artificial de seguidores viola as políticas da plataforma. Em vídeo divulgado, Rui Costa classificou o episódio como um “ataque” e confirmou o acionamento das autoridades, sinalizando a crescente preocupação com a segurança e a integridade do processo eleitoral no ambiente digital.
Contexto
A Bahia é o maior colégio eleitoral do Nordeste e o quarto do Brasil, configurando um campo de batalha político de extrema relevância para todos os partidos. O PT governa o estado há duas décadas, consolidando uma base que o torna um dos seus maiores bastiões no país. A disputa pela reeleição de Jerônimo Rodrigues, portanto, não é apenas local; ela reflete e influencia o cenário político nacional, especialmente a força do lulismo e a polarização que marca as eleições recentes.