Lula Anuncia Fim das “Bets” no Brasil e Cita Vício de Apostadores para Justificar Medida
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declara nesta 6ª feira (18.set.2026) que o governo promoverá o fim das empresas de apostas online, popularmente conhecidas como “bets”, no Brasil. A afirmação foi feita durante um ato de campanha realizado em Guarulhos, São Paulo, onde o chefe do Executivo intensifica sua agenda política. A decisão, segundo Lula, busca combater o vício em jogos e a lavagem de dinheiro no setor.
Com um tom crítico à proliferação das plataformas, o presidente reforça a intenção de proibição total das atividades. “Decidi que vou acabar com as bets”, declara Lula, sinalizando uma guinada na política governamental que, até então, focava na regulamentação do segmento. A medida promete gerar impacto significativo no mercado e na vida de milhões de usuários e empresas.
Motivação Presidencial: Combate ao Vício e Ilícitos Financeiros
A justificação para a decisão de Lula reside em experiências diretas com apostadores. O presidente relata ter conversado com indivíduos que desenvolveram vício em jogos, um problema social crescente. Ele cita o caso de um apostador que realizou 1.400 operações de Pix (pagamento instantâneo) em apenas três meses, um volume que levanta questionamentos sobre a saúde financeira e o comportamento compulsivo do usuário.
Para o chefe do Executivo, o vício em apostas é uma “doença” que afeta gravemente as famílias brasileiras, contribuindo para o endividamento e a desestruturação social. Esta percepção fundamenta a abordagem governamental, que passa de uma estratégia de regulamentação para a de erradicação completa do setor de apostas online. A medida visa proteger os cidadãos mais vulneráveis à compulsão por jogos.
Além do impacto social, Lula vincula as “bets” a práticas criminosas. “Com o fim das empresas de apostas, vai acabar com a lavagem de dinheiro, com a safadeza e a roubalheira”, afirma o presidente. A declaração sugere que as plataformas, em seu formato atual, seriam veículos para a movimentação de recursos ilícitos e outras irregularidades financeiras, demandando uma intervenção rigorosa do Estado.
O Impacto do Jogo do Tigrinho e Medidas Anteriores
Entre as modalidades de jogos de azar online, o “jogo do tigrinho” (Fortune Tiger), um tipo de caça-níquel virtual, ganha destaque na preocupação do governo. A plataforma Poder360 já havia revelado que o presidente Lula insistiria na proibição específica deste jogo, avançando com a medida antes do primeiro turno das eleições de 2026. A associação do “tigrinho” com fraudes e esquemas piramidais intensifica a pressão por uma ação governamental definitiva.
A decisão de “acabar com as bets” representa um endurecimento da postura presidencial. Anteriormente, o governo já havia implementado restrições significativas à publicidade das casas de apostas, buscando mitigar a exposição e o estímulo ao jogo. Além disso, foram adotadas medidas para bloquear o acesso de beneficiários de programas sociais como o BPC (Benefício de Prestação Continuada) e o Bolsa Família a sites de apostas, visando proteger faixas da população economicamente mais vulneráveis.
Essas ações prévias demonstram uma preocupação crescente do governo com os impactos sociais e financeiros das apostas. A transição de medidas restritivas para uma proibição total, especialmente focada em modalidades como o “jogo do tigrinho”, reflete a convicção de que apenas uma intervenção drástica pode frear o que o presidente classifica como uma “doença” e um foco de ilegalidades.
Próximos Passos: Medida Provisória e Agenda Internacional
A materialização da decisão presidencial está prevista para a 4ª feira (23.set.2026), com a publicação de uma Medida Provisória (MP). Este instrumento normativo, com força de lei desde sua edição, permite ao Poder Executivo legislar sobre temas urgentes e relevantes, mas exige posterior apreciação e aprovação do Congresso Nacional em até 120 dias para se converter em lei definitiva. A emissão da MP reforça a urgência da pauta para o governo.
A publicação da MP ocorre logo após o retorno de Lula de uma viagem a Nova York. Na 3ª feira (22.set), o presidente tem compromisso de destaque internacional, discursando na abertura da 81ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, um palco global para a diplomacia e a apresentação de pautas brasileiras. A simultaneidade dos eventos sublinha a capacidade do governo de gerir tanto a agenda externa quanto as questões domésticas consideradas prioritárias.
A escolha da Medida Provisória indica a intenção do governo de implementar a proibição de forma célere, sem depender do moroso processo legislativo ordinário. Contudo, a tramitação da MP no Congresso promete debates intensos, considerando o lobby do setor de apostas e as diferentes visões sobre a liberdade econômica e a regulamentação estatal. O texto da MP detalhará o alcance da proibição e as sanções aplicáveis, definindo o futuro das apostas online no país.
O Que Está em Jogo: Eleições 2026 e a Repercussão Política
A decisão de banir as “bets” e, em especial, o “jogo do tigrinho”, ganha uma dimensão eleitoral estratégica. Com o primeiro turno das eleições de 2026 marcado para 4 de outubro, a iniciativa de Lula pode ser interpretada como uma tentativa de fortalecer sua base eleitoral e angariar apoio popular, ao abordar uma questão que impacta diretamente a vida de muitas famílias e gera preocupação social. A pauta se alinha a um discurso de proteção social e combate à criminalidade.
Ainda em um contexto de pré-campanha, o ato em Guarulhos reuniu figuras políticas de peso. Estavam presentes a primeira-dama, Janja Lula da Silva, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), o candidato ao governo paulista Fernando Haddad (PT) e as candidatas ao Senado por São Paulo, Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB). A presença de diversos nomes relevantes reforça o caráter político do anúncio e sua projeção para as próximas eleições, consolidando a mensagem do governo perante seus apoiadores e o eleitorado.
A medida pode, de um lado, gerar descontentamento entre os apostadores e o setor econômico ligado às “bets”. De outro, pode consolidar o apoio de setores da sociedade preocupados com o vício e as implicações sociais do jogo. A articulação política para a aprovação da MP no Congresso será crucial para a efetivação da proposta, evidenciando o embate entre interesses econômicos e a agenda social e moral do governo.
Contexto
O mercado de apostas esportivas online no Brasil cresceu exponencialmente nos últimos anos, movimentando bilhões de reais e gerando controvérsias sobre sua regulamentação. O tema tem sido objeto de diversos debates no Congresso Nacional e no Executivo, com discussões sobre a melhor forma de tributar, fiscalizar e mitigar os riscos associados ao vício e à lavagem de dinheiro. A decisão presidencial de proibir o setor marca um ponto de virada na abordagem governamental, indicando uma postura mais incisiva no combate aos problemas sociais e financeiros decorrentes da atividade.



