O prefeito Gustavo Martinelli assumiu a Prefeitura de Jundiaí em janeiro de 2025 diante de um cenário desafiador: pressão fiscal, alta demanda por serviços públicos, necessidade de manutenção de investimentos e expectativa de continuidade de bons indicadores sociais e econômicos. Ao completar um ano de mandato, observa-se um conjunto expressivo de resultados em áreas estratégicas como finanças públicas, desenvolvimento econômico, saúde, educação, segurança, assistência social, mobilidade, saneamento, cultura, turismo e governança.
A gestão se estruturou em três eixos centrais: planejamento estratégico, responsabilidade fiscal e foco na qualidade de vida. Ainda assim, uma leitura acadêmica e crítica exige não apenas destacar avanços, mas também observar limites, riscos e pontos de atenção para os próximos anos: a sustentabilidade de investimentos em um ambiente de incerteza macroeconômica, a necessidade de reduzir desigualdades intraurbanas e a complexidade de manter o nível de entrega diante de restrições orçamentárias.
O presente artigo, com base em dados oficiais e em registros da imprensa local e regional, realiza um balanço analítico do primeiro ano de governo, buscando articular evidências quantitativas e qualitativas sobre o desempenho da administração municipal, sem perder de vista a necessidade de monitoramento contínuo, transparência e controle social.
Equilíbrio Fiscal, Dívida Pública e Desempenho Econômico
Desde o início da gestão, a política fiscal foi apresentada como alicerce do governo Martinelli. O orçamento municipal aprovado para 2025 foi de aproximadamente R$ 4,29 bilhões, praticamente o dobro de oito anos antes, refletindo o crescimento da arrecadação e a ampliação da capacidade de investimento. Os índices constitucionais foram não apenas cumpridos, mas superados: cerca de 28% da receita de impostos direcionada à educação e aproximadamente 24% à saúde, acima dos mínimos legais.
Os gastos com pessoal foram projetados em torno de 42,66% da Receita Corrente Líquida, abaixo do limite da Lei de Responsabilidade Fiscal, enquanto as despesas com juros e amortização da dívida corresponderam a cerca de 3,64% do orçamento. Tais números indicam uma situação fiscal relativamente confortável e um nível de endividamento sob controle. Mantém-se, assim, o perfil de “boa pagadora” do município, com rating elevado em avaliações de risco de crédito.
A principal fonte de receita tributária continuou sendo o ICMS, com estimativa superior a R$ 1 bilhão em 2025. Em um contexto nacional de frustração de receitas e impactos da reforma tributária, a capacidade de manter equilíbrio orçamentário e preservar investimentos é um mérito, mas também um desafio: a dependência de receitas externas (como transferências estaduais e federais) e de uma estrutura produtiva concentrada em setores específicos pode tornar a cidade vulnerável a choques macroeconômicos.
Foram implementados programas de recuperação de créditos, como novas edições de programas de pagamento incentivado de débitos tributários, com descontos em multas e juros. Essas iniciativas contribuem para recompor receitas, mas, do ponto de vista acadêmico, exigem atenção: o uso recorrente de anistias parciais pode gerar expectativa de novos programas e, em longo prazo, estimular comportamentos de inadimplência estratégica.
No plano macroeconômico, o PIB de Jundiaí, com base em dados recentes, atingiu cerca de R$ 65,4 bilhões (ano-base 2023), colocando o município entre as dez maiores economias do Estado e respondendo por quase 1,9% do PIB paulista. O PIB per capita ultrapassou R$ 147 mil, um dos mais altos do país, evidenciando uma combinação de forte base industrial, logística e serviços de alto valor agregado. Esses indicadores, porém, não eliminam disparidades internas entre bairros centrais e periferias, nem substituem a análise sobre acesso efetivo a direitos sociais.
Em síntese, o primeiro ano da gestão Martinelli manteve o legado de responsabilidade fiscal e reforçou a posição de Jundiaí como polo econômico relevante. Do ponto de vista técnico, o desafio é assegurar que a disciplina fiscal não se converta apenas em números positivos de resultado primário, mas em capacidade de reduzir desigualdades socioespaciais e expandir políticas públicas de qualidade.
Desenvolvimento Econômico, Emprego e Inovação
Sob coordenação da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, a gestão estruturou o programa Desenvolve+, ancorado em quatro eixos: Inova+, Invest+, +Negócios e Emprega+. O desenho desse programa revela uma agenda consistente de desenvolvimento local baseada em inovação, atração de investimentos, apoio ao empreendedorismo e incentivo à empregabilidade.
No eixo Inova+, foram realizadas maratonas e eventos de inovação envolvendo centenas de estudantes e profissionais, além de ações como Startup Day, Startup Weekend, Ideathon e Tech Day. Houve organização de cadeia produtiva local de tecnologia e fortalecimento de conselhos temáticos, aproximando o poder público de atores do ecossistema de inovação. Ainda que esses números sejam positivos, uma análise crítica sugere a necessidade de monitorar o quanto essas iniciativas de fato se refletem em startups consolidadas, patentes, novos produtos e empregos de alta qualificação.
No eixo Invest+, a administração intensificou o diálogo com grandes empresas, promoveu visitas técnicas e participou de feiras de logística, resultando em expansões industriais e instalação de novas plantas empresariais. Isso reforça Jundiaí como destino de investimentos, mas também requer cuidado com a dependência de grandes grupos econômicos e com a necessidade de contrapartidas sociais, ambientais e urbanísticas em futuros contratos e licenciamentos.
O eixo +Negócios buscou apoiar micro e pequenos empreendedores por meio de feiras, capacitações e balcões de atendimento específico, aproximando o poder público de quem gera renda nos bairros. Já o Emprega+ desenvolveu mutirões de emprego, ações nos CRAS, feirões de vagas (incluindo para pessoas com deficiência) e fortalecimento de parcerias com o sistema público de emprego e instituições de ensino.
Os resultados em inclusão produtiva foram relevantes, com aumento de recolocações e fortalecimento de programas voltados a públicos específicos (idosos, mães atípicas, jovens aprendizes, entre outros). Contudo, permanece o desafio estrutural de reduzir o desalinhamento entre qualificação profissional e demandas tecnológicas do mercado local, aspecto que deverá ser monitorado em 2026 e anos seguintes.
Conforme rankings nacionais de competitividade municipal, Jundiaí se destacou em 2025 entre as cidades mais competitivas do país, com boas posições em qualidade da saúde, educação e inserção econômica. Esses indicadores reforçam a percepção de um ambiente de negócios atrativo e de políticas relativamente consistentes. Do ponto de vista acadêmico, porém, é crucial não confundir boa posição em rankings com solução completa de problemas históricos, especialmente no que se refere à inclusão produtiva em territórios vulneráveis.
Saúde Pública: Ampliação da Rede e Limites Estruturais
A Secretaria Municipal de Promoção da Saúde conduziu em 2025 um conjunto de ações voltadas à redução de filas, ampliação de oferta de procedimentos e qualificação da rede. Mutirões de atendimento, como o programa “Saúde em Dia”, concentraram consultas especializadas, atendimentos de enfermagem e exames diagnósticos em finais de semana, contribuindo para reduzir a demanda reprimida em áreas críticas.
Paralelamente, foram estabelecidas parcerias com consórcios regionais de saúde e hospitais de referência, ampliando cirurgias eletivas e fortalecendo a capacidade hospitalar, especialmente em média e alta complexidade. A ampliação de leitos e o aumento do número de cirurgias mensais representam alívio importante para pacientes que aguardavam procedimentos há anos.
No campo da infraestrutura, houve entrega de novas unidades (como UBS em bairros estratégicos) e retomada de obras paralisadas, como pronto-atendimentos e ambulatórios de especialidades. Essas ações são cruciais para garantir capilaridade da rede e maior conforto aos usuários. Por outro lado, a dependência de obras longamente paralisadas evidencia também gargalos de planejamento e de execução acumulados, que não se resolvem completamente em um único ano de gestão.
Na dimensão preventiva, intensificaram-se campanhas de vacinação, ações contra arboviroses e campanhas educativas em parceria com outras pastas. O esforço para manter baixos índices de doenças como dengue demonstra eficácia de políticas intersetoriais (saúde, meio ambiente, limpeza urbana e educação). Entretanto, permanece o desafio de manter alta cobertura vacinal em um contexto de disseminação de desinformação e de resistência de parte da população.
A atenção básica, via Clínicas da Família e equipes de saúde da família, foi fortalecida com visitas domiciliares, articulação com programas intersetoriais (como Criança Feliz e segurança alimentar) e busca ativa de usuários. Ainda assim, uma análise mais rigorosa exigirá, nos próximos anos, avaliações de impacto sobre indicadores como internações por condições sensíveis à atenção básica, controle de doenças crônicas e satisfação dos usuários.
Em resumo, o primeiro ano da gestão Martinelli na saúde combinou investimentos estruturais com ações de gestão da demanda. Os avanços são concretos, mas a sustentabilidade de médio e longo prazo dependerá da capacidade de manter financiamento adequado, reter profissionais qualificados e aprofundar a integração regional do sistema.

Educação: Resultados Expressivos e Desafios Pedagógicos
Na educação, Jundiaí apresentou resultados relevantes em 2025, com destaque para a alfabetização e para o reconhecimento por parte do governo estadual. Diversas escolas municipais receberam premiações associadas a programas de alfabetização e avaliações externas, demonstrando desempenho acima da média em leitura e escrita nas séries iniciais.
Houve investimento em formação continuada de professores, especialmente na Educação Infantil e nos primeiros anos do Ensino Fundamental, com eventos, ciclos formativos e aprofundamento do Currículo Jundiaiense. Essa ênfase em práticas pedagógicas centradas na criança, combinando escuta ativa, experimentação e ludicidade, coloca o município em sintonia com tendências contemporâneas de educação.
A rede também avançou em infraestrutura, com reformas, melhorias de acessibilidade, aquisição de equipamentos tecnológicos e ampliação do atendimento educacional especializado para estudantes com deficiência. O município manteve investimento em educação acima dos mínimos constitucionais, reforçando o compromisso orçamentário com o setor.
No entanto, uma análise crítica exige olhar além de prêmios e índices. Permanecem desafios relacionados a:
- diferenças de desempenho entre escolas de regiões centrais e periféricas;
- manutenção da qualidade em um contexto de eventual expansão de matrículas;
- apoio psicossocial a estudantes em situação de vulnerabilidade;
- formação docente contínua para lidar com temas como inclusão, tecnologia, competências socioemocionais e multiculturalidade.
A posição de Jundiaí entre as melhores cidades do país em qualidade da educação é um indicador relevante, mas não definitivo. A consolidação de políticas educacionais transformadoras requer continuidade, monitoramento permanente e participação ativa de famílias e comunidades escolares.

Segurança Pública: Queda da Criminalidade e Riscos de Reversão
A segurança pública foi tratada como prioridade transversal. Dados oficiais apontam redução expressiva em homicídios dolosos, roubos, furtos e crimes contra o patrimônio, ao mesmo tempo em que aumentaram apreensões de armas, drogas e prisões por mandado e em flagrante. Em determinados períodos, o número de prisões e apreensões alcançou recordes históricos.
A Guarda Municipal foi fortalecida com novos efetivos e viaturas, e a gestão investiu em modernização tecnológica, com ampliação do videomonitoramento urbano, uso de sistemas de inteligência e integração com programas estaduais de monitoramento de placas e veículos. Houve ainda fortalecimento de iniciativas preventivas, como patrulhas voltadas à proteção de mulheres em situação de violência doméstica e ações de combate a eventos clandestinos com perturbação de sossego.
Do ponto de vista da política pública, trata-se de um resultado significativo em curto prazo. No entanto, a literatura especializada alerta para a possibilidade de flutuações nos índices criminais em função de fatores externos à política local (como conjuntura econômica, fluxos regionais de drogas e armas, decisões judiciais, entre outros). Por isso, é fundamental que a redução de crimes não seja tratada apenas como “resultado final”, mas como indicador a ser continuamente acompanhado, com transparência e participação social.
Além disso, é necessário garantir que o endurecimento da repressão não seja dissociado de políticas preventivas e de inclusão social, sob pena de deslocar problemas de um território para outro ou de produzir efeitos colaterais sobre populações vulneráveis. A articulação com assistência social, cultura, esporte e juventude constitui elemento central para a manutenção de um ambiente urbano seguro e inclusivo.

Assistência Social e Inclusão: Ampliação de Cobertura e Inovação Social
Na área de Assistência e Desenvolvimento Social, 2025 foi marcado pela ampliação da rede socioassistencial e por projetos inovadores de segurança alimentar, proteção a populações vulneráveis e fortalecimento de vínculos comunitários.
A inauguração de novo equipamento especializado em territórios vulneráveis ampliou o atendimento a famílias com violações de direitos e adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas, aproximando o serviço público dos contextos onde os conflitos se manifestam. Operações de inverno (“noites frias”) alcançaram milhares de abordagens e acolhimentos de pessoas em situação de rua, com oferta de pernoite, alimentação, agasalhos e encaminhamentos para serviços mais estruturados.
Programas como o Recâmbio facilitaram o retorno de pessoas em situação de rua a seus municípios de origem ou a famílias com as quais tinham vínculos rompidos, contribuindo para reduzir a cronificação da rua. Ao mesmo tempo, foram desenvolvidos programas de segurança alimentar (como feiras e distribuição de cestas de alimentos) e políticas para a pessoa idosa, com grupos de convivência, centros de dia e equipamentos voltados ao lazer e à socialização.
Para a primeira infância, visitas domiciliares, apoio alimentar e ações de educação nutricional reforçaram a proteção integral de crianças em famílias vulneráveis. A criação de iniciativas inovadoras, como moedas sociais de circulação restrita em territórios específicos, buscou estimular economias locais e fortalecer redes de solidariedade.
Do ponto de vista analítico, é possível afirmar que houve avanço substantivo na densidade da rede de proteção social. Todavia, convém destacar alguns pontos de atenção: a persistência da pobreza urbana em determinadas regiões; a dificuldade de acompanhamento de casos complexos em longo prazo; e o risco de sobrecarga dos profissionais da assistência frente a demandas crescentes. A sustentabilidade desses programas dependerá do contínuo financiamento, da formação das equipes e da articulação com outras políticas (saúde, educação, habitação, trabalho).
Mobilidade Urbana e Trânsito: Planejamento Estrutural e Resultados Parcialmente Emergentes
A área de mobilidade foi marcada por um movimento simultâneo de planejamento de longo prazo e de intervenções imediatas. O processo de concessão do transporte coletivo municipal foi estruturado com audiências públicas e debates técnicos, com o objetivo de renovar a frota de ônibus, aprimorar a bilhetagem, melhorar os pontos de parada e elevar o padrão de serviço para dezenas de milhares de passageiros diários.
Do ponto de vista jurídico e institucional, esse é um passo decisivo, pois contratos de concessão costumam gerar impactos por décadas. A fase preparatória, portanto, exige máximo rigor técnico e transparência, sob pena de cristalizar assimetrias e serviços insuficientes no futuro. Até o final de 2025, a licitação ainda estava em fase de modelagem, e os efeitos concretos para o usuário ainda não haviam sido plenamente materializados.
No campo da engenharia de tráfego, foram feitas melhorias semafóricas, readequações de cruzamentos críticos, sinalização reforçada em áreas escolares e implantação de rotatórias e dispositivos para acalmar o tráfego em bairros. Campanhas de educação no trânsito, blitze integradas e cursos de pilotagem segura para motociclistas complementaram a estratégia de redução de acidentes.
A mobilidade ativa (caminhada e bicicleta) foi incorporada ao planejamento, com estudos para ampliação de ciclovias e revitalização de calçadas. No entanto, a execução concreta dessas intervenções ainda é incipiente, o que demonstra um hiato entre plano e implementação. Em termos de política pública, o desafio será transformar o desenho de cidade mais acessível e sustentável em obras efetivas e perceptíveis pela população.
Infraestrutura, Saneamento e Meio Ambiente: Referência Nacional com Desafios de Manutenção
No saneamento básico e na infraestrutura ambiental, Jundiaí consolidou-se em 2025 como referência nacional. A empresa municipal de água e esgoto ampliou ligações de água e esgoto, substituiu quilômetros de redes antigas e implantou adutoras de grande porte em regiões estratégicas de crescimento urbano, garantindo maior segurança no abastecimento e na coleta de efluentes.
Regiões que historicamente dependiam de soluções precárias passaram a contar com redes coletoras formais, com impacto direto sobre saúde pública e qualidade ambiental. O município manteve posição de destaque em rankings nacionais de saneamento, o que reforça a importância de políticas de longo prazo e de gestão técnica qualificada.
Projetos inovadores, como a construção de um grande jardim sensorial voltado à inclusão de crianças neurodivergentes e pessoas com deficiências ocultas, além da instalação de uma usina fotovoltaica para suprir a maior parte do consumo de energia da própria autarquia, demonstram a integração entre dimensão social e ambiental da política de saneamento.
A educação ambiental foi fortalecida por meio de visitas monitoradas a estações de tratamento, projetos com escolas, campanhas de descarte adequado de óleo de cozinha e plantio de mudas em áreas de mananciais. Parques urbanos administrados pelo município receberam melhorias, e espaços de lazer passaram a incorporar atividades físicas regulares e iniciativas de promoção da saúde.
Do ponto de vista da governança, a elaboração de planos estratégicos alinhados a critérios ESG, a publicação de relatórios de sustentabilidade e o reconhecimento por prêmios nacionais indicam maturidade institucional. Porém, essa posição de destaque traz consigo uma responsabilidade: evitar acomodação. A expansão urbana, a pressão sobre mananciais e as mudanças climáticas exigirão, nos próximos anos, ainda mais inovação e capacidade de investimento para manter – e não apenas preservar – o status de referência.
Cultura, Turismo e Agronegócio: Economia Criativa, Identidade Local e Sustentabilidade
A gestão também priorizou cultura, turismo e agronegócio como vetores de desenvolvimento. A retomada ampliada da Festa da Uva e da Expo Vinhos, com crescimento expressivo de público e de vendas de frutas, derivados e produtos locais, reforçou Jundiaí como destino turístico e vitrine da produção rural.
Feiras gastronômicas itinerantes e programas estruturados de economia criativa conectaram artesãos, microempreendedores, produtores rurais e empreendedores da gastronomia, elevando o faturamento local e oferecendo novas experiências culturais à população. A regulamentação de comércio de rua e food trucks permitiu maior previsibilidade aos empreendedores e diversificou a oferta em eventos públicos.
O artesanato ganhou ponto fixo de exposição e vendas, o que representa avanço em termos de reconhecimento da economia criativa e da identidade cultural local. Rotas turísticas foram ampliadas, incluindo roteiros rurais, gastronômicos, religiosos e de valorização da cultura afro-brasileira. Reconhecimentos em premiações estaduais de turismo consolidaram o município no mapa do turismo paulista.
No agronegócio, políticas de apoio ao pequeno produtor, pagamento por serviços ambientais, apoio à agricultura protegida, recuperação de nascentes e patrulhas agrícolas contribuíram para manter a atividade rural economicamente viável e ambientalmente sustentável, apesar da pressão de expansão urbana.
Do ponto de vista crítico, permanece o desafio de distribuir de forma mais equitativa os benefícios do turismo e da economia criativa, evitando concentração de oportunidades em poucos atores e territórios. Além disso, é necessário assegurar que o desenvolvimento turístico não produza impactos negativos em comunidades tradicionais, na paisagem rural e no meio ambiente.
Governança, Participação Social e Gestão Administrativa
Na esfera da governança, a gestão Martinelli adotou iniciativas de aproximação com a população por meio de programas itinerantes que levaram o gabinete do prefeito e serviços de todas as secretarias diretamente aos bairros. Esses mutirões concentraram atendimentos nas áreas de saúde, emprego, assistência social, regularização fundiária, defesa do consumidor, água e esgoto, entre outros, possibilitando solução mais rápida de demandas e escuta qualificada das comunidades.
No campo da gestão de pessoas, destacaram-se medidas de valorização do servidor público, como ampliação de direitos, revisão de regras internas, programas de escuta ativa e ações de combate ao assédio moral e sexual, acompanhadas de canais de denúncia. Houve também investimento na formação e na saúde emocional dos funcionários, reconhecendo a centralidade do corpo técnico para a qualidade dos serviços públicos.
O processo de elaboração do Plano Plurianual 2026–2029 foi conduzido com participação popular ampliada, por meio de consultas digitais e encontros presenciais, resultando em número significativo de contribuições de moradores de diversos bairros. A incorporação de diretrizes alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável indica tentativa de integrar a agenda local à agenda global de desenvolvimento.
A Casa Civil ganhou protagonismo na coordenação de políticas de direitos humanos, juventude, igualdade racial, diversidade, gênero, pessoa idosa e pessoa com deficiência, articulando eventos, formações e ações de fortalecimento de coletivos e redes de proteção. Essa transversalidade é positiva, mas ainda demanda mensuração mais precisa de impactos concretos na redução de discriminações e violências.
Em termos de transparência e governo digital, mantiveram-se indicadores elevados, com atualização de portais, uso de sistemas eletrônicos de processos e ampliação de canais digitais de atendimento. A relação institucional com governos estadual, federal e com a iniciativa privada permitiu captação de recursos para projetos de mobilidade, saúde, segurança e infraestrutura.
Do ponto de vista analítico, o primeiro ano de gestão demonstra capacidade de articulação política, técnica e institucional. O risco, porém, é a dispersão de esforços: a multiplicidade de programas e projetos exige forte coordenação, monitoramento e avaliação para que não se percam foco, coerência e efetividade.
Conclusão
O primeiro ano da gestão Gustavo Martinelli em Jundiaí revela um cenário de avanços significativos e desafios estruturais. Em termos de resultados, observa-se:
- manutenção do equilíbrio fiscal com nível de investimento relevante;
- consolidação do município como polo econômico com elevado PIB e PIB per capita;
- melhorias consistentes em saúde, com ampliação de serviços e infraestrutura;
- reconhecimento em educação, com bons indicadores de alfabetização e investimentos acima dos mínimos legais;
- redução de criminalidade acompanhada de aumento da produtividade nas ações de segurança;
- expansão da rede de assistência social e inovação em programas de inclusão;
- planejamento de longo prazo em mobilidade, ainda em fase inicial de implementação;
- fortalecimento do saneamento e da infraestrutura ambiental, com projetos de alta visibilidade;
- valorização da cultura, do turismo e do agronegócio como vetores de desenvolvimento;
- avanço em governança, participação social e valorização do servidor.
Do ponto de vista acadêmico e da ciência política, Jundiaí em 2025 constitui um estudo de caso interessante de gestão municipal que combina continuidade de políticas bem avaliadas com introdução de iniciativas inovadoras. Entretanto, uma leitura crítica exige reconhecer limites e riscos: desigualdades territoriais persistem; a sustentação financeira de programas sociais dependerá da evolução econômica e de decisões federativas; o sucesso do novo modelo de transporte coletivo ainda será testado; e a consolidação de políticas de direitos humanos requer aprofundamento e estabilidade institucional.
A experiência do primeiro ano de governo demonstra que é possível, em curto prazo, produzir melhorias mensuráveis quando há planejamento, capacidade técnica, disciplina fiscal e engajamento social. Porém, a verdadeira prova da gestão Martinelli ocorrerá na capacidade de manter e aprofundar esses resultados ao longo dos próximos anos, enfrentando ciclos econômicos adversos, pressões políticas e demandas crescentes da população.
Em suma, Jundiaí avançou em 2025 sob a atual gestão, mas a trajetória futura dependerá da continuidade do diálogo com a sociedade, da transparência na tomada de decisões, da qualidade dos mecanismos de controle e participação e da disposição em ajustar rumos sempre que necessário. Para pesquisadores, gestores e atores políticos, o caso jundiaiense oferece um laboratório vivo de políticas públicas integradas, em que sucessos e limitações devem ser igualmente observados, analisados e debatidos.
Referências Bibliográficas
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