Um dos momentos mais aguardados pelos fãs do MMA nos últimos tempos, devido à apimentada rivalidade entre Khamzat Chimaev e Sean Strickland, a coletiva de imprensa pré-UFC 328 não decepcionou. Realizada nesta quinta-feira (7), com segurança reforçada, incluindo a presença de policiais no palco do ‘Prudential Center’, em Newark (EUA), a cerimônia promocional contou com todos os elementos esperados ao colocarem os dois desafetos e protagonistas do show deste sábado (9), como provocações, ameaças, deboches e, até mesmo, tentativa de agressão. Destaque para o campeão peso-médio (84 kg) russo que apelou ao fazer piada sobre abuso infantil e ao se autoproclamar “terrorista”.
Antes mesmo da introdução inicial tradicionalmente feita por Dana White neste tipo de evento, Chimaev e Strickland – posicionados propositalmente nos extremos opostos da mesa – precisaram ser contidos pela equipe de segurança do UFC. A discussão continuou mesmo com ambos sentados, já com o espaço aberto para as perguntas dos jornalistas presentes na coletiva de imprensa. O russo, especialmente, tratava de interromper o ex-campeão norte-americano em praticamente todas as suas respostas.
Os ataques verbais de Chimaev focavam, principalmente, na relação conturbada de Strickland com seu pai, e o fato do lutador americano já ter exposto publicamente que sofreu abuso por parte do seu genitor durante a infância. O campeão também provocou o rival ao alegar ter levado a melhor repetidas vezes quando ambos dividiam os tatames nos treinos na academia ‘Xtreme Couture’, em Las Vegas (EUA).
“Eu vou ser seu pai no cage. Chore! Eu vou ser o seu pai no cage, vou fazer você chorar. Seu pai te espancava, eu vou te espancar também. Seu pai fazia você de garota. Vá chorar sobre isso. Não é meu problema”, ironizou Chimaev.
Por sua vez, Strickland repetiu o mesmo discurso que já vinha fazendo em sua campanha prévia para tentar mexer com o psicológico de Khamzat. Um dos pontos levantados pelo ex-campeão contra Chimaev foi a duvidosa relação do lutador russo com o ditador checheno Razman Kadyrov, a qual Sean classificou como “prostituição”, tendo em vista os rumores da existência de um acordo no qual o político usaria a imagem do campeão do UFC para se autopromover em troca de muitos benefícios financeiros repassados ao atleta.
Strickland também abusou de termos considerados xenofóbicos e prometeu mandar Chimaev e sua entourage de volta para o país de terceiro mundo do qual teria vindo. Desta vez, porém, o americano evitou classificar o rival como um terrorista, como já havia feito no passado.
“Sou um americano, sei como ser uma p*** de um homem. Veja meus fãs aqui (desse lado), nós temos dignidade, sabem ser homens. Você vê aqueles selvagens ali? Vocês não deveriam poder entrar nesse país, vocês são a definição de cocô de cachorro, e vocês têm que dar o fora dos EUA e parar de arruiná-lo“, disparou Strickland, em direção a Chimaev e seus fãs.
Porém, o termo foi levantado durante uma das perguntas, justamente citando uma declaração anterior de Strickland. Em resposta, um visivelmente empolgado Chimaev, disparou: “Eu sou um terrorista para ele. Vou arrancar a cabeça dele, vou matar ele“.
Chute na encarada
Mesmo com a temperatura do ambiente fervendo, o UFC manteve a tradição de promover as encaradas após o término da coletiva de imprensa. E como se poderia prever, apesar da segurança reforçada, os desafetos se estranharam ao ficarem frente a frente. Além da troca de farpas e provocações, Chimaev acertou um chute em Strickland, que, indignado, precisou ser contido pelos profissionais de segurança que o cercava para não avançar no russo (veja abaixo).
