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Kadu Moliterno denuncia etarismo e reivindica espaço após sete anos longe da TV

O renomado ator Kadu Moliterno, de 74 anos, fez um forte desabafo nesta sexta-feira (12) sobre a ausência de oportunidades na dramaturgia brasileira. Distante das telinhas há cerca de sete anos, o eterno galã dos anos 80 atribui sua exclusão a um fenômeno crescente: o etarismo, a discriminação por idade. Moliterno afirma que permanece ativo e apto para novos trabalhos, desafiando a percepção de que sua carreira teria chegado ao fim.

A última atuação de Kadu Moliterno em uma produção televisiva ocorreu em 2019, na novela “Topíssima”, exibida pela Record TV, onde interpretou o personagem Dagoberto. Desde então, o artista, com uma trajetória de mais de cinco décadas, não conseguiu emplacar novos papéis, levantando um debate crucial sobre a longevidade profissional de atores e atrizes no país.

Em um vídeo compartilhado amplamente nas redes sociais, Moliterno expressou sua frustração, dando voz a uma questão que, segundo ele, muitos evitam discutir abertamente. “Eu tenho 55 anos de carreira como ator no teatro, no cinema, na televisão, mas agora eu vou dizer uma coisa para vocês que ninguém fala: como é envelhecer sendo ator”, lamentou. Ele prosseguiu com uma reflexão contundente: “O problema não é envelhecer, o problema é quando acham que você deixou de ser interessante”.

O Peso da Idade na Indústria do Entretenimento

A declaração de Kadu Moliterno joga luz sobre o complexo cenário do etarismo, ou ageísmo, na indústria do entretenimento. Este tipo de preconceito se manifesta pela desvalorização e exclusão de profissionais em razão de sua idade, afetando diretamente as oportunidades de trabalho e a representatividade em produções artísticas. Para atores com décadas de experiência, a barreira da idade torna-se uma luta constante por visibilidade e relevância.

O setor artístico, historicamente, lida com a pressão pela juventude e pela constante renovação de rostos. No entanto, a exclusão de talentos experientes como Kadu Moliterno acarreta uma perda significativa para a riqueza cultural e narrativa das obras. A experiência acumulada por estes profissionais oferece uma profundidade e uma bagagem que, muitas vezes, são insubstituíveis, enriquecendo qualquer personagem ou história.

A fala do ator reflete uma realidade que vai além de seu caso individual. Muitos outros artistas veteranos enfrentam o desafio de se manterem ativos em um mercado que, por vezes, prioriza a estética jovem em detrimento do talento e da versatilidade construídos ao longo do tempo. O etarismo, neste contexto, não apenas limita as opções de trabalho para quem envelhece, mas também empobrece o repertório de personagens e narrativas disponíveis para o público, que busca identificação com diferentes fases da vida humana.

Carreira Sólida e a Transição de Emissoras

Com 55 anos de carreira, a trajetória de Kadu Moliterno é um testemunho da longevidade e da dedicação à arte de interpretar. Consolidado como um dos rostos mais conhecidos da televisão brasileira, ele alcançou o status de “galã dos anos 80”, um período de efervescência para a teledramaturgia nacional. Seu papel em “Armação Ilimitada”, por exemplo, marcou gerações e permanece um ícone da cultura pop, demonstrando sua capacidade de se adaptar a diferentes gêneros e públicos.

A passagem do ator por diversas emissoras, incluindo a transição da Rede Globo para a Record TV, ilustra uma busca por novos desafios e a dinâmica do mercado televisivo. Seu último trabalho, “Topíssima” (2019), na Record TV, representa o desfecho de um período de maior atividade antes do hiato que agora completa sete anos. Este afastamento da tela acende um alerta sobre as práticas de contratação e valorização dos artistas em um cenário de crescente concorrência entre plataformas e produtores de conteúdo.

A Paixão pela Arte e a Esperança de um Novo Auge

Apesar da ausência prolongada na televisão, Kadu Moliterno faz questão de ressaltar que sua paixão pela atuação permanece inabalável. “Eu continuo trabalhando, estudando, treinando e, principalmente, querendo muito contar histórias”, destacou o ator, evidenciando seu compromisso contínuo com a profissão. Essa postura ativa, de aprimoramento constante, é um reflexo do profissionalismo e da crença na sua capacidade de contribuir para novas produções.

O ator mantém viva a esperança de ainda viver seu auge em um possível retorno à televisão, desafiando a lógica do mercado. “Ator não tem prazo de validade e quem sabe meu melhor personagem ainda nem tenha chegado”, afirmou, transmitindo uma mensagem de resiliência e otimismo. Essa frase ecoa o sentimento de muitos artistas que acreditam na arte como uma vocação atemporal, onde a idade pode agregar, e não subtrair, valor.

Nas redes sociais, a repercussão da declaração de Kadu Moliterno foi imediata. Fãs e amigos manifestaram apoio, corroborando a percepção de que sua ausência é sentida pelo público. “Você está fazendo falta nas novelas. Qualquer personagem que interpretar irá muito bem porque você é um grande ator”, comentou um seguidor, reforçando a conexão duradoura entre o artista e sua audiência, um ativo valioso que muitas produções buscam.

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