Presidente do Rioprevidência defende aportes e afirma que todo investimento possui riscos

Rioprevidência esclarece aportes em investimentos de risco no Banco Master, envolvendo R$ 2,6 bilhões.
Aporte do Rioprevidência no Banco Master: Riscos e Justificativas
Em meio à liquidação extrajudicial do Banco Master, o Rioprevidência, fundo de aposentadoria dos servidores estaduais do Rio de Janeiro, justificou seus investimentos de risco, totalizando R$ 2,6 bilhões em letras financeiras e títulos de renda fixa na instituição. Essa afirmação foi feita pelo presidente Deivis Marcon Antunes, que destacou a natureza arriscada de todo investimento.
Em um ofício enviado ao Tribunal de Contas do Estado (TCE), Antunes defendeu os aportes e criticou os alertas sobre os riscos envolvidos nas operações. Ele ressaltou que a equipe técnica do Rioprevidência baseia suas decisões em avaliações constantes dos ativos e respeita as determinações legais e regulamentares.
Histórico de Investimentos e Riscos Envolvidos
Os primeiros aportes no Banco Master ocorreram entre novembro de 2023 e abril de 2024, totalizando aproximadamente R$ 670 milhões. A escolha de letras financeiras, que não contam com a proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), foi crucial, pois essas aplicações expõem o fundo a riscos elevados. O Rioprevidência, em nota, informou que investiu R$ 960 milhões em letras financeiras entre outubro de 2023 e agosto de 2024.
Apesar dos alertas do TCE sobre os riscos associados a essas operações, o Rioprevidência continuou a realizar novos investimentos, destinando R$ 1,1 bilhão em fundos geridos pelo banco, mesmo quando a crise da instituição já era de conhecimento público. O ex-diretor de investimentos, Euchério Lerner Rodrigues, destacou que as taxas oferecidas pelo Master eram mais vantajosas, o que justificou a continuidade dos aportes.
A Resposta do TCE e as Investigações
Desde o ano passado, o TCE havia alertado sobre problemas potenciais relacionados aos investimentos no Banco Master, levando à abertura de uma investigação. As irregularidades apontadas incluem a falta de um processo claro para a habilitação do banco, que só foi efetivamente cadastrado um mês após o início dos aportes.
O TCE enviou um aviso ao Rioprevidência indicando que quaisquer novas operações poderiam implicar na assunção integral do risco por parte do fundo. Em resposta, o tribunal determinou uma tutela provisória que impede novas transações com o Master, evidenciando a gravidade da situação.
Consequências dos Investimentos Arriscados
Os investimentos realizados após os alertas do TCE foram considerados arriscados, pois envolveram fundos administrados pela corretora do Master, também liquidada pelo Banco Central. Um dos casos mais preocupantes foi o aporte de R$ 100 milhões em um fundo que tinha a maior parte de seus ativos em ações da Ambipar, uma empresa em recuperação judicial.
Além disso, o Rioprevidência fez um Investimento de R$ 660 milhões em um fundo que, até o momento, rendeu menos do que a poupança. A falta de diversificação e o fato de ser o único cotista levantaram preocupações entre os técnicos do tribunal, aumentando a pressão sobre a gestão do fundo.
Conclusão e Futuras Implicações
O advogado Francisco Costa e Silva expressou preocupações sobre a possibilidade de recuperação dos valores investidos, uma vez que o Master se encontra em situação incerta. A realidade dos investimentos do Rioprevidência no Banco Master levanta questionamentos sobre a gestão de recursos e a necessidade de maior transparência e responsabilidade nas decisões financeiras, em um contexto onde a segurança dos aposentados e pensionistas deve ser priorizada.