Rio de Janeiro: Xadrez Político Define Candidatos ao Governo e Senado em Meio a Disputas Judiciais e Investigações Policiais
O Rio de Janeiro, um dos maiores colégios eleitorais do Brasil, enfrenta um cenário político complexo. A definição dos candidatos ao governo e ao Senado para as eleições de outubro **depende** não apenas das articulações partidárias, mas também de decisões da **Justiça Eleitoral** e de investigações da **polícia**. As principais chapas começam a tomar forma, mas o cenário político fluminense segue instável.
Com a proximidade do prazo final para registro das candidaturas, 15 de agosto, incertezas pairam sobre o futuro político do estado. Decisões judiciais e o avanço de investigações policiais podem **impactar** significativamente o desenho das chapas e o resultado das eleições.
A Dinâmica da Direita: Impossibilidade de Reeleição e a Busca por um Nome Forte
O atual governador, Cláudio Castro (PL), enfrenta uma peculiaridade: não pode concorrer à reeleição, pois já ocupa o cargo em seu segundo mandato. Castro assumiu o governo em abril de 2021, após o impeachment de Wilson Witzel, de quem era vice-governador eleito em 2018. Agora, Castro almeja uma vaga no Senado.
Reeleito no primeiro turno em 2022, com quase 60% dos votos válidos, o governador busca uma vaga no Senado, mas precisa deixar o cargo até abril. A ausência de um vice-governador cria uma lacuna no poder executivo e abre espaço para disputas.
A Vacância do Cargo de Vice-Governador e a Eleição Indireta
Um dos principais desafios é a ausência de um vice-governador desde maio de 2025, quando Thiago Pampolha renunciou para assumir uma cadeira no Tribunal de Contas do Estado do Rio. Essa vacância levanta questões sobre quem assumirá o governo interinamente e o impacto disso na corrida eleitoral. A lei determina que, nessa situação, a Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) deve eleger um governador “tampão” por meio de eleição indireta.
Com isso, o Rio de Janeiro poderá ter duas eleições para governador em um curto período de tempo: uma indireta, realizada pela Alerj, e outra direta, em outubro, para eleger o governador para o próximo mandato.
A Escolha do Candidato do PL: Douglas Ruas e a Disputa Interna
Em um encontro recente, Cláudio Castro e Flávio Bolsonaro (PL) anunciaram que o candidato do partido ao governo será Douglas Ruas (PL), filho do prefeito de São Gonçalo, o Capitão Nelson Ruas. Douglas Ruas, deputado estadual eleito em 2022 com expressivos 175 mil votos, surge como a aposta do partido para o pleito.
Outro nome cotado era o do delegado Felipe Curi, que ganhou notoriedade após uma operação policial na qual morreram 122 pessoas. Contudo, a estratégia do PL apontou para o nome de Ruas, considerado com maior potencial eleitoral. Curi deverá concorrer a deputado federal e coordenar o plano de governo de Ruas na área de segurança pública.
Divergências Internas e a Batalha Judicial à Vista
Apesar do consenso em relação ao candidato a governador para outubro, Cláudio Castro e Flávio Bolsonaro divergem sobre a escolha do governador “tampão”. Flávio Bolsonaro defende que Douglas Ruas dispute também a eleição indireta, enquanto Castro prefere o nome de Nicolla Miccione, atual secretário estadual da Casa Civil. Essa divergência interna pode se transformar em uma batalha judicial.
Aliados de Castro consideram acionar a Justiça, com base em uma lei recém-aprovada pela Alerj que reduz o prazo de desincompatibilização para a eleição indireta para apenas 24 horas. Caso a Justiça determine o cumprimento do prazo de 180 dias, tanto Ruas quanto Miccione ficariam inelegíveis para a eleição indireta, o que forçaria o grupo a buscar um novo nome.
A Chapa Completa: Vice e Candidatos ao Senado
O candidato a vice-governador na chapa de Douglas Ruas será Rogério Lisboa (PP), ex-prefeito de Nova Iguaçu. A disputa pelas vagas ao Senado deve ser acirrada, com Cláudio Castro e o atual prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União Brasil), na corrida.
O Desafio de Eduardo Paes: A Oposição Busca Espaço no Cenário Político Fluminense
O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), surge como o principal nome da oposição. Após reiteradas vezes jurar que cumpriria seu mandato na prefeitura, Paes anunciou sua pré-candidatura ao governo do estado.
Em 2018, Paes já havia concorrido ao governo, sendo derrotado por Wilson Witzel em uma eleição surpreendente, impulsionada pelo apoio da família Bolsonaro. Ciente da importância de conquistar votos em todo o estado, Paes escolheu cuidadosamente sua vice.
A Escolha Estratégica da Vice: Jane Reis e a Aliança em Duque de Caxias
Após a sondagem a Rogério Lisboa, que acabou se aliando ao PL, Eduardo Paes firmou aliança com a família de Washington Reis, influente em Duque de Caxias. A vice na chapa de Paes será Jane Reis, irmã de Washington, advogada e casada com o pastor Rafael Corato, da igreja Assembleia de Deus. Essa aliança estratégica visa fortalecer a candidatura de Paes na região metropolitana.
A Busca por Nomes para o Senado: Benedita da Silva e as Articulações em Curso
Uma das vagas para o Senado na chapa de Eduardo Paes será ocupada pela ex-governadora do Rio e atual deputada federal Benedita da Silva (PT). A outra vaga ainda está em aberto, e Paes busca um nome que fortaleça sua candidatura.
Pendências Judiciais e o Risco de Inelegibilidade de Cláudio Castro
O governador Cláudio Castro enfrenta outra batalha na Justiça. Ele é réu em uma ação que o acusa de abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. Trata-se do chamado “escândalo do Ceperj”, que também envolve o presidente afastado da Alerj, Rodrigo Bacellar (União Brasil), e o ex-vice-governador Thiago Pampolha. A polícia investiga um possível esquema de folha de pagamento secreta com cerca de 20 mil cargos temporários no Ceperj (Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos do Rio de Janeiro) e na Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), com o objetivo de beneficiar aliados e cabos eleitorais.
Castro foi absolvido pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ) em 2024, mas o Ministério Público Eleitoral recorreu, e o caso agora está no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A ministra relatora Isabel Gallotti votou pela cassação do mandato e dos direitos políticos do governador e pela convocação de novas eleições. O julgamento foi interrompido por um pedido de vista e será retomado em breve. A decisão do TSE pode **impactar** diretamente a candidatura de Castro ao Senado.
A Investigação Contra Rodrigo Bacellar e Seus Desdobramentos
A Polícia Federal investiga o deputado estadual Rodrigo Bacellar (União Brasil), figura de grande influência política e importante aliado de Castro e do PL. Bacellar foi preso sob acusação de vazar informações sobre uma operação policial que resultou na prisão do deputado TH Jóias, apontado como integrante do Comando Vermelho. A Polícia Federal alega que Bacellar liderava o “núcleo político da organização criminosa em análise”.
Apesar de ter tido sua prisão revogada e de ter sido afastado do cargo, Bacellar segue sendo investigado pela Polícia Federal, que apura uma possível rede de influência e troca de favores com outros políticos e integrantes de outros Poderes fluminenses.
O advogado de Bacellar, Daniel Bialski, classifica o indiciamento como “arbitrário e abusivo” e afirma que não existem provas concretas contra seu cliente. A investigação ainda não afetou outros políticos, mas permanece em andamento.
Outros Nomes na Disputa: Witzel e Garotinho Movimentam o Cenário
Além de Eduardo Paes e Douglas Ruas, outros nomes podem entrar na disputa pelo governo do Rio. Wilson Witzel, que tenta reverter o impeachment sofrido, deve se filiar ao Democracia Cristã (DC) e tentar retornar ao cargo. Anthony Garotinho, por sua vez, cogita concorrer a uma vaga de deputado federal pelo Republicanos, enquanto seu filho, Wladimir Garotinho, prefeito de Campos dos Goytacazes, pode disputar uma vaga na Câmara Federal.
Contexto
O cenário político do Rio de Janeiro se mostra dinâmico e incerto, com diversas variáveis que podem influenciar o resultado das eleições. A disputa pelo governo e pelo Senado envolve não apenas a articulação de partidos e alianças, mas também o acompanhamento de decisões judiciais e o desfecho de investigações policiais. A proximidade do prazo para registro das candidaturas aumenta a pressão sobre os atores políticos e exige atenção redobrada da população.