

Uma figura sombria, de unhas compridas e cartola, continua a aterrorizar e fascinar gerações no Brasil, décadas após sua primeira aparição. Ele é o eterno Zé do Caixão, um ícone do terror que transcendeu as telas para se tornar um símbolo da inventividade nacional e da ousadia cinematográfica.
Agora, fãs e curiosos terão a chance de mergulhar nas profundezas do horror brasileiro, desde suas raízes folclóricas até o legado de seu mais célebre personagem, em uma oficina gratuita que chega a Jundiaí. A atividade promete desvendar os mistérios por trás do medo na cultura nacional.
A ascensão do medo: Uma jornada pelo horror à brasileira
A oficina de horror brasileiro convida os participantes a explorar a rica história do terror nacional e o indelével legado de Zé do Caixão. A imersão cultural acontece no dia 22 de outubro, das 16h às 20h, no Espaço Expressa, em Jundiaí (SP).
Com o tema “Zé do Caixão, fantasmas, folclore e assassinos: o horror brasileiro nas telas”, o encontro oferece 40 vagas. É uma oportunidade única para aprender sobre a evolução de um gênero que, muitas vezes, é subestimado no cenário artístico.
Pessoas a partir de 16 anos podem participar. Os interessados devem realizar a inscrição por meio de um formulário online, garantindo sua vaga em uma das atividades mais aguardadas do calendário cultural da cidade.
Durante quatro horas intensas, os participantes serão guiados por diferentes fases do cinema de terror no Brasil. O conteúdo traça um panorama abrangente de 90 anos de produções audiovisuais, englobando filmes e programas de televisão que marcaram época.
O percurso didático começa com as primeiras paródias de fantasmas, comuns no cinema das décadas iniciais. A linha do tempo avança até a criação de Zé do Caixão, personagem que revolucionou o gênero no país e projetou sua imagem internacionalmente.
José Mojica Marins, o cineasta por trás do personagem, também o interpretou nas telas. Ele se estabeleceu como um dos grandes pioneiros do horror nacional, conquistando reconhecimento global e consolidando o terror como um gênero relevante no Brasil.
Além de revisitar o passado, a oficina também se dedica ao cinema contemporâneo, explorando diversos movimentos cinematográficos. Isso demonstra como o terror pode funcionar como uma ferramenta poderosa para abordar questões sociais e políticas complexas.
Impacto na região
A chegada desta oficina de horror brasileiro em Jundiaí representa uma significativa injeção cultural para os moradores e entusiastas da região. É uma chance de acessar conteúdo especializado e de alto nível, geralmente restrito a grandes centros, sem custo.
A iniciativa, em parceria com o Museu da Imagem e do Som (MIS), por meio do programa Pontos MIS, democratiza o acesso ao conhecimento. A conexão com o MIS eleva o patamar do evento, garantindo qualidade e profundidade no conteúdo oferecido aos jundiaienses.
Para o público local, a oficina oferece uma visão aprofundada sobre a identidade cultural brasileira através do cinema de gênero. Entender o horror produzido no país é, de certa forma, compreender medos e fantasias coletivas que moldam a sociedade.
O arquiteto do terror: Quem conduz a imersão em Zé do Caixão
A condução do encontro estará sob a responsabilidade do crítico e pesquisador Carlos Primati. Sua vasta experiência e especialização em filmes de horror, ficção científica e fantasia garantem uma abordagem aprofundada e cheia de referências.
Primati não é apenas um estudioso; ele possui artigos publicados em renomadas revistas e livros especializados. Sua atuação como oficineiro do programa Pontos MIS já soma uma década, consolidando sua didática e capacidade de engajamento com o público.
Essa iniciativa integra as ações de formação cultural do programa Pontos MIS. O projeto promove sessões de cinema, oficinas e outras atividades, levando cultura e educação cinematográfica a diversas localidades brasileiras, sempre com foco na acessibilidade.
Além da oficina: Jundiaí se veste para o Halloween
A celebração do gênero do medo não se limita à oficina. O Espaço Expressa também receberá sessões gratuitas de cinema durante todo o mês de outubro, em uma programação especial de Halloween.
Este festival reúne clássicos premiados do terror internacional, oferecendo uma experiência completa para os aficionados. As exibições ocorrem na Sala de Cinema Pública São Paulo–Minas, localizada no mesmo Espaço Expressa que sediará a oficina.
Assim, os fãs do gênero terão múltiplas oportunidades de explorar produções marcantes, tanto nacionais quanto estrangeiras, em um único local. A atmosfera do Halloween é o pano de fundo perfeito para essas imersões cinematográficas.
O público interessado pode consultar a programação completa e horários específicos no site da Cultura de Jundiaí, planejando sua visita para aproveitar ao máximo as atrações culturais.
Mergulho na história macabra: Da paródia ao impacto social
O horror brasileiro não é um fenômeno isolado, mas sim o reflexo de um longo processo de experimentação e resistência artística. Desde suas primeiras manifestações, muitas vezes em tom de paródia ou com elementos do folclore local, o gênero buscou sua própria voz e identidade.
A emergência de figuras como Zé do Caixão, criado por José Mojica Marins, foi um divisor de águas. Ele não apenas estabeleceu um estilo visceral e autêntico, mas também desafiou convenções, explorando temas tabus e a psique humana de uma forma inédita no cinema nacional.
Ao longo das décadas, o cinema de terror no Brasil evoluiu, passando de produções mais independentes e de baixo orçamento para obras que, hoje, dialogam com tendências globais. Ele reflete as angústias de diferentes épocas, servindo como um espelho das tensões sociais e políticas do país.
Compreender esse trajeto é fundamental para perceber a importância do gênero. O terror, em suas múltiplas facetas, oferece um campo fértil para a crítica, a reflexão e a inovação estética, tornando-se mais do que mero entretenimento, mas sim um documento cultural de grande valor.
Para quem deseja participar, os detalhes da atividade estão disponíveis a seguir:
- Oficina: Zé do Caixão, fantasmas, folclore e assassinos: o horror brasileiro nas telas
- Data: 22 de outubro de 2026 (quinta-feira)
- Horário: das 16h às 20h
- Local: Sala de Cinema Pública São Paulo–Minas, no Espaço Expressa
- Endereço: Avenida União dos Ferroviários, 1.760 – Centro, Jundiaí
- Público: pessoas a partir de 16 anos
- Vagas: 40
- Entrada: gratuita, mediante inscrição prévia
- Inscrições: acesse o formulário online – vagas podem ser preenchidas a qualquer momento.



