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Jundiaí qualifica servidores com Libras para inclusão no serviço público

No Brasil, mais de 10 milhões de pessoas enfrentam o desafio da surdez, uma realidade que muitas vezes impõe barreiras silenciosas no acesso a serviços básicos. Em Jundiaí, um movimento em curso busca transformar esse cenário, garantindo que a comunicação não seja um obstáculo para ninguém.

A iniciativa vem da

Escola de Gestão Pública (EGP)

, que promove um

curso de Libras

para

servidoras municipais

. Vinte e três profissionais de diferentes áreas da Administração estão aprendendo a

Língua Brasileira de Sinais

, em um passo fundamental para uma

Jundiaí mais inclusiva

.

As aulas quinzenais aprofundam conhecimentos e preparam as participantes não apenas para o ambiente de trabalho, mas também para situações cotidianas. A capacitação se mostra um investimento direto na

autonomia das pessoas surdas

e na qualidade do

atendimento público

na cidade.

Voz para quem não ouve: como o curso já muda vidas em Jundiaí

O impacto do curso já é sentido na prática por quem está aprendendo.

Sandra Cristina Zago Magrini

, servidora do Ambulatório Médico de Infectologia (AMI), da Secretaria Municipal de Promoção da Saúde, viveu essa experiência de perto.

“Sinto-me privilegiada por fazer esse curso e já ter utilizado a linguagem de sinais na prática no meu trabalho. Foi gratificante me comunicar com uma pessoa surda que precisava de ajuda”, revelou Sandra.

Ela expressou o desejo de continuar a formação até o nível avançado. Próxima da aposentadoria, Sandra planeja seguir na área como

intérprete de Libras

, demonstrando o potencial transformador do aprendizado.

A professora do curso é a guarda municipal

Regiane Arenhardt Diniz

, que destaca a importância do acolhimento igualitário. Segundo Regiane, a capacitação é um pilar para a inclusão plena.

“Por que a comunidade surda não pode ter atendimento em qualquer lugar? É para isso que serve a capacitação, para dar acolhimento igualitário à população surda em qualquer espaço, público ou privado”, afirmou a professora.

Ela complementa que

formar pessoas

que enxergam na Libras mais do que uma tradução é um verdadeiro

ato de cidadania

.

Impacto na região

A ampliação do conhecimento em

Libras em Jundiaí

tem um impacto direto e profundo nos moradores da cidade e região. Com mais servidores capacitados, o acesso a serviços essenciais como saúde, educação e segurança se torna significativamente facilitado para a comunidade surda.

Uma simples consulta médica, a busca por informações em órgãos públicos ou mesmo o registro de uma ocorrência ganham uma nova dimensão de acolhimento e eficiência. Isso reduz a frustração e a marginalização, promovendo a

dignidade e o direito à comunicação

plena de todos os cidadãos.

É um investimento que transcende o aprendizado de um novo idioma, construindo pontes e garantindo que ninguém seja deixado para trás pela falta de uma

comunicação acessível

.

O caminho para a proficiência: estrutura do curso e metas da EGP

O módulo intermediário do curso abrange temas como

gramática, verbos e construção de frases

, elementos cruciais para a fluidez na

comunicação em Libras

. A formação completa totaliza

32 horas/aula

.

A formatura das servidoras está agendada para

18 de novembro de 2026

, um marco que celebrará a dedicação e o compromisso com a causa da acessibilidade em Jundiaí. Este é um passo adiante na construção de uma

administração pública mais sensível

e eficaz.

Vladimir Codinhoto

, presidente da EGP, sublinha que cada servidor que busca novos conhecimentos contribui diretamente para a

qualidade do atendimento

à população. A Libras é vista como uma

ferramenta essencial de inclusão

, respeito e acolhimento.

“Esse aprendizado gera impacto direto nas vidas do servidor e das pessoas assistidas”, ressaltou Codinhoto. A visão é que a capacitação transcende o ambiente profissional, alcançando um significado pessoal profundo.

Tecnologia e Cidadania: o aplicativo GM em Libras

A paixão pela

acessibilidade

de Regiane Arenhardt não se limitou às salas de aula. Sua atuação na área resultou em uma ferramenta inovadora: o aplicativo

GM em Libras

, desenvolvido em parceria com os guardas municipais

Edval

e

Elielton

.

Este aplicativo foi concebido para simplificar o acesso da

população surda

aos

serviços de segurança pública

. A tecnologia funciona de maneira simples e eficiente: através de um

QR Code

.

Ao escanear o código, o usuário recebe, via WhatsApp, vídeos com informações em

Língua Brasileira de Sinais

. Essa facilidade permite que uma pessoa surda consiga, por exemplo, pedir ajuda em uma emergência ou

denunciar crimes

, sem barreiras de comunicação.

O projeto contou com o

apoio da Companhia de Informática de Jundiaí (CIJUN)

e envolveu outros dez integrantes da

Guarda Municipal

em seu desenvolvimento, mostrando uma verdadeira colaboração institucional.

O esforço inovador não passou despercebido. O trio responsável pelo aplicativo recebeu a

medalha Monteiro Lobato

, concedida pela Academia Brasileira de Letras das Guardas Municipais, um reconhecimento que celebra a

criatividade a serviço da inclusão

.

A luta por uma sociedade acessível: o cenário da inclusão

A iniciativa do

curso de Libras em Jundiaí

e o desenvolvimento do aplicativo

GM em Libras

não são fatos isolados, mas se inserem em um contexto muito mais amplo de busca por

acessibilidade e inclusão

no Brasil.

Desde a oficialização da

Língua Brasileira de Sinais

pela Lei nº 10.436/2002, o país tem avançado na garantia dos direitos da

comunidade surda

, embora desafios persistam. A legislação impulsionou a demanda por intérpretes e pela capacitação em Libras em diversos setores.

A evolução desse cenário mostra que a

responsabilidade pela inclusão

transcende o indivíduo, tornando-se uma pauta fundamental para o poder público e a sociedade civil. As cidades que investem em ferramentas e capacitações como as vistas em Jundiaí demonstram um entendimento progressivo dessa necessidade.

A importância desse assunto agora é inegável, à medida que a conscientização sobre as diversas formas de comunicação cresce. Garantir que todos os cidadãos possam interagir plenamente com os serviços públicos é um pilar da

democracia e da justiça social

, construindo comunidades mais resilientes e empáticas.

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