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Jundiaí inova na merenda com ora-pro-nóbis e folhas de batata-doce

O que crianças de Jundiaí estão comendo na escola pode te surpreender. Longe dos pratos convencionais, ingredientes como ora-pro-nóbis, azedinha, vinagreira e até folhas de batata-doce passaram a fazer parte da alimentação servida na rede municipal.

A iniciativa não é apenas uma curiosidade culinária; ela reflete um movimento em direção à diversidade alimentar, introduzindo novos sabores e nutrientes aos estudantes da cidade paulista.

O Cardápio Secreto que Chegou à Merenda Escolar

A inclusão dessas Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANCs) e outras folhagens vai além do tradicional alface e tomate. As refeições escolares agora exploram um universo vegetal mais amplo, desafiando paladares e enriquecendo a nutrição.

Essa mudança visa apresentar às crianças opções que muitas vezes são desconhecidas até mesmo em casa, expandindo seu repertório gastronômico desde cedo.

Um dos aspectos mais fascinantes é o aproveitamento integral de certas plantas. As folhas de batata-doce, por exemplo, geralmente descartadas, encontram seu lugar nos pratos dos alunos, agregando valor nutricional inesperado.

A nutricionista Nívea Cristina Maeda Takemoto, da Diretoria de Alimentação e Nutrição da Secretaria Municipal de Educação, ressalta a importância dessa abordagem.

Ela enfatiza a relevância de oferecer alimentos frescos e variados, destacando as PANCs como “verdadeiros tesouros nutricionais que ampliam o repertório das crianças”.

Impacto na região

Para os moradores de Jundiaí e cidades vizinhas, essa política alimentar tem um alcance significativo. A produção local, com ingredientes frescos e orgânicos, beneficia não só os estudantes, mas também fomenta a economia regional.

O modelo de sourcing da merenda escolar demonstra um compromisso com a sustentabilidade e a valorização do pequeno produtor local, criando uma cadeia de consumo mais consciente.

A proximidade entre o cultivo e o consumo garante que os alimentos cheguem à mesa com o máximo de frescor, impactando diretamente a qualidade nutricional das refeições.

De Jundiaí para o Prato: a Horta que Abastece Milhares de Crianças

Parte crucial dessa transformação vem da Horta Vale Verde, um projeto que cultiva hortaliças, ervas aromáticas e PANCs dentro do próprio município de Jundiaí.

Em 2025, a produção destinada à rede municipal ultrapassou a impressionante marca de 120 mil maços e pés de alimentos, cobrindo 26 variedades distintas.

Entre esses números, quase 15 mil maços foram de PANCs e ervas aromáticas, confirmando o compromisso com a diversidade alimentar proposta.

Além das inovações, a horta também garante o fornecimento de itens mais tradicionais, como 30 mil pés de alface e 19 mil maços de cheiro-verde, complementando as refeições.

O cultivo é totalmente orgânico, o que significa que os alimentos são produzidos sem o uso de agrotóxicos ou adubos químicos. Essa prática assegura que as hortaliças e folhagens cheguem às unidades escolares em seu estado mais puro e saudável.

Muito Além do Sabor: Como as Hortas Educam os Pequenos

A experiência com os alimentos em Jundiaí não se restringe ao momento das refeições; ela se estende para o ambiente educacional. Nas escolas municipais, o contato com o plantio e o crescimento das hortaliças é parte integrante das atividades.

Todas as unidades de ensino possuem hortas, totalizando mais de 87 espaços ativos, onde as crianças podem acompanhar o desenvolvimento das plantas.

Desde o plantio das sementes até a colheita, os alunos aprendem sobre a origem dos alimentos que chegam à mesa, estabelecendo uma conexão valiosa com o ciclo da natureza.

Essa vivência também fomenta a autonomia. Ellen Lucas Rozante, diretora do Departamento de Educação Infantil, explica que “nas nossas escolas, as crianças se servem sozinhas: olham, escolhem, experimentam”.

Acompanhar o crescimento dos vegetais estimula o interesse em experimentar aquilo que eles mesmos ajudaram a cultivar, reduzindo a seletividade alimentar.

As hortas se tornam verdadeiros laboratórios ao ar livre, integrando o cultivo a conteúdos de ciência, matemática e linguagem, transformando o aprendizado em uma experiência prática e multisensorial.

A Revolução Silenciosa na Alimentação Escolar Brasileira

A abordagem de Jundiaí, com a inclusão de PANCs e o foco na produção orgânica local, não é um caso isolado, mas um reflexo de uma tendência nacional mais ampla na alimentação escolar.

Os cardápios da rede municipal são elaborados por nutricionistas e seguem as diretrizes rigorosas do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), que prioriza alimentos in natura e minimamente processados.

Essa evolução é fruto de um movimento que começou há décadas, visando tirar a merenda do patamar de “reforço calórico” para uma ferramenta de educação nutricional e desenvolvimento sustentável.

A valorização dos alimentos da agricultura familiar e a diversificação dos ingredientes são pilares essenciais para garantir que as novas gerações tenham acesso a uma alimentação mais rica e balanceada.

Para a Primeiríssima Infância, as atividades de educação alimentar em Jundiaí incluem o incentivo constante ao consumo de frutas e a experimentação de novos sabores, sempre respeitando as necessidades nutricionais específicas de cada faixa etária.

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