Poucas cidades brasileiras alcançam o status de referência nacional em áreas tão específicas quanto a saúde no ambiente de trabalho. Jundiaí, no interior de São Paulo, agora se destaca nesse cenário, com sua expertise reconhecida em um convite que cruzou as fronteiras estaduais.
Recentemente, o Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (CEREST) da cidade foi acionado pelo órgão estadual equivalente da Bahia. O objetivo era claro: partilhar o modelo de vigilância e fiscalização que Jundiaí aprimorou ao longo dos anos.
Jundiaí: De Vanguarda na Proteção Laboral
A experiência local em monitorar e intervir em condições que ameaçam o bem-estar dos profissionais chamou a atenção. Isso inclui a forma como o município atua na Vigilância em Saúde do Trabalhador (VISAT), especialmente nas fiscalizações.
O destaque de Jundiaí não é por acaso. O município construiu um arcabouço sólido, empregando instrumentos legais eficazes para suas ações. A emissão de Autos de Infração e a condução de processos administrativos são etapas bem estabelecidas.


Flávia Pagliarde Cerezer, coordenadora da Divisão de Vigilância em Saúde do Trabalhador do CEREST Jundiaí, sublinha a relevância dessa troca. “É uma oportunidade de compartilhar o que construímos e, ao mesmo tempo, aprender”, afirma.
Ela ressalta a necessidade de uma vigilância cada vez mais preparada. A capacidade de identificar riscos, orientar empresas e atuar diante de situações prejudiciais à saúde laboral é fundamental para o setor.
A Base Legal da Vigilância
As ações de fiscalização sanitária em Jundiaí hoje se apoiam, principalmente, na Lei Estadual nº 10.083/1998. Este é o Código Sanitário do Estado de São Paulo, que estabelece os parâmetros e instrumentos para as autoridades sanitárias.
Essa legislação serve como um guia essencial. Ela permite que os profissionais do CEREST e da Diretoria de Vigilância em Saúde (DVS) tenham respaldo legal para suas intervenções diárias, garantindo a proteção dos trabalhadores.
Mecanismos de Fiscalização: O Modelo de Jundiaí em Detalhes
No dia a dia, esse trabalho se traduz em um olhar atento para a realidade dos trabalhadores. Ambientes com condições inadequadas, exposição a riscos diversos ou outras situações que comprometam a saúde são alvos da vigilância.
Durante as inspeções, os profissionais têm autonomia. Eles podem orientar os responsáveis, emitir notificações e, se necessário, autuar as empresas. Isso inicia um processo administrativo para garantir que as irregularidades sejam corrigidas.
Impacto na região
Para os moradores de Jundiaí e cidades vizinhas, a robustez da VISAT local representa uma garantia de segurança. Significa que os ambientes de trabalho na região são monitorados por um sistema que é reconhecido e replicado em outros estados.
A expertise desenvolvida aqui tem reflexos diretos na proteção contra acidentes e doenças ocupacionais. Cada fiscalização bem-sucedida em uma empresa, seja de pequeno ou grande porte, contribui para um cenário laboral mais seguro em toda a região.
Isso não apenas protege a saúde dos trabalhadores diretamente, mas também fortalece a cultura de prevenção nas empresas. Gera um ciclo virtuoso onde a fiscalização eficiente impulsiona melhorias contínuas nas condições de trabalho.
A construção de um código sanitário próprio, em andamento, promete ser um avanço adicional. Ele permitirá adaptar e modernizar as normas, tornando-as ainda mais alinhadas às particularidades do município.
Essa autonomia legislativa é vital. Oferece mecanismos mais ágeis e específicos para a proteção da população, com foco especial na saúde de quem está na linha de frente da produção e dos serviços.
O Futuro da Saúde Ocupacional: Desafios e Novas Leis
A atividade recente na Bahia, com a participação de Jundiaí, acontece em um momento de transição para ambos os territórios. Enquanto a Bahia implementa um novo Código Sanitário, Jundiaí está elaborando o seu próprio.
Esse movimento reflete uma tendência mais ampla no Brasil: a busca por legislações mais atualizadas e adaptadas às complexas demandas do século XXI. A saúde do trabalhador, outrora um tema secundário, ganha destaque.
O que se observa agora é uma evolução. Há um crescente reconhecimento de que a saúde ocupacional é um pilar fundamental para o desenvolvimento social e econômico. Cidades como Jundiaí lideram esse processo.
Este assunto importa agora porque a dinâmica do mercado de trabalho muda rapidamente. Novas tecnologias, formas de contratação e modelos de produção exigem uma vigilância que seja ágil e capaz de se reinventar.
A colaboração entre diferentes esferas governamentais, como a vista entre Jundiaí e a Bahia, demonstra o compromisso em fortalecer essa área. É um passo crucial para garantir que cada trabalhador brasileiro tenha o direito a um ambiente seguro.



