O som de passos cadenciados, aplausos vibrantes e o brilho nos olhos de quem pisava no palco do Teatro Polytheama marcaram o encerramento de um evento que transcende gerações. Com mais de 1,7 mil participantes, a 28ª edição do Enredança de Jundiaí reuniu artistas de 6 a 82 anos, transformando a cidade no epicentro da dança brasileira.
Foram duas semanas intensas de pura arte, culminando em uma noite de gala no último domingo (31). O festival não apenas celebrou a dança, mas também consolidou-se como um verdadeiro intercâmbio cultural e um palco para a união de diferentes talentos.
Jundiaí em Movimento: Recordes e Intercâmbios Marcantes
Jundiaí abriu suas portas para bailarinos de 51 cidades e oito estados brasileiros, registrando números que entraram para a história do evento. Um total de 1.715 participantes subiu aos palcos, representando 100 escolas e grupos de dança.
Ao todo, 665 coreografias foram apresentadas, mostrando a diversidade e a riqueza do cenário artístico nacional. A secretária de Cultura, Clarina Fasanaro, destacou o papel fundamental do festival.
“O Enredança propicia um rico intercâmbio entre os grupos de dança da cidade e de outros municípios”, relembrou Fasanaro, enfatizando a valorização e as oportunidades geradas para bailarinos, professores e coreógrafos.
Jundiaí se consolida, assim, como um dos maiores e mais importantes festivais de dança do estado. O diretor de Cultura, William Ramos, sublinhou a capacidade do evento de ir além das fronteiras.
Ramos comentou sobre os novos recordes alcançados e a importância da parceria com a iniciativa privada. O Maxi Shopping e o Paineiras Shopping patrocinaram esta edição, acolhendo também a mostra paralela do festival.
Essa colaboração entre o poder público e o setor privado é crucial para difundir a cultura da dança. A parceria permite alcançar novos públicos, ampliando o acesso e o impacto do evento na comunidade.
Impacto na região
O Enredança vai muito além dos palcos do Polytheama. A vinda de mais de 1.700 participantes e centenas de grupos movimenta a economia local, desde a rede hoteleira até restaurantes e comércios.
A cultura da dança ganha novo fôlego, inspirando jovens e oferecendo oportunidades de aprendizado e desenvolvimento artístico. Moradores de Jundiaí e cidades vizinhas como Itupeva, de onde veio o aposentado Erineu Aparecido, veem suas famílias diretamente envolvidas.
As escolas e academias de dança da região se beneficiam do intercâmbio com grupos de outros estados. Isso eleva o nível técnico e artístico dos bailarinos e professores locais, impulsionando a cena cultural.
Emoção no Palco: Histórias de Conquistas e Sonhos Realizados
A noite de gala, que coroou as 85 coreografias vencedoras, foi um turbilhão de emoções. Para a bailarina Stella Freire, de Francisco Morato, a conquista do primeiro lugar foi um momento único.
Participante desde 2022, Stella revelou a intensa emoção de dançar no Enredança. Ela e seu grupo, da Academia de Dança de Francisco Morato, apresentaram a coreografia “Os Fantasmas se Divertem”, celebrando sua primeira vitória.
A professora Andréa Fragoso, que trouxe um trecho do espetáculo “Cleópatra”, destacou a experiência transformadora. Foi a primeira vez que seu grupo participou do festival em Jundiaí.
“Foi maravilhoso participar”, celebrou Andréa, realçando a oportunidade de se apresentar em um palco diferente e de assistir a espetáculos incríveis, além do contato com outros grupos.
A troca entre artistas, segundo a professora, é um dos pontos mais ricos do festival. Ela recomendou a experiência a todos os profissionais e amadores da dança que buscam um crescimento.
O Encontro de Gerações na Plateia
Nos bastidores e na plateia, a emoção era palpável. Erineu Aparecido, que veio de Itupeva para assistir à neta dançar, expressou um orgulho difícil de conter. “É muito gostoso ver ela dançando. A gente fica emocionado, quase chora”, disse o avô.
Euzini Ferreira, avó da bailarina, compartilhou o sentimento. “É muita alegria, muita satisfação”, descreveu, ressaltando que aquele momento representava um sonho realizado, tanto para a neta quanto para ela.
Essas reações da plateia mostram o quanto a dança move e conecta pessoas. O Enredança se consolida não apenas como um evento artístico, mas como um catalisador de momentos inesquecíveis para famílias inteiras.
Um Legado que se Dança: A Trajetória do Enredança
A longevidade do Enredança, que caminha para sua 29ª edição em maio de 2027, revela um cenário cultural robusto e uma aposta contínua na arte da dança. O festival não surgiu do nada, mas sim de uma visão de valorizar a expressão corporal e o talento local.
Ao longo de quase três décadas, o evento evoluiu de uma iniciativa local para um festival com reconhecimento nacional. Sua história é marcada pela capacidade de se adaptar, crescer e sempre atrair novos talentos e públicos, ampliando seu alcance ano após ano.
A presença de bailarinos de 6 a 82 anos não é um mero dado estatístico; ela simboliza a perenidade da dança como manifestação humana. Isso demonstra que a arte não tem idade, conectando distintas fases da vida em um mesmo palco.
Para Jundiaí, sediar um festival dessa envergadura significa solidificar sua posição como um polo cultural relevante. O Enredança oferece uma plataforma vital para o desenvolvimento de novos artistas e para a manutenção de um vibrante ecossistema cultural.
A cada edição, o Enredança reitera a importância de investir em cultura e arte. Ele não apenas entretém, mas educa, inspira e cria um senso de comunidade que transcende as barreiras geográficas, deixando um legado duradouro para as futuras gerações de bailarinos e amantes da dança.