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Jundiaí corta perdas de água na rede e fixa meta ambiciosa para 2030

Uma diminuição de mais de três pontos percentuais nas perdas de água em sua rede de distribuição foi registrada em Jundiaí entre 2024 e 2025. Esse avanço posiciona a cidade como um exemplo de gestão hídrica, contrastando com cenários menos animadores em outras regiões do país.

Os dados revelam que o índice caiu de 26,4% para 23,1%, uma performance notável frente às médias estadual e nacional, que em 2024 alcançaram 32,15% e 39,53%, respectivamente. Esse resultado sublinha um esforço contínuo da DAE Jundiaí.

A apresentação desses números ocorreu durante a Feira Nacional de Saneamento e Meio Ambiente (Fenasan), em São Paulo. Lá, a experiência de Jundiaí foi detalhada como um modelo replicável para outros municípios.

As informações completas constam no Relatório de Sustentabilidade da DAE. O documento, elaborado com base na metodologia do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (SINISA), oferece uma visão transparente da situação local.

O Segredo por Trás da Redução: Tecnologia e Estratégia

A DAE Jundiaí implementa uma série de medidas que visam combater o desperdício hídrico. Entre elas, destaca-se a pesquisa acústica, uma técnica avançada que permite identificar vazamentos ocultos na tubulação.

Essa metodologia inovadora capta os sons emitidos pela água em fuga, possibilitando reparos precisos antes que o problema se agrave. É uma ferramenta fundamental para evitar perdas significativas.

Outra frente de atuação envolve o monitoramento constante da pressão nas redes de distribuição. A otimização desse fator evita sobrecargas que podem causar novas rupturas e vazamentos.

A empresa também investe no aprimoramento da aferição dos hidrômetros, os aparelhos que medem o consumo nos imóveis. Medições mais precisas garantem a exatidão dos dados e a identificação de anomalias.

Uma iniciativa promissora é o projeto-piloto de inteligência artificial. Essa tecnologia está sendo desenvolvida para auxiliar na identificação de anomalias no sistema de abastecimento, refinando o monitoramento da rede.

O trabalho recebe ainda o respaldo do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). A entidade foi contratada para validar as métricas do balanço hídrico, assegurando a precisão dos indicadores desde 2014.

Essa validação externa é crucial para a credibilidade dos resultados. Ela orienta o planejamento das ações de controle de perdas, tornando-as mais eficazes e direcionadas.

Impacto na região

A diminuição das perdas de água em Jundiaí reflete diretamente na qualidade de vida dos moradores. Um sistema de abastecimento mais eficiente significa menos interrupções no fornecimento, especialmente em períodos de seca ou maior demanda.

A gestão otimizada dos recursos hídricos também contribui para a sustentabilidade ambiental da região. Ao preservar a água, a DAE garante que as futuras gerações em Jundiaí e cidades vizinhas tenham acesso a esse recurso vital.

Para o cidadão, a consequência prática é a segurança hídrica. A redução do desperdício fortalece a capacidade da cidade de lidar com desafios climáticos e urbanos, assegurando um serviço essencial de forma mais estável e confiável.

O Caminho para 2030: Metas e Perspectivas

A DAE Jundiaí já mira a próxima etapa, estabelecendo uma meta ambiciosa: reduzir as perdas na distribuição para 20% até 2030. Esse objetivo exige uma estratégia multifacetada e investimentos contínuos.

A estratégia inclui aportes significativos em infraestrutura, com a modernização da rede. Melhorias nos processos de medição e a incorporação de novas tecnologias também estão no radar.

Durante a Fenasan, Daniel Bocalão, diretor-presidente da DAE Jundiaí, participou de um painel. Ele abordou a redução de perdas, eficiência operacional e a disponibilidade de recursos hídricos, compartilhando a experiência da cidade.

Segundo Bocalão, os resultados obtidos são fruto de um acompanhamento rigoroso do sistema de abastecimento. Ele ressaltou a importância do aprimoramento constante das operações para alcançar tais feitos.

“A redução das perdas é resultado de um trabalho contínuo, que envolve conhecimento técnico, planejamento e investimento em tecnologia. Estamos avançando porque buscamos entender cada vez melhor o nosso sistema e aprimorar a forma como operamos. Nosso objetivo é seguir evoluindo, com mais eficiência e responsabilidade no uso da água”, destacou Bocalão.

Além da apresentação dos indicadores, a feira foi uma oportunidade para profissionais da DAE interagirem com o mercado. O evento reuniu empresas, especialistas e instituições, exibindo equipamentos e soluções inovadoras em saneamento.

O desafio da água no cenário atual

A discussão sobre a eficiência no uso da água transcende as fronteiras municipais, ecoando em um cenário global de crescente preocupação hídrica. Cidades ao redor do mundo enfrentam pressões como o crescimento populacional, a urbanização acelerada e as mudanças climáticas.

Historicamente, a gestão da água foi focada na captação e distribuição, com a questão das perdas relegada a um segundo plano. Hoje, o panorama é diferente: a eficiência tornou-se tão crucial quanto a própria disponibilidade.

O que antes era considerado um “custo operacional” aceitável, hoje é visto como um desperdício inaceitável de um recurso finito e cada vez mais valioso. A tecnologia, então, surge como uma aliada indispensável para reverter esse quadro.

Por que essa questão importa tanto agora? A imprevisibilidade dos regimes de chuva e os longos períodos de estiagem evidenciam a vulnerabilidade dos sistemas de abastecimento. Cada gota economizada na rede representa uma garantia maior para o futuro.

Iniciativas como as de Jundiaí não são apenas sobre números; são sobre a resiliência das cidades e a sustentabilidade de uma sociedade que depende vitalmente da água. Elas mostram que é possível otimizar e proteger esse bem essencial.

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