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Jundiaí atrai data centers com US$ 4 bi e projeto de 420 MW

Com um investimento estimado em até US$ 4 bilhões, um megaprojeto da Scala Data Centers promete transformar o panorama digital de Jundiaí. A cidade, que atualmente sedia duas instalações da Ascenty com 28 MW de energia total, vê agora a projeção de um campus com capacidade colossal de 420 MW.

Não se trata de um movimento isolado. A poucos quilômetros dali, Cabreúva foi escolhida para o projeto SP06 da ODATA, enquanto Vinhedo e Sumaré também expandem seus próprios complexos, alguns já pensados para a inteligência artificial. Essa concentração levanta uma questão central: o que faz deste trecho do interior paulista um ímã para os gigantes da infraestrutura digital?

Jundiaí no epicentro: o que atrai os gigantes da tecnologia

A resposta, complexa, reside na rara confluência de múltiplos fatores essenciais. Jundiaí oferece uma combinação difícil de replicar rapidamente em outro território: vasta disponibilidade de energia, robustas redes de fibra óptica e grandes extensões de terra.

A localização é outro trunfo. A proximidade estratégica com os centros de São Paulo e Campinas se une a uma economia já familiarizada com operações industriais, logísticas e tecnológicas de grande porte, criando um ambiente propício para empreendimentos que demandam infraestrutura robusta.

Essa percepção é corroborada pelo próprio mercado. A JLL, em seu levantamento sobre o setor, considera o mercado de Campinas como uma faixa que abrange Jundiaí, destacando um mercado logístico consolidado e a presença de grandes empresas, centros tecnológicos e mão de obra especializada.

Em relatório de agosto de 2026, a JLL apontou São Paulo como o principal hub de data centers do Brasil, concentrando 38% da capacidade nacional. Para a região de Campinas, que inclui Jundiaí, a projeção é de um crescimento de 60,9% até 2028, sublinhando a importância deste eixo.

Impacto na região

Para os moradores de Jundiaí e cidades vizinhas, a chegada e expansão desses complexos de data centers representam uma transformação econômica palpável. O investimento bilionário se traduz, inicialmente, em milhares de empregos durante a fase de construção, impulsionando o setor de engenharia civil e a mão de obra local.

No longo prazo, a operação desses centros gera centenas de postos de trabalho especializados, em áreas como engenharia elétrica, telecomunicações, segurança, refrigeração e tecnologia da informação. Isso estimula a qualificação profissional e pode atrair novos talentos para a região.

Além disso, a presença de uma infraestrutura digital de ponta pode fomentar um ecossistema de empresas de tecnologia e serviços, gerando um efeito multiplicador na economia local. É um movimento que conecta a cidade diretamente à vanguarda da economia global de dados e tecnologia.

A força invisível: o poder que impulsiona a economia digital

Um dos pilares dessa atratividade, embora pouco visível para quem percorre as rodovias Anhanguera ou Bandeirantes, é a infraestrutura elétrica consolidada da região. Esse ativo estratégico é vital para data centers que consomem quantidades imensas de energia, funcionando 24 horas por dia, sete dias por semana.

A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) já chamava atenção para esse cenário em 2023. Documentos da estatal indicavam que a demanda elétrica crescente nas regiões de Campinas e Jundiaí era fortemente influenciada pela expansão das empresas de data center.

Previsões anteriores de sobrecarga na Subestação Campinas, projetadas para 2029, foram revisadas para 2026 diante da aceleração dos projetos. Essa mudança reflete o impacto direto da economia digital no planejamento energético do estado.

A infraestrutura, desenvolvida por décadas para atender um dos polos industriais mais importantes de São Paulo, agora adquire um novo valor, fundamental para a manutenção e crescimento dos serviços digitais que sustentam a vida moderna.

Bom Jardim: o coração elétrico dos novos data centers

Dentro desse contexto, a Subestação Bom Jardim, localizada em Jundiaí, assume um papel central nos estudos da EPE. A estatal analisou especificamente seu atendimento elétrico, juntamente com Campinas e Itatiba, frente à conexão de novos projetos de grande porte.

É crucial notar que Bom Jardim, nestes estudos, refere-se à subestação de Jundiaí e não a uma localidade vizinha. Ela é identificada como um ponto relevante no planejamento de expansão da rede, incluindo a linha de 440 kV que a conecta a Cabreúva, mostrando sua relevância estratégica.

Um exemplo concreto da importância dessa infraestrutura veio em março de 2025. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) autorizou o DCT Synergy Campus Jundiaí I a acessar a Rede Básica através de uma linha de transmissão em 440 kV e aproximadamente 200 metros, ligando sua subestação diretamente à de Bom Jardim.

Isso posiciona uma peça vital da infraestrutura elétrica para este novo ciclo tecnológico dentro dos limites do próprio município de Jundiaí, garantindo a robustez necessária para as operações de centros de dados de altíssimo consumo.

O salto de escala: de megawatt a gigawatt em poucos anos

A primeira leva de data centers em Jundiaí, como as duas unidades da Ascenty, somava 28 MW de capacidade em operação. No entanto, o projeto anunciado pela Scala Data Centers, com seus 420 MW planejados, revela uma mudança abrupta e significativa na escala dos projetos, sinalizando uma demanda que a inteligência artificial ajuda a explicar.

Em Cabreúva, a cidade vizinha, o projeto ODATA SP06, com suas três unidades, demandará a construção de uma nova Subestação ODATA SP06, conectada à Subestação Cabreúva por uma infraestrutura em 230 kV. Um empreendimento desse porte não busca apenas um terreno, mas uma região capaz de desenvolver infraestrutura elétrica dedicada ao seu redor.

Essa expansão não se restringe a Jundiaí e Cabreúva. Vinhedo e Sumaré, mais próximos a Campinas, também registram investimentos maciços. A Ascenty, por exemplo, anunciou US$ 1,2 bilhão em novos data centers com 150 MW já pré-locados, muitos deles projetados para cargas de inteligência artificial.

O Sumaré 3, com 90 MW iniciais e previsão de mais 90 MW em futura expansão, e os novos projetos em Vinhedo, com capacidades elevadas e foco em inteligência artificial, demonstram a formação de um verdadeiro “corredor digital de alta capacidade”, conforme descrito pela própria Ascenty.

A inteligência artificial tem sido um catalisador fundamental para esse aumento exponencial de capacidade. Grandes estruturas voltadas à IA concentram equipamentos de alto desempenho, demandam mais energia e exigem soluções avançadas de refrigeração, elevando o patamar de exigência para a infraestrutura.

O novo mapa econômico: A evolução da infraestrutura digital no Brasil

A onda de investimentos em data centers que inunda o eixo Jundiaí-Campinas não é um fenômeno isolado, mas sim um reflexo de uma transformação digital mais ampla que vem redefinindo o papel do Brasil na América Latina. Historicamente, o país sempre buscou a modernização de sua infraestrutura para suportar o crescimento econômico e industrial.

A evolução, neste setor, começou com data centers menores, focados em necessidades empresariais básicas. Com o tempo, a demanda por serviços de nuvem e, mais recentemente, pelo poder computacional da inteligência artificial, impulsionou a necessidade de estruturas hiperscale, capazes de gerenciar volumes exponenciais de dados.

Este momento é crucial porque o avanço da IA não só exige mais capacidade, mas também transforma o perfil dos data centers, que passam a precisar de sistemas de refrigeração e fontes de energia ainda mais robustos. Essa mudança de paradigma impulsiona a busca por regiões como Jundiaí, que oferecem as condições ideais para tais operações.

Por que isso importa agora? Estamos no auge da digitalização de praticamente todos os setores da economia. Desde o varejo online até a pesquisa científica, tudo depende da capacidade de processar e armazenar dados de forma eficiente e segura. O Brasil, como um mercado consumidor gigante e uma potência regional, precisa dessa infraestrutura para sustentar seu desenvolvimento e competitividade global.

O desafio agora é capitalizar essa atração de capital e tecnologia, transformando a infraestrutura digital em desenvolvimento sustentável, com geração de empregos qualificados e um ecossistema tecnológico vibrante que beneficie toda a comunidade, tal qual ocorreu com a expansão logística da região.

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