

Dez dias a mais podem parecer pouco, mas, para um pai acompanhando os primeiros momentos de vida do filho, representam um universo de possibilidades. Em Jundiaí, essa realidade se tornou concreta para os servidores municipais, que agora contam com 30 dias de licença-paternidade.
A medida, em vigor desde novembro de 2025, permite um apoio ampliado às famílias, dividindo os cuidados e as tarefas da nova rotina com o recém-nascido. Mais do que um benefício, a iniciativa da prefeitura local estimula uma paternidade mais presente e participativa desde os primeiros dias.
Um dos beneficiados por essa mudança é o servidor municipal Stwart Leonardo Pereira da Silva, de 27 anos. Sua família se prepara para a chegada de Murilo, o segundo filho, em dezembro, e a ampliação da licença veio em boa hora.
Quando João Pedro, seu primogênito de 2 anos e 4 meses, nasceu, Stwart teve à disposição 20 dias de afastamento. Agora, a experiência será diferente e mais inclusiva, marcando um avanço nas políticas de apoio familiar.
Os dez dias adicionais são vistos como uma oportunidade de ouro para fortalecer os laços e compartilhar as responsabilidades. É um período crucial de adaptação, onde cada minuto faz a diferença para o desenvolvimento infantil e o bem-estar da mãe.
“Eu sempre tive uma visão de compartilhamento de tarefas e responsabilidades. Esse período é importante porque tudo passa: os momentos difíceis e também os bons. Então, é preciso estar presente e aproveitar cada fase, e a licença-paternidade estendida com certeza ajuda muito nessa tarefa”, relata Stwart.
Jundiaí no pioneirismo: O que muda para os pais na cidade
A perspectiva de uma paternidade ativa e engajada vai além da licença estendida em Jundiaí. A cidade também investe no programa “Papai Tá Aqui”, uma iniciativa digital desenvolvida pela Urban95 em parceria com a Prefeitura.
Este serviço, que será implementado pela Secretaria Municipal de Promoção da Saúde após uma experiência-piloto da Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social, visa oferecer apoio e orientação contínuos aos pais da região.
Através do “Papai Tá Aqui”, pais cadastrados na rede de serviços do município recebem informações e materiais exclusivos via WhatsApp. O objetivo é claro: estimular o envolvimento masculino nos cuidados com o bebê e na dinâmica familiar, fomentando a coparentalidade.
Impacto na região
A extensão da licença-paternidade para servidores e a criação do programa “Papai Tá Aqui” não se limitam aos muros da prefeitura. Elas refletem e impulsionam uma transformação cultural em Jundiaí e cidades vizinhas, estabelecendo um novo padrão de acolhimento familiar.
Ao valorizar a participação do pai desde os primeiros dias, a prefeitura demonstra uma visão progressista, incentivando empresas privadas a reverem suas próprias políticas. Essa é uma clara demonstração de como o poder público pode ser um catalisador de mudanças sociais positivas.
Para os moradores da região, essa postura da cidade fortalece a ideia de uma comunidade que investe no futuro de suas crianças, promovendo ambientes familiares mais equilibrados e felizes, com benefícios que se estendem por toda a primeira infância.
“Papai Tá Aqui”: Fortalecendo vínculos e cuidando da saúde masculina
O foco do “Papai Tá Aqui” é ampliar o envolvimento dos homens desde a gestação, um período frequentemente focado apenas na figura materna. O programa oferece conteúdos e orientações para que o pai participe ativamente de cada etapa da vida do bebê.
Gerusa Moura, apoiadora da Primeira Infância do município, destaca a importância desse engajamento precoce. A construção de vínculos entre pais e filhos beneficia não apenas o desenvolvimento infantil, mas também a saúde emocional masculina.
“A proposta parte da compreensão de que a construção de vínculos entre pais e filhos beneficia não apenas o desenvolvimento infantil, mas também pode contribuir para que os próprios homens estabeleçam relações mais próximas com o cuidado, a saúde, as emoções e os vínculos afetivos”, salienta Gerusa.
O programa, assim, busca desmistificar a ideia de que o cuidado é exclusivamente feminino, abrindo espaço para que os pais se conectem de forma mais profunda e expressiva com seus filhos e parceiras.
Cuidado integral: Além das mensagens de celular
Ir além do papel tradicional é um dos pilares do “Papai Tá Aqui”. A iniciativa aborda também a saúde e o bem-estar masculino, desvendando tabus e oferecendo suporte integral.
Dados levantados pelo programa apontam para desafios como a dificuldade na expressão de sentimentos e na busca por apoio por parte dos homens. Indicadores de consumo abusivo de álcool, suicídio, encarceramento e menor expectativa de vida masculina são trazidos à tona, sublinhando a urgência de um cuidado mais completo e abrangente.
Para isso, o projeto não se limita ao envio de mensagens via celular. Estão previstas ações de sensibilização e rodas de conversa. Esses encontros criarão um ambiente seguro para o compartilhamento de experiências e aprendizados.
Nesses espaços, temas como a divisão das responsabilidades familiares e a construção de vínculos desde a gestação serão debatidos, promovendo uma reflexão coletiva sobre o papel do pai contemporâneo e seus desafios.
A Revolução Silenciosa da Paternidade: Um Olhar Ampliado
A decisão de Jundiaí de estender a licença-paternidade e lançar o “Papai Tá Aqui” não é um fato isolado, mas sim parte de um movimento global em ascensão. Por décadas, a licença-maternidade foi o principal foco das políticas de apoio à família, com a participação paterna muitas vezes relegada a um segundo plano.
No entanto, a compreensão sobre o desenvolvimento infantil e a importância do ambiente familiar tem evoluído de forma significativa. Pesquisas recentes e estudos psicossociais demonstram os benefícios duradouros da presença paterna nos primeiros anos de vida da criança, impactando desde o desempenho escolar até a saúde mental.
A Organização Internacional do Trabalho (OIT) e outras entidades têm impulsionado debates e propostas para políticas mais equitativas, reconhecendo que o compartilhamento de responsabilidades não apenas beneficia as crianças e as mães, mas também empodera os próprios pais, conectando-os mais profundamente com o cuidado e a afetividade.
Portanto, o que Jundiaí implementa agora é uma resposta moderna e progressista a essa crescente demanda por uma paternidade mais integrada e consciente. O modelo de família tradicional está em constante transformação, e políticas públicas adaptadas a essa realidade são cruciais para o desenvolvimento social e a qualidade de vida nas cidades brasileiras.



