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JPMorgan adota cautela no setor agro e rebaixa São Martinho

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A instituição financeira ajusta recomendações para empresas do agronegócio, destacando riscos e incertezas no mercado.

JPMorgan adota cautela no setor agro e rebaixa São Martinho
JPMorgan revisa recomendações para o setor agro. Foto: James Baltz

O JPMorgan rebaixa a recomendação de São Martinho e adota postura neutra para SLC Agrícola, indicando riscos no mercado.

JPMorgan adota postura cautelosa no agronegócio

O JPMorgan, uma das principais instituições financeiras globais, decidiu adotar uma postura mais cautelosa em relação ao setor agro, rebaixando a recomendação da São Martinho (SMTO3) de ‘overweight’ para ‘neutra’. Esta decisão foi tomada após uma análise detalhada das condições de mercado e dos riscos crescentes enfrentados pelas empresas do setor. Por volta das 11h56 (horário de Brasília) desta segunda-feira (1), as ações da São Martinho caíam 3,94%, enquanto os papéis da SLC Agrícola (SLCE3) subiam 0,12%.

Análise de mercado e perspectivas futuras

Para a próxima safra de 2026, os analistas do JPMorgan não identificam catalisadores claros que possam impulsionar a alta dos preços. A avaliação atual indica que todos os mercados estão lidando com uma oferta excessiva, e não existem eventos climáticos iminentes que possam restringir a oferta global. Nesse contexto, o banco expressa uma preocupação crescente em relação aos setores de açúcar e etanol, especialmente considerando a expectativa de uma forte entrada de nova oferta de etanol de milho, o que pode pressionar os preços a níveis historicamente baixos em relação à gasolina.

Implicações para as empresas

O relatório do JPMorgan destaca que todas as empresas sob sua cobertura estão imersas em significativos planos de investimentos (capex), o que torna 2026 um ano de queima de Caixa e aumenta a alavancagem, elevando o risco dos balanços. O banco prefere a SLC à São Martinho em razão da maior estabilidade nas perspectivas de preços da soja em comparação com o açúcar. Contudo, não vê oportunidades atraentes de investimento em nenhuma das duas companhias até que sinais de recuperação das commodities se tornem mais evidentes.

Expectativas de preços e desempenho

As projeções do JPMorgan incluem um preço líquido de US$ 8,8/bushel para a soja, R$ 47/saca para o milho e US$ 0,70/lb para o algodão, todos abaixo das estimativas anteriores. Apesar disso, a SLC se destaca devido à sua diversificação de culturas, que inclui uma significativa proporção de algodão e milho, conferindo resiliência e sustentando o crescimento a longo prazo.

Cenário geral e recomendações

Os investidores parecem estar aguardando sinais mais claros de recuperação do ciclo, o que poderia permitir que os múltiplos atuais se tornassem mais atraentes. O JPMorgan observa que a SLC está sendo negociada a 17% de FCF yield (Rendimento do Fluxo de Caixa Livre) esperado para 2026, ou 5,8 vezes EV/EBITDA, um nível considerado próximo do justo. A recomendação neutra foi mantida, com o preço-alvo reduzido de R$ 22 para R$ 19.

Desafios para São Martinho

No caso da São Martinho, o JPMorgan identifica um ambiente cada vez mais adverso, influenciado pela rápida expansão da capacidade de etanol de milho no Brasil e pela fraqueza persistente no mercado de açúcar. Apesar da diversificação das receitas e da eficiência operacional, as ações continuam fortemente correlacionadas ao desempenho do açúcar e do etanol, que devem seguir sob pressão devido ao aumento da oferta.

Considerações sobre a Adecoagro

O banco classifica o caso da Adecoagro como mais complexo, com fatores microeconômicos dominando a narrativa macro. Embora a empresa tenha vantagens competitivas na Argentina e no Brasil, o interesse dos investidores permanece baixo, devido à liquidez reduzida de suas ações e à falta de tração das commodities. A recente troca de controlador também adicionou incertezas, complicando ainda mais a situação, especialmente com novos projetos em setores como mineração de bitcoin e produção de fertilizantes na Argentina.

Conclusão

Diante do cenário desafiador, o JPMorgan manteve a recomendação de venda para a Adecoagro, ajustando o preço-alvo para US$ 7, abaixo do anterior de US$ 12. O banco enfatiza a dificuldade de sustentar uma tese de investimento sólida em um ambiente de juros elevados e commodities enfraquecidas.

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