Caso Epstein: Investigações Revelam Conexões Internacionais, Incluindo o Brasil
As investigações sobre o escândalo de tráfico sexual envolvendo o bilionário Jeffrey Epstein, apesar de centralizadas nos Estados Unidos, apontam para diversas conexões internacionais do esquema, incluindo o Brasil. As apurações do Departamento de Justiça americano revelam esses desdobramentos.
Ligação com o Brasil: Jean-Luc Brunel
A principal ligação entre o caso Epstein e o Brasil é o francês Jean-Luc Brunel, ex-agente de modelos e considerado “braço direito” de Epstein. Brunel, que enfrentava acusações de estupro, agressão e assédio sexual, visitou o Brasil em abril de 2019 com o objetivo de recrutar modelos para trabalhar nos Estados Unidos.
Brunel era o fundador da agência de modelos MC2, sediada em Miami e financiada por Epstein. Na época, a MEGA Model Brasília publicou uma foto agradecendo a visita do empresário para um casting de modelos para Nova York.
A MEGA Model informou que Brunel fez uma visita breve e não agendada à antiga sede da agência em Brasília, com duração de aproximadamente 15 minutos. A empresa afirmou desconhecer o histórico de Brunel e garantiu que nenhuma modelo foi recrutada ou abordada durante a visita.
Em 2019, o jornal The Guardian publicou denúncias acusando Brunel de levar adolescentes de outros países, sob o pretexto de trabalho como modelos, para os Estados Unidos com fins de exploração sexual. Outras três mulheres relataram ao jornal terem sido sexualmente agredidas por Brunel nos anos 1980 e 1990.
Jean-Luc Brunel foi encontrado morto em uma cela em Paris, França, em 2022. Ele estava detido desde dezembro de 2020, acusado de estupro de menores.
Documentos do FBI e o “Grande Grupo Brasileiro”
No final do ano passado, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos divulgou documentos que mencionavam uma possível ligação do caso com o Brasil. Entre os arquivos, consta um depoimento do FBI que reúne informações relacionadas ao caso Epstein.
Segundo a BBC News Brasil, o documento contém anotações manuscritas que citam um “grande grupo brasileiro”, sem especificar quem seriam os integrantes ou qual sua participação no esquema. Grande parte das informações está tarjada, dificultando a compreensão completa do conteúdo.
Divulgação de Documentos pelo Departamento de Justiça dos EUA
Em 30 de janeiro, o Departamento de Justiça dos EUA liberou para acesso público um total de três milhões de páginas de arquivos, 180 mil imagens e 2 mil vídeos relacionados ao caso Epstein.
Esta é a maior quantidade de informações divulgadas pelo governo americano sobre o caso. Uma lei do Congresso dos EUA determinava a publicidade de todos os documentos até 19 de dezembro, mas a medida foi cumprida apenas agora.
A análise dos documentos está em andamento, e novas informações podem surgir conforme o conteúdo for examinado.
Contexto
A divulgação de novas informações sobre o caso Epstein, incluindo possíveis ligações com o Brasil, reacende o debate público sobre o tráfico sexual e suas redes de influência, demandando atenção das autoridades e da sociedade civil para o combate a esses crimes.