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Irã executa homem sem direito a defesa após breve despedida familiar

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Irã: Jovem de 26 anos pode ser executado por participação em protestos

Erfan Soltani, um jovem iraniano de 26 anos, pode ser executado nesta quarta-feira (14) pelo regime do Irã, conforme informações de entidades de direitos humanos. Ele foi preso no dia 8 de maio em sua casa, na cidade de Kurtis, sob a acusação de participar de protestos antigovernamentais que ocorrem no país desde o final do ano passado.

Acusação de “Inimizade contra Deus”

Soltani foi sentenciado por “Moharebeh”, termo que significa “inimizade contra Deus”, uma acusação grave na legislação iraniana que pode levar à pena de morte. O Irã é uma república islâmica liderada pelo aiatolá Ali Khamenei, que detém o poder máximo no país.

Julgamento Sumário e Falta de Transparência

Segundo a ONG Hengaw Organization for Human Rights, o julgamento de Soltani ocorreu de forma acelerada, sem a garantia de direitos básicos, como a presença de um advogado. A família do jovem ficou dias sem informações sobre seu paradeiro e só foi contatada pelas autoridades no fim de semana para ser informada sobre a execução.

Família Impedida de Acessar Documentos

A família de Erfan Soltani teve uma breve reunião de despedida com ele, de aproximadamente 10 minutos. A irmã de Soltani, que é advogada, tentou impedir a execução por meios legais, mas não teve acesso aos autos do processo. Os familiares teriam sido ameaçados caso se manifestassem publicamente sobre o caso.

O site de notícias IranWire reporta que Erfan Soltani trabalhava na indústria do vestuário e era um entusiasta de esportes, musculação e moda. De acordo com a mesma fonte, Soltani havia recebido mensagens ameaçadoras de agentes de segurança antes de sua prisão e alertado sua família sobre estar sendo vigiado, mas continuou a participar dos protestos.

Estratégia de Intimidação

A organização Iran Human Rights (IHRNGO) ressalta que o governo iraniano já utilizou o anúncio de sentenças de morte como forma de coibir manifestações e pressionar familiares de presos políticos. A IHRNGO cita o caso de Abbas Deris, um manifestante de 2019, cuja família foi informada de que ele havia sido condenado por assassinato, a fim de forçá-lo a pedir perdão à família da vítima e confessar o crime.

Ondas de Protestos no Irã

O Irã enfrenta uma onda de protestos desde 28 de dezembro, motivada pelas difíceis condições econômicas do país. As manifestações se iniciaram em Teerã e se espalharam por outras cidades. A IHRNGO estima que pelo menos 648 pessoas foram mortas durante os protestos, enquanto outras fontes apontam para mais de 2 mil óbitos. A mídia estatal iraniana informa que 121 membros das forças militares, policiais e judiciais morreram nos protestos recentes, excluindo dados de Teerã.

Em resposta, o líder supremo Ali Khamenei declarou que a República Islâmica não recuará. As autoridades iranianas também bloquearam a internet no país, restringindo o acesso à rede para a maioria da população. A empresa NetBlocks informou que 99% da rede está inacessível no território iraniano.

Contexto

A possível execução de Erfan Soltani destaca a repressão do governo iraniano contra manifestantes e levanta preocupações sobre a situação dos direitos humanos no país, impactando a comunidade internacional e fomentando debates sobre a liberdade de expressão e o direito de protesto.

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