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Folha Jundiaiense

Irã empata na estreia em meio à tensão geopolítica com Nova Zelândia

O Irã estreou na Copa do Mundo em solo americano com um empate de 2 a 2 contra a Nova Zelândia, nesta segunda-feira (15), em Los Angeles. A partida pelo Grupo G foi mais um capítulo das complexas relações geopolíticas entre Teerã e os Estados Unidos, que ofuscaram o resultado em campo.

O resultado deixa iranianos e neozelandeses empatados na liderança da chave, com um ponto cada. Bélgica e Egito, que também empataram em 1 a 1 mais cedo, completam o Grupo G.

Todas as seleções buscam uma inédita classificação para a segunda fase do Mundial.

O próximo confronto do Irã será contra a Bélgica, domingo (20), em Los Angeles. A Nova Zelândia segue para Vancouver, Canadá, para enfrentar o Egito no mesmo dia.

Tensões Marcam Abertura do Irã nos Estados Unidos

A presença do Irã em território americano, sede dos três jogos da equipe na fase de grupos, gerou atrito. Há quase três décadas, desde o embate com os Estados Unidos na Copa da França, um jogo da seleção iraniana não atraía tanta atenção pelo contexto político. Não por acaso, a Federação Iraniana de Futebol pediu a transferência dos duelos para o México, outro país-sede da Copa, mas não obteve sucesso.

Jogadores e comissão técnica iranianos enfrentaram um labirinto burocrático para obter os vistos de entrada nos Estados Unidos. O processo, incomum para atletas em um evento internacional, ilustra a dificuldade das relações entre os dois países, marcadas por décadas de sanções e desconfiança.

Em março, o então presidente americano, Donald Trump, declarou o Irã “bem-vindo” à Copa, mas questionou a “apropriada” participação do país. A ambiguidade refletiu o tom das negociações nos bastidores, recheadas de concessões e restrições.

A equipe ficou concentrada em Tijuana, México, e só pôde entrar em solo americano um dia antes das partidas, mediante autorização do Departamento de Segurança Interna. A logística apertada exigia que a delegação deixasse o país já nesta terça-feira (16), limitando qualquer interação ou permanência prolongada.

A crise política pode ter alcançado até mesmo a lista de convocados. O atacante Sardar Azmoun, terceiro maior artilheiro da seleção, ficou de fora do Mundial. A versão oficial apontou descumprimento de prazos para o visto.

Contudo, em março, Azmoun foi fotografado ao lado do primeiro-ministro dos Emirados Árabes Unidos e dirigente do clube Shabab Al-Ahli, país aliado dos Estados Unidos. Sua exclusão levanta questões sobre se a decisão teve, de fato, apenas motivos burocráticos ou pressões políticas subjacentes.

Sua ausência representa uma perda técnica para a equipe e reforça a percepção de que as disputas geopolíticas se infiltram nos domínios do esporte de alto nível.

Horas antes de a bola rolar, membros da comunidade persa de Los Angeles se reuniram em frente ao estádio para protestar contra o governo iraniano. A manifestação dividiu a torcida: enquanto alguns expressavam apoio à equipe, outros defendiam a retirada do Irã da Copa do Mundo, acusando os atletas de conivência com o regime vigente.

Os manifestantes exibiam a antiga bandeira iraniana, com o leão e o sol, símbolo pré-Revolução Islâmica de 1979. A Fifa costuma proibir exibições políticas em estádios, mas muitos torcedores conseguiram entrar com o estandarte, sublinhando a tensão política no evento.

Duelo Animado em Campo Ofusca Bastidores

Dentro das quatro linhas, o primeiro tempo em Los Angeles entregou um jogo aberto e movimentado. Ambas as equipes buscaram o gol, somando 16 chutes nos 45 minutos iniciais.

A Nova Zelândia abriu o placar aos seis minutos. Elijah Just tabelou com Sarpreet Singh, a bola sobrou para Chris Wood, que devolveu para Just finalizar, sem chance para o goleiro Alireza Beiranvand.

Mesmo em vantagem, a seleção da Oceania manteve o ritmo ofensivo, o que abriu espaços para o Irã. Aos 22 minutos, Medhi Taremi avançou individualmente e chutou da entrada da área, acertando a trave esquerda. Era um aviso do que viria.

O empate veio aos 32. O lateral Ramin Rezaeian tabelou com Saman Ghoddos, a jogada seguiu com Shahriyar Moghanlou que foi travado, mas Rezaeian pegou a sobra e mandou para as redes. Festa iraniana.

Quase a virada nos acréscimos. Em cobrança de falta de Rezaeian, o zagueiro Ali Nemati cabeceou no canto, mas o gol foi anulado por impedimento claro.

A segunda etapa manteve o ritmo. Novamente, a Nova Zelândia marcou. Aos nove minutos, Just puxou contra-ataque pelo meio, tabelou com Wood e recolocou a equipe da Oceania na frente.

A vantagem, porém, durou pouco. Aos 18, Rezaeian cruzou preciso da direita para a cabeça do meia Mohammad Mohebi, que escorou sem chances para o goleiro Max Crocombe, empatando novamente.

Com as substituições, a intensidade do jogo diminuiu sensivelmente. Ambas as equipes, apesar de não abandonarem o ataque, perderam qualidade na construção das jogadas. O empate persistiu até o final, frustrando a busca por uma vitória em um cenário tão carregado.

Contexto

A intersecção entre esporte e geopolítica se intensificou nos últimos anos, tornando eventos como a Copa do Mundo palcos para manifestações de tensões diplomáticas. A presença do Irã nos Estados Unidos para o Mundial, em meio a décadas de relações hostis e sanções mútuas, serve como um microcosmo das dificuldades enfrentadas por atletas e organizações esportivas ao navegar por cenários políticos complexos. Casos de restrições de visto, protestos de comunidades expatriadas e a exclusão de jogadores por motivos velados sublinham como o esporte, apesar de sua pretensão de universalidade, permanece vulnerável às dinâmicas internacionais, impactando diretamente a experiência de atletas e torcedores.

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