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Investidores buscam novas oportunidades na América Latina com influência de Trump

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A próxima eleição na região pode moldar o cenário político e econômico, atraindo a atenção dos gestores de fundos

Investidores buscam novas oportunidades na América Latina com influência de Trump
Imagem ilustrativa sobre investimentos na América Latina. Foto: Victor Moriyama/Bloomberg

Gestores de fundos veem na América Latina uma chance de lucros com as próximas eleições e a influência de Trump.

Gestores de fundos de mercados emergentes estão de olho na América Latina, onde uma onda de eleições iminentes pode redesenhar o mapa político da região e potencialmente alinhar vários países de forma mais estreita a Donald Trump. A atenção renovada surge após a enorme valorização da Argentina, decorrente da vitória do presidente Javier Milei, que contou com um apoio sem precedentes dos EUA. Para muitos, essa situação torna o país um estudo de caso sobre como mudanças políticas de direita podem desencadear ganhos em ativos de países em desenvolvimento.

Mudanças políticas e expectativas de mercado

“Estamos diante de uma potencial mudança de tendência para a direita na América Latina”, afirmou Pramol Dhawan, chefe de gestão de portfólio de mercados emergentes da Pacific Investment Management Co. Ele acredita que, se houver uma oscilação para a direita, os ativos despencarão, especialmente em relação aos retornos obtidos nos mercados locais brasileiros ou colombianos. Com eleições presidenciais programadas para os próximos 12 meses no Chile, Colômbia e Brasil, os investidores esperam por uma abordagem mais favorável ao mercado nos três países.

O impacto do alinhamento político com os EUA

Além da Argentina, países como El Salvador e Equador estão no foco dos investidores, que consideram esses locais mais alinhados aos interesses dos EUA. Desde a eleição de Trump, os títulos em dólar desses países renderam ganhos de pelo menos 24%, superando um retorno de 13% para um índice de referência da dívida soberana de países em desenvolvimento. Esse desempenho destaca a busca de alguns fundos por resultados específicos das eleições como um fator determinante para os movimentos do mercado.

O caso do fundo Zaftra

O fundo Zaftra, um hedge brasileiro especializado em apostas relacionadas a eleições, registrou seu melhor mês da história em outubro, com um ganho de 9,2% após taxas, impulsionado pela vitória de Milei. O fundo também se posicionou de forma otimista em relação ao peso chileno antes do primeiro turno das eleições, onde um candidato de direita ganhou destaque.

A influência da administração Trump

Segundo Petar Atanasov, co-chefe de pesquisa de títulos soberanos da Gramercy Funds Management, a administração Trump vê o hemisfério ocidental como seu quintal. Isso implica que os EUA não apenas têm o direito, mas a obrigação de intervir, especialmente para combater a influência da China em países com forte presença de mineração, como o Chile. A empresa acredita que qualquer melhora nas relações com Trump seria muito positiva para o país.

Cenário eleitoral no Chile e Colômbia

O primeiro turno das eleições no Chile, realizado no último fim de semana, viu o ultraconservador José Antonio Kast emergir como favorito para o segundo turno, programado para 14 de dezembro. Essa situação provocou uma valorização do peso chileno, embora o clima global em relação aos ativos de risco tenha deteriorado. As pesquisas na Colômbia e no Brasil indicam uma crescente frustração com os presidentes de esquerda, Gustavo Petro e Luiz Inácio Lula da Silva, aumentando as chances de resultados mais favoráveis para os investidores no próximo ano.

Expectativas de mudança e recuperação econômica

Graham Stock, estrategista sênior de títulos soberanos de mercados emergentes da RBC Bluebay, ressalta que a expectativa de mudança decorre da frustração do eleitorado com os governos atuais. Os ativos de mercados emergentes têm mostrado ganhos generalizados, à medida que os investidores se afastam dos mercados americanos em meio à volatilidade política. Reestruturações de dívida e progressos em acordos com o FMI também têm sustentado os ativos da região. Mesmo assim, a proximidade com Trump nem sempre resulta em benefícios diretos, como evidenciado pelo caso da Índia.

O impacto na Venezuela e outros países

Na América Latina, a recalibração política em torno da mudança na política dos EUA também chegou a créditos problemáticos, como os títulos da Venezuela, que dobraram de preço. A percepção de uma possível destituição do líder socialista Nicolás Maduro aumentou, levando a um clima de expectativa entre os investidores. A possibilidade de mudança de regime na Venezuela, que antes parecia remota, agora é vista com uma probabilidade de 50%.

A influência de Donald Trump continua a moldar o cenário de investimentos na América Latina, enquanto os gestores de fundos observam atentamente as próximas eleições, que podem definir o futuro econômico da região.

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