Fluxo de capital migra para ativos considerados menos arriscados na Europa

Cenário de incerteza nos EUA leva investidores a buscar ativos mais estáveis na Europa.
Investidores redirecionam seu foco para o mercado europeu
O mercado europeu se destaca como um novo destino para investidores globais em meio ao aperto regulatório e incertezas crescentes nos Estados Unidos. A migração para ativos mais estáveis é impulsionada pela escalada das preocupações com a instabilidade nos EUA, levando gestores a buscar opções consideradas menos arriscadas, como os créditos estruturados europeus.
Atração pelos CLOs europeus
Os CLOs (Collateralized Loan Obligations) europeus emergem como uma solução atrativa, reunindo centenas de empréstimos corporativos e redistribuindo-os em diferentes níveis de risco e retorno. Essa estrutura permite aos investidores acessar crédito com maior proteção, um fator que se torna crucial em tempos de volatilidade. Marc Forster, head Brasil da Franklin Templeton, destaca que a comparação entre a instabilidade americana e a natureza mais regulada do mercado europeu tem incentivado essa migração.
Menor exposição ao setor tecnológico
Uma das características que tornam os CLOs europeus mais atrativos é a sua menor exposição ao setor de tecnologia. Enquanto os CLOs americanos apresentam entre 15% e 20% de exposição a esse setor, os europeus ficam em torno de 10%. Essa diferença contribui para uma diluição dos riscos e uma redução na correlação com ciclos de crescimento mais agressivos, oferecendo uma camada de segurança adicional aos investidores.
Reavaliação do apetite por risco
Além da busca por segurança, o investidor também está reavaliando seu apetite por risco. Setores tradicionalmente vistos como ‘chatos’, como commodities e energia, estão se tornando cada vez mais atraentes. A ideia de que uma pitada de ‘chatice’ pode ser benéfica para um portfólio tem ganhado força, especialmente em um ambiente de incerteza econômica. Forster menciona empresas como Petrobras e Vale como exemplos de como constância e geração de caixa se tornam valiosas em tempos de volatilidade.
O histórico de inadimplência na Europa
Historicamente, a inadimplência nos CLOs europeus é menor, e quando ela ocorre, as recuperações tendem a ser mais robustas. Forster aponta que, entre 1996 e 2024, não houve nenhum default em tranches AAA de CLOs, tanto na Europa quanto nos EUA. Além disso, apenas um caso de default foi registrado em tranches AA, em um universo de mais de 14 mil estruturas analisadas.
Foco na relação risco-retorno
Atualmente, o foco dos investidores está nas tranches BB e B dos CLOs, que oferecem a melhor relação risco-retorno. Forster enfatiza que as perdas são consideravelmente menores quando ocorrem, e as recuperações são muito mais significativas. Essa característica tem atraído a atenção de gestores que buscam maximizar seus retornos enquanto minimizam os riscos em um cenário global incerto.
Diante desse panorama, a Europa se consolida como um porto seguro para investidores em busca de estabilidade e previsibilidade em seus portfólios.