Ouro Alcança Destaque em 2025 com Queda de Juros e Incertezas Globais
O ano de 2025 foi marcado por um desempenho notável do ouro, impulsionado por uma combinação de fatores, incluindo o início de um ciclo global de redução de taxas de juros e um cenário de instabilidade geopolítica.
Impacto da Política Monetária e Incertezas Globais
A diminuição das taxas de juros, principalmente em termos reais (descontada a inflação), reduziu o custo implícito de manter ouro, que não oferece juros ou dividendos. Segundo Luis G. Ferreira, CIO da EFG Private Wealth Management para as Américas, essa dinâmica fortaleceu a posição do ouro como reserva de valor.
Adicionalmente, o aumento das tensões geopolíticas e comerciais gerou dúvidas sobre a solidez das instituições americanas, desviando fluxos que tradicionalmente buscariam o dólar em momentos de crise, com investidores buscando refúgio no ouro.
Bancos Centrais Aumentam Compra de Ouro
Em resposta ao cenário global, bancos centrais elevaram suas compras de ouro para diversificar reservas e diminuir a dependência do dólar. Em outubro de 2025, as compras líquidas atingiram 53 toneladas, elevando o total do ano para 254 toneladas até aquele mês, um aumento de 36% em relação ao mês anterior e o maior volume registrado no ano.
A demanda por joias, especialmente na Índia e na China, também contribuiu para sustentar os preços, embora o principal motor da alta tenha sido o movimento de aversão ao dólar.
Ruy Alves, sócio da Kinea Investimentos, destacou durante o evento Onde Investir 2026 do InfoMoney que, embora o dólar permaneça a principal moeda global, um enfraquecimento estrutural é possível.
Perspectivas para 2026: Continuação da Tendência, Mas com Volatilidade
Embora os fatores que impulsionaram o ouro em 2025 persistam, espera-se que 2026 seja marcado por um mercado menos linear, com períodos de correção e oscilações mais acentuadas, à medida que investidores realizam lucros.
O consenso de mercado compilado pela Bloomberg aponta para um preço de US$ 4.403 por onça ao final de 2026. Em um cenário de menor tensão geopolítica e maior estabilidade fiscal, especialmente nos EUA, o preço do ouro poderia recuar para perto de US$ 4.000 por onça.
A EFG projeta que o ouro pode buscar US$ 4.565 por onça no curto prazo, mas com um potencial de valorização mais limitado ao longo do ano.
Grandes bancos, como Goldman Sachs (projeção de US$ 4.900 por onça) e JPMorgan (previsão de aproximação de US$ 5.000 por onça), mantêm uma visão positiva para o metal, acreditando que a demanda de bancos centrais e a diversificação de portfólios ainda não se esgotaram.
Ouro como Instrumento de Diversificação
No Brasil, o ouro é utilizado principalmente como um instrumento de diversificação, oferecendo proteção em momentos de turbulência e atuando como contrapeso quando outros ativos defensivos perdem atratividade.
Artur Wichmann, CIO da XP, ressaltou no evento Onde Investir 2026 que o ouro deve ser visto como uma peça estratégica de portfólio, para reduzir a volatilidade e proteger o patrimônio, e não como uma aposta especulativa.
É importante notar que o desempenho do ouro no Brasil é influenciado tanto pelo preço do metal em dólar quanto pela variação cambial. Nos últimos dez anos, a correlação entre o ouro e o real tem sido negativa, auxiliando na mitigação dos altos e baixos da carteira, conforme explica Ferreira, da EFG.
Em 2026, a gestão do tamanho da posição e a disciplina no rebalanceamento serão cruciais, mantendo uma exposição alinhada com o perfil de risco, reconhecendo a maior volatilidade esperada e considerando que o resultado em reais depende tanto do preço do ouro em dólar quanto da própria cotação da moeda americana, completa o executivo.
Contexto
O desempenho do ouro em 2025 e as projeções para 2026 demonstram a importância do metal como ativo de proteção e diversificação em um cenário global marcado por incertezas econômicas e geopolíticas, influenciando decisões de investidores e bancos centrais.