O aumento do 13º salário deve beneficiar o varejo, mas o endividamento das famílias representa um desafio.

A injeção de R$ 39 bilhões na economia de SP e RJ traz oportunidades e desafios devido ao endividamento das famílias.
O impacto do 13º salário nas economias de São Paulo e Rio de Janeiro
A entrada do 13º salário deve reforçar o caixa do varejo tanto em são paulo quanto no Rio de Janeiro, injetando aproximadamente R$ 39 bilhões nas economias dessas duas regiões. Contudo, o alto nível de endividamento das famílias e o custo elevado do crédito podem limitar a efetividade desse estímulo. Segundo os sindicatos de lojistas, esse cenário exige uma análise cuidadosa do impacto real no varejo.
Expectativa de injeção econômica em São Paulo
Em são paulo, o Sindicato dos Lojistas do Comércio de São Paulo (Sindilojas-SP) estima que cerca de R$ 30,8 bilhões serão injetados na economia da capital com o pagamento das duas parcelas do 13º salário. Isso representa um crescimento de 6,3% em relação ao ano anterior. Este valor considera apenas os trabalhadores com carteira assinada, excluindo aposentados e pensionistas.
Aldo Nuñez Macri, presidente do Sindilojas-SP, afirma que o 13º salário desempenha um papel crucial na economia, pois ajuda as famílias a reequilibrar suas finanças e impulsiona o comércio em um período crítico do ano. “O 13º permite ao trabalhador organizar as contas, quitar dívidas e ainda impulsionar o comércio”, ressalta.
O desafio do endividamento em SP
Entretanto, a pressão do endividamento é uma preocupação crescente. A Fecomercio-SP revelou que 72,7% das famílias paulistanas estavam endividadas em setembro de 2025, o maior índice desde junho de 2023. Apesar disso, o varejo deve experimentar um impacto positivo, com um aumento de 20% no faturamento em dezembro de 2024, impulsionado principalmente por setores como vestuário e eletroeletrônicos.
Contudo, Macri adverte que o aumento nas vendas não necessariamente se traduz em maior lucratividade. O varejo enfrenta custos adicionais no final do ano, como a extensão dos horários de funcionamento e o pagamento do 13º salário aos colaboradores. Além disso, a combinação de juros altos e preços elevados continua a limitar o consumo.
Situação no Rio de Janeiro
No Rio de Janeiro, a expectativa é similar, embora a base econômica seja mais frágil. Um estudo realizado pelo Clube de Diretores Lojistas do Rio de Janeiro (CDLRio) e pelo Sindicato dos Lojistas do Comércio do Município do Rio de Janeiro (SindilojasRio) estima que a segunda parcela do 13º salário deve injetar mais de R$ 8,5 bilhões na economia carioca. Isso pode ajudar a mitigar as perdas acumuladas ao longo do ano, e as vendas de dezembro devem crescer cerca de 5%, especialmente devido ao Natal.
Aldo Gonçalves, presidente das duas entidades, afirma que a chegada do 13º salário pode aliviar um ano difícil para o varejo do Rio. No entanto, ele destaca que, apesar das promoções e condições especiais de pagamento, datas importantes como o Dia dos Pais não tiveram o desempenho esperado. Nos primeiros nove meses de 2025, as vendas no varejo fluminense caíram 2,1%, em contraste com um aumento de 1,5% no Brasil.
O peso do endividamento no Rio
Gonçalves também aponta que 88,7% das famílias do Estado estavam endividadas em outubro de 2025, resultado dos juros elevados. Essa situação é particularmente preocupante para os setores que dependem do crédito, como móveis, eletrodomésticos e eletrônicos.
Embora o cenário seja desafiador, a chegada do 13º salário oferece uma oportunidade para o comércio carioca. “O consumidor está com o décimo terceiro no bolso, e o varejo precisa oferecer produtos atrativos para capturar esse momento”, conclui Gonçalves.
Assim como em São Paulo, uma parte significativa do 13º salário no Rio será destinada ao pagamento de dívidas. Mesmo assim, há uma expectativa de melhora pontual nas vendas de fim de ano, embora com uma abordagem mais cautelosa por parte dos consumidores.