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Folha Jundiaiense

IGP-M de junho recua 0,5%; gasolina, etanol e café puxam a queda, diz FGV

O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) registrou deflação de 0,5% em junho, revertendo a alta de maio e surpreendendo o mercado financeiro. A queda, a primeira desde fevereiro, reflete principalmente o recuo nos preços de combustíveis, minerais e café, impactando diretamente o cálculo de aluguéis e tarifas públicas. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (29) pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV).

A taxa de junho coloca o acumulado em 12 meses em 3,16%. No primeiro semestre, o indicador fechou em 3,27%.

O resultado de 0,5% negativo ficou abaixo das projeções. Analistas, conforme o Relatório Focus do Banco Central, esperavam uma variação de 0,03% para o mês. A deflação, portanto, foi mais acentuada do que o previsto.

Commodities Pressionam Preços Para Baixo

A principal força por trás da deflação veio do setor de commodities, com preços retornando a patamares observados antes de março deste ano. O economista da FGV, Matheus Dias, destacou a convergência dos valores de produtos energéticos e minerais aos níveis pré-guerra no Oriente Médio, período que impactou fortemente as cotações globais.

A oferta agrícola também contribuiu para o cenário. Safras robustas garantem o abastecimento, derrubando os preços de produtos essenciais.

“Parte dessa redução nos preços ao produtor tem sido repassada aos preços ao consumidor, com destaque para as quedas em gasolina, etanol e café em pó”, declarou Dias.

Esse repasse é um alívio direto no bolso do brasileiro. A gasolina, por exemplo, componente fundamental no orçamento de milhões de famílias, apresentou retração de 1,29%.

O Impacto no Consumidor e no Setor de Aluguéis

A deflação do IGP-M tem implicações práticas imediatas. Conhecido como a “inflação do aluguel”, o índice serve de base para o reajuste anual de milhões de contratos de locação imobiliária. Um resultado negativo, ou mesmo mais baixo que o esperado, significa fôlego para inquilinos e proprietários na negociação dos reajustes.

A retração nos preços de itens como diesel e farelo de soja também afeta a cadeia produtiva. Isso pode baratear o frete e, consequentemente, o custo final de diversos produtos, da prateleira do supermercado à gôndola de um atacado.

Além dos aluguéis, o IGP-M baliza a correção de algumas tarifas públicas, como as de energia elétrica e telefonia. A desaceleração dos preços das commodities, somada à deflação geral, ajuda a conter a pressão sobre esses serviços essenciais.

Componentes do IGP-M: Entenda a Queda

O IGP-M é composto por três indicadores. O de maior peso, com 60%, é o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que mede a variação de preços de produtos no atacado. Em junho, o IPA registrou forte deflação de 0,97%.

Dentro do IPA, itens como minério de ferro (-2,61%), café em grão (-9,69%), óleo diesel (-6,18%), farelo de soja (-2,98%) e cana-de-açúcar (-1,88%) puxaram a média para baixo.

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que representa 30% do IGP-M, mostrou alta de 0,47% em junho, uma desaceleração frente aos 0,61% de maio. Essa moderação indica que, embora os preços ao consumidor ainda subam, o ritmo está mais lento. Aqui, gasolina (-1,29%), etanol (-5,61%) e café em pó (-2,57%) foram os principais a aliviar a pressão.

Já o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), com peso de 10% no índice geral, variou positivamente em 0,85%. Embora tenha havido uma leve deflação no “carreto para retirada de entulho” (-0,17%), o setor da construção civil mantém seus custos em alta.

O Cenário da Inflação em 2026

A trajetória do IGP-M em 2026 tem sido volátil:

  • Junho: -0,50%
  • Maio: 0,84%
  • Abril: 2,73% (influenciado pela guerra no Oriente Médio)
  • Março: 0,52%
  • Fevereiro: -0,73%
  • Janeiro: 0,41%

Apesar da deflação em junho, o mercado financeiro mantém a projeção de que o IGP-M encerre 2026 com um acumulado de 6,15%. Isso sinaliza uma expectativa de retomada da alta nos próximos meses, mesmo que em ritmo mais contido.

A coleta de preços para o índice de junho ocorreu entre 21 de maio e 20 de junho, abrangendo as cidades de Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador.

Contexto

O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) foi criado na década de 1940 para ser um indicador abrangente da movimentação de preços na economia brasileira. Ele difere de outros índices, como o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), por medir a inflação desde as etapas de produção até o consumidor final, incorporando preços no atacado (IPA) e na construção civil (INCC) com maior peso. Sua relevância decorre do uso como indexador em diversos contratos, especialmente de aluguel e concessões de serviços públicos, o que o torna um termômetro direto da variação de custos para empresas e famílias no longo prazo, refletindo pressões de custos de produção e do ambiente internacional.

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