Festa de Iemanjá é Oficializada no Calendário Cultural do Tocantins
O Governo do Tocantins oficializa a inclusão da tradicional Festa de Iemanjá no Calendário Cultural do estado. A decisão, um marco para as religiões de matriz africana, foi anunciada durante as celebrações realizadas em 28 de fevereiro de 2026, na cidade de Palmas. A Secretaria de Estado da Cultura (Secult) formalizou o reconhecimento, consolidando a festa como parte integrante do patrimônio cultural tocantinense.
A inclusão no calendário cultural representa um avanço significativo para a valorização das tradições afro-brasileiras no estado. A medida reconhece a importância da festa como expressão cultural e religiosa, além de abrir caminho para o apoio governamental na organização e promoção do evento nos próximos anos.
Celebração e Homenagens nas Águas do Rio Tocantins
A cerimônia de oficialização ocorre na Praia da Graciosa, em Palmas, local onde fiéis e representantes de comunidades de matriz africana se reúnem para a tradicional entrega de presentes a Iemanjá, a rainha do mar. Flores, perfumes e preces são levados em procissão até as águas do Rio Tocantins. Os presentes, cuidadosamente preparados, são depositados no rio em um ato de fé e devoção.
A Praia da Graciosa se torna um ponto de encontro de diversas manifestações culturais durante a celebração. Cânticos, danças e rituais se unem em uma atmosfera de respeito e celebração da cultura afro-brasileira.
Projeto Águas de Iemanjá: Fortalecimento da Cultura e Geração de Renda
A celebração também marca o encerramento do projeto Águas de Iemanjá, uma iniciativa que se estende por todo o mês de janeiro e fevereiro. A programação do projeto inclui rodas de conversa sobre a história e a importância da religião, atividades culturais que celebram a tradição e ações voltadas à geração de renda para as comunidades religiosas, promovendo o desenvolvimento econômico local.
O projeto visa fortalecer as comunidades de matriz africana e promover o diálogo intercultural. As atividades são abertas ao público em geral, fomentando a inclusão e o respeito à diversidade religiosa.
Rituais e Tradições na Festa de Iemanjá
O evento tem início ainda na madrugada no Ilê Odé Oyá, localizado no setor Jardim Aureny II, em Palmas. Ao meio-dia, os balaios contendo os presentes para Iemanjá seguem em carreata até a Praia da Graciosa. O cortejo é acompanhado por membros da comunidade religiosa, simpatizantes e curiosos que desejam participar da celebração. O ato público na praia reúne líderes religiosos, grupos culturais e representantes do poder público, demonstrando a importância do evento para a cidade.
Na areia da praia, integrantes de casas de Candomblé e Umbanda conduzem a cerimônia com cânticos, o som dos tambores e rodas de capoeira. A celebração envolve filhos de santo, capoeiristas e simpatizantes das religiões de matriz africana, criando uma atmosfera de união e celebração.
Análise Técnica e Reconhecimento da Manifestação Cultural
De acordo com informações da Secretaria de Cultura, a inclusão da festa no calendário cultural foi definida após uma rigorosa análise técnica realizada em 2025. O principal objetivo é reconhecer a celebração como uma importante manifestação cultural do estado e oferecer apoio para a realização do evento nos próximos anos.
A análise técnica considerou a relevância histórica, cultural e social da Festa de Iemanjá para o Tocantins. O reconhecimento oficial permite que o evento receba apoio financeiro e logístico do governo estadual, garantindo a sua continuidade e a sua qualidade.
Valorização da Herança Africana e Respeito à Diversidade Religiosa
O secretário estadual da Cultura, Adolfo Bezerra, enfatiza que a decisão de incluir a Festa de Iemanjá no calendário cultural busca valorizar a herança africana presente na formação cultural do estado. Ele também destaca a importância de reforçar o respeito à diversidade religiosa, promovendo a tolerância e o diálogo entre diferentes crenças.
A iniciativa do governo estadual demonstra um compromisso com a valorização da cultura afro-brasileira e com a promoção da igualdade religiosa. O reconhecimento da Festa de Iemanjá como patrimônio cultural do Tocantins representa um importante passo nesse sentido.
Garantia de Estrutura e Segurança para as Celebrações
O babalorixá William Vieira de Oliveira, responsável pela organização do evento, considera que o reconhecimento da Festa de Iemanjá representa um passo importante para garantir mais estrutura e segurança às celebrações. Ele também afirma que o gesto simboliza agradecimento ao rio e pedidos de saúde e prosperidade para a comunidade.
Com o apoio do governo estadual, a organização da Festa de Iemanjá poderá investir em infraestrutura, segurança e logística, garantindo um evento ainda mais grandioso e seguro para todos os participantes. A parceria entre o poder público e a comunidade religiosa é fundamental para o sucesso da celebração.
Arnaldo Lopes Lima, conhecido como Mestre Matoso, ressalta o caráter coletivo da festa, que reúne diferentes grupos ligados às religiões de matriz africana. Ele destaca que o evento fortalece a tradição no estado, promovendo a união e a valorização da cultura afro-brasileira.
O Que Está em Jogo
A inclusão da Festa de Iemanjá no calendário cultural do Tocantins não é apenas um reconhecimento simbólico. Ela representa um marco na luta pela valorização das culturas de matriz africana e pelo combate à intolerância religiosa. O que está em jogo é a garantia do direito à livre manifestação religiosa e o respeito à diversidade cultural, princípios fundamentais da democracia.
Contexto
A Festa de Iemanjá é uma celebração de origem africana que homenageia a orixá Iemanjá, considerada a rainha do mar e protetora dos pescadores. A festa é celebrada em diversas regiões do Brasil, com particular destaque na Bahia e no Rio de Janeiro, e representa um importante elemento da cultura afro-brasileira. A inclusão da festa no calendário cultural do Tocantins é um passo importante para a valorização e o reconhecimento da contribuição da cultura africana para a formação da identidade brasileira.