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Lula e Haddad defendem nova reforma do Judiciário com foco em critérios de escolha do STF e mandatos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o candidato do Partido dos Trabalhadores (PT) ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, confirmaram neste domingo (4) a intenção de propor uma nova reforma do Judiciário no Brasil. A medida, defendida por Lula, visa reavaliar os critérios de escolha dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), além de discutir a limitação de seus mandatos e a necessidade de maior representatividade feminina na Corte. Haddad ressaltou a convicção do presidente sobre a urgência da pauta, motivada pelos “acontecimentos recentes e o clima eleitoral” no país.

A proposta emerge como um dos pilares de uma eventual nova gestão, que também incluiria uma reforma política abrangente. O debate sobre a estrutura e o funcionamento do poder Judiciário ganha destaque no cenário nacional, sinalizando possíveis mudanças profundas na composição e na atuação do mais alto tribunal do país, impactando diretamente a segurança jurídica e o equilíbrio dos poderes.

Detalhes da Proposta: Critérios, Mandatos e Representatividade

Após votar em São Bernardo do Campo (SP), o presidente Lula detalhou suas intenções. Ele afirmou que, se reeleito, irá propor a reforma do Judiciário e a reforma política a partir do próximo ano. A iniciativa prevê a convocação de juristas renomados para construir um novo arcabouço para a seleção de ministros do STF. Atualmente, a indicação é feita pelo Presidente da República, seguida por aprovação no Senado Federal, com mandato vitalício até a aposentadoria compulsória.

Um dos pontos mais sensíveis da proposta é a defesa de revisão do tempo de mandato dos integrantes da Corte. Lula mencionou a possibilidade de estabelecer mandatos de 10 ou 12 anos para os ministros, rompendo com a atual vitaliciedade. Essa alteração, caso implementada, transformaria profundamente a dinâmica do tribunal, introduzindo uma periodicidade na renovação de seus membros. A medida é vista como um caminho para oxigenar o colegiado e potencialmente alinhá-lo mais frequentemente às expectativas sociais e aos desafios contemporâneos do país.

Outro aspecto central da reforma, segundo o presidente, é a necessidade de ampliar a presença de mulheres no tribunal. A representatividade feminina no Supremo Tribunal Federal tem sido objeto de debates públicos, com apelos por uma composição mais diversa que reflita a pluralidade da sociedade brasileira. Esta bandeira reforça um compromisso com a igualdade de gênero no âmbito das instituições de Estado.

Haddad Reforça a Posição do Presidente e o Legado da Primeira Reforma

Fernando Haddad, candidato do PT ao governo de São Paulo, corroborou a visão do presidente após votar na capital paulista. Haddad enfatizou que Lula está “convencido” da necessidade de reformar o Judiciário, considerando os eventos recentes e o acirramento do clima eleitoral. Essa avaliação sublinha a percepção de que o contexto político atual do Brasil exige uma redefinição ou aprimoramento das bases que regem o poder Judiciário, especialmente em um momento de polarização e de intensas disputas.

O petista fez questão de lembrar que a primeira reforma do Judiciário foi promovida pelo próprio Lula, referindo-se à Emenda Constitucional nº 45, de 2004. Aquela reforma trouxe inovações significativas, como a criação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e a repercussão geral nos recursos extraordinários, buscando maior controle administrativo e eficiência na Justiça. Haddad sugeriu que uma eventual segunda etapa deveria seguir a mesma “sabedoria” da anterior, implicando um processo de diálogo amplo e construção de consensos.

A fala de Haddad também destacou que o presidente é o primeiro a reconhecer que a reforma “não é uma reforma que dependa de uma pessoa”. Isso indica que a discussão exige a participação ativa de diversos atores, incluindo juristas, magistrados, membros do Ministério Público e a sociedade civil. A complexidade do tema e o seu impacto institucional demandam um processo deliberativo robusto e transparente para garantir a legitimidade das eventuais mudanças.

A Busca por Consenso e o Papel do Congresso

Ainda na última quarta-feira (30), Lula já havia adiantado a proposta de criar um conselho consultivo para participar da escolha dos ministros do Supremo Tribunal Federal. Naquela ocasião, o presidente reiterou que qualquer reforma judicial dependeria do aval do Congresso Nacional, além de uma participação mais ampla da sociedade. Isso evidencia a consciência sobre a tramitação legislativa necessária para alterações de tamanha envergadura constitucional, que exigem emendas à Constituição.

A criação de um conselho para a escolha de magistrados de alta corte não é um modelo inédito em outras democracias e poderia, na visão dos defensores, trazer mais transparência e despolitização ao processo. Ao envolver o Congresso e a sociedade, a proposta busca um respaldo democrático essencial para a legitimidade de um processo de mudança tão sensível. Uma reforma do Judiciário, sobretudo do STF, mexe profundamente com o sistema de freios e contrapesos do Estado brasileiro.

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