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Guerra EUA-Irã: quais setores e investimentos no Brasil serão impactados?

Guarda Municipal de Jundiaí

Ataque Aéreo no Irã Aumenta Tensão Global e Impacta o Mercado Brasileiro

Ações de EUA e Israel Elevam Risco de Conflito Regional e Aversão ao Risco Global

Os Estados Unidos e Israel realizaram, neste sábado (28), uma ofensiva aérea de grande escala contra o Irã, intensificando as tensões geopolíticas e gerando preocupações sobre um possível conflito regional ampliado. A escalada do conflito já provoca reações nos mercados globais, com investidores buscando ativos considerados mais seguros.

Brasil Possui “Amortecedores”, Mas Deve Sentir Impacto

Analistas apontam que o Brasil possui alguns mecanismos que podem atenuar o impacto do cenário externo, como a produção líquida de petróleo desde 2019, superávit comercial e reservas internacionais robustas. No entanto, a aversão ao risco global tende a contaminar o mercado local, com potencial para valorização do dólar e queda do Ibovespa.

Petrobras Deve Ser Uma das Mais Afetadas

A Petrobras (PETR3; PETR4), com peso significativo no Ibovespa (entre 12% e 14%), deve ser uma das empresas mais impactadas, em decorrência da esperada alta nos preços do petróleo.

Câmbio e Ibovespa: Expectativas e Possíveis Reações

Gabriel Uarian, analista CNPI da Cultura Capital, projeta uma abertura do dólar entre R$ 5,25 e R$ 5,40, ante os R$ 5,15 do fechamento anterior. Segundo ele, essa alta seria impulsionada pelo movimento de valorização da moeda americana no exterior e pela fuga de capitais de mercados emergentes. Uarian ressalta que, caso o dólar ultrapasse R$ 5,40, o Banco Central pode intervir no mercado de câmbio por meio de swaps ou venda de reservas, mas não deve conter a alta no primeiro dia.

Outras Empresas e Setores Vulneráveis

Além da Petrobras, Uarian prevê que PRIO (PRIO3), PetroReconcavo (RECV3) e Vibra (VBBR3) também devem ser afetadas pela queda do Ibovespa, estimada entre 1,5% e 3%. Os setores de bancos, varejo, construção civil e empresas importadoras de insumos (como papel e química) também podem sofrer impactos negativos. Por outro lado, ações de empresas de defesa e exportadoras de commodities agrícolas podem apresentar desempenho neutro ou levemente positivo.

Inflação e Balança Comercial: Efeitos em Cadeia no Brasil

O analista da Cultura Capital alerta para o potencial impacto da alta dos combustíveis na inflação, em um período de 15 a 30 dias, dependendo do patamar de negociação do petróleo (acima de US$ 85). Helcio Takeda, diretor de pesquisas da consultoria Pezco, complementa que a surpresa inflacionária do IPCA-15 de fevereiro, somada ao risco de aumento nos preços dos combustíveis, pode frear a tendência de queda nas expectativas de inflação para 2026 e 2027.

Superávit Comercial Pode Ser Impulsionado

Em contrapartida, Takeda observa que a alta do petróleo pode impulsionar a balança comercial brasileira, devido ao aumento da receita da Petrobras, o que pode contribuir para o superávit comercial e para a valorização do real no médio prazo. Estima-se que o lucro líquido da petroleira possa crescer entre 15% e 25% a cada US$ 10 de alta sustentada no preço do barril de Brent.

Contexto

O ataque aéreo no Irã por EUA e Israel representa uma escalada significativa nas tensões geopolíticas do Oriente Médio, com potencial para desestabilizar a região e impactar a economia global. A reação dos mercados financeiros brasileiros é um reflexo direto da aversão ao risco gerada pela incerteza em relação ao futuro do conflito e seus desdobramentos.

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