Ação do Departamento de Estado americano gera tensão nas relações Brasil-EUA

Governo Lula minimiza críticas dos EUA sobre a prisão de Bolsonaro e busca normalizar relações.
Governo brasileiro minimiza declaração dos EUA sobre prisão de Bolsonaro
O governo brasileiro tem minimizado a manifestação do Departamento de Estado americano sobre a prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O vice-secretário de Estado dos Estados Unidos, Christopher Landau, afirmou que a prisão preventiva do ex-presidente neste sábado (22) é “provocativa e desnecessária”. A declaração foi republicada pela Embaixada dos Estados Unidos em Brasília neste domingo (23).
Repercussões da prisão
Fontes diplomáticas brasileiras acreditam que a posição do Departamento de Estado não deve interferir nas negociações em curso com os EUA. Argumentam que a manifestação foi feita por um funcionário do Departamento de Estado, mas a decisão final cabe à Casa Branca. Após a redução de 40% na tarifa de importação de produtos brasileiros, o governo Lula continua buscando a suspensão das sanções aplicadas a autoridades brasileiras, incluindo a Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes.
Críticas ao Estado de Direito no Brasil
Landau expressou que os EUA estão “profundamente preocupados” com o que considera um “novo ataque ao Estado de Direito e à estabilidade política no Brasil” causado pelo ministro Moraes, relator da ação penal do plano de golpe no STF. Essa declaração rompeu um período de silêncio das autoridades americanas nas redes sociais sobre Bolsonaro desde o encontro entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump na Assembleia Geral da ONU, em setembro.
Negociações com os Estados Unidos
Apesar das críticas, interlocutores afirmam que nas conversas entre Lula e Trump, Bolsonaro não foi mencionado, indicando que o tema já foi superado nas tratativas. Diplomatas brasileiros defendem que o governo teve a oportunidade de esclarecer a situação jurídica do ex-presidente e reafirmam que ele teve direito a um julgamento justo. Além disso, argumentam que não há mais razões políticas para a manutenção da suspensão de vistos e a aplicação da Lei Magnitsky.
Sanções e tarifas
Desde a eclosão da crise em julho, o governo Trump havia retirado vistos de ministros do STF e do governo brasileiro, além de aplicar a Lei Magnitsky contra Moraes e sua esposa. As sanções foram justificadas com a alegação de que haveria uma perseguição a Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar desde agosto, após ser condenado a 27 anos e três meses por tentativa de golpe de Estado.
Expectativas futuras
Ao anunciar a sobretaxa de 40% em julho, Trump mencionou Bolsonaro em sua carta a Lula, referindo-se a um “caça às bruxas”. Com a recente retirada da tarifa, feita por Trump, a expectativa é de que as relações possam ser normalizadas, embora a situação continue tensa. O governo Lula segue pressionando pela retirada das sanções e pela suspensão total da sobretaxa, enquanto busca um diálogo construtivo com os EUA.