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Folha Jundiaiense

Gasolina acompanha queda internacional e preços caem no Brasil

A Petrobras, através de sua presidente, Magda Chambriard, sinalizou nesta quarta-feira, 1º de maio de 2026, que o preço da gasolina deve seguir a tendência de queda vista em outros combustíveis da estatal. A expectativa acompanha a redução do valor do petróleo no mercado internacional, um movimento que já levou a cortes significativos nos preços do diesel e do querosene de aviação.

Na terça-feira, 30 de abril, a companhia anunciou uma redução de R$ 0,35 por litro no óleo diesel. Já nesta quarta, o querosene de aviação (QAV) teve seu preço diminuído em 14,5%. Ambas as medidas refletem a atenuação dos efeitos do conflito no Oriente Médio sobre as cotações do barril.

“Todos os nossos combustíveis acompanham a tendência dos preços internacionais”, declarou Chambriard. “No caso da gasolina, é a mesma coisa.”

Descompressão no Mercado de Petróleo

A recente queda nas cotações internacionais do petróleo resultou de uma diminuição das tensões geopolíticas, que incluíam o confronto entre Estados Unidos, Israel e Irã. Este conflito, que havia provocado uma escalada de preços, especialmente após ameaças de bloqueio ao Estreito de Ormuz, perdeu força em seu impacto sobre a oferta global.

O Estreito de Ormuz é uma via marítima crucial. Por lá, passa cerca de 20% da produção internacional de óleo e gás. A instabilidade na região, com ataques e navios petroleiros em risco, gerou temores de escassez e elevou o custo do barril.

Com a normalização do trânsito na região, mesmo com relatos pontuais de incidentes, o mercado reagiu. A oferta se estabilizou.

O barril de petróleo tipo Brent, referência global, voltou a ser negociado na casa dos US$ 70, patamar semelhante ao período pré-conflito. Em seu pico, a commodity ultrapassou os US$ 110, impactando diretamente o custo de produção de derivados como a gasolina e o diesel no Brasil.

Apesar de ser um país produtor, o Brasil precifica o petróleo e seus derivados em linha com o mercado internacional, uma vez que são commodities. Isso significa que as flutuações globais reverberam diretamente nos postos de combustíveis, afetando o bolso do consumidor e a logística das empresas.

A Estratégia “Sem Ansiedade” da Petrobras

A Petrobras adota uma política de preços que busca monitorar o cenário global diariamente, mas sem repassar ao consumidor brasileiro toda a volatilidade e a “ansiedade” do mercado internacional.

“Vamos acompanhar a tendência, mas não todos os dias”, disse Magda Chambriard, reforçando a cautela da gestão. Ela notou que a gasolina “custou para subir”, indicando uma resistência em reajustes para cima, mesmo sob pressão externa.

Em 29 de maio de 2026, a estatal chegou a anunciar um reajuste de R$ 0,48 por litro na gasolina. No entanto, a adesão a uma subvenção do governo federal de R$ 0,44 por litro resultou em um aumento efetivo de apenas R$ 0,04 por litro para as distribuidoras. A medida visou diluir o impacto no consumidor final.

Essa abordagem marca uma mudança em relação a anos anteriores. Em 2018, por exemplo, a política de repasse quase diário dos preços internacionais gerou instabilidade e impactou a participação de mercado da Petrobras, afastando clientes e prejudicando a previsibilidade dos negócios.

“Aquela aflição por aumentar o preço da gasolina todos os dias ou baixar o preço da gasolina todos os dias trouxe para a gente um efeito mais que indesejado, fez a Petrobras perder market share“, lembrou a presidente.

A companhia, segundo Chambriard, analisa o cenário com “muita calma, muito profissionalismo”, buscando equilibrar o atendimento à sociedade com produtos acessíveis e a garantia de sua fatia de mercado. A estratégia visa consolidar a presença da estatal, sem alienar o consumidor ou desestabilizar a economia.

Governo Inicia Retirada de Subsídios

A melhora do cenário internacional também permitiu ao governo federal iniciar a retirada gradual dos subsídios que vinham sendo aplicados sobre os combustíveis. No mesmo dia em que a Petrobras anunciou a queda do diesel, o governo cortou um alívio de R$ 0,35 que beneficiava o combustível, utilizado majoritariamente por caminhões e ônibus.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, antecipou que o governo avalia agora a retirada do subsídio de R$ 0,44 que incide sobre o preço da gasolina. A medida faz parte de um esforço de ajuste fiscal e de readequação da política econômica diante da diminuição das pressões inflacionárias globais.

A estratégia de subsídios foi implementada para conter a inflação e mitigar o impacto dos altos preços internacionais no bolso do consumidor e no custo de transportes e logística. Sua retirada, embora fiscalmente desejável, pode anular parte da redução esperada nos preços ao consumidor, caso não haja um acompanhamento da política de preços da estatal.

Questionada sobre a possibilidade de a Petrobras reduzir o preço da gasolina antes mesmo da retirada oficial do subsídio governamental, Magda Chambriard classificou a pergunta como “prematura”. Isso sugere uma coordenação entre a política de preços da estatal e as decisões fiscais do governo, buscando um alinhamento para evitar impactos abruptos no mercado.

Contexto

A política de preços de combustíveis no Brasil é historicamente um ponto de tensão, envolvendo a rentabilidade da Petrobras, a inflação e o poder de compra do consumidor. Desde a liberalização dos preços, a estatal buscou diferentes modelos de precificação. A atual gestão adota uma abordagem que prioriza a suavização das oscilações do mercado internacional, buscando um equilíbrio entre a paridade de importação e a estabilidade interna. O governo, por sua vez, utiliza subsídios e desonerações como ferramentas de política econômica para gerenciar o impacto direto dos preços dos combustíveis no custo de vida e na atividade produtiva, sempre atento ao equilíbrio fiscal e à pressão inflacionária.

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