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Galípolo vai ao Senado esclarecer acordo de R$ 300 mil com o BC

Presidente do Banco Central participará de audiência sobre compromisso com Campos Neto

Galípolo vai ao Senado esclarecer acordo de R$ 300 mil com o BC
Gabriel Galípolo durante audiência. Foto: Adriano Machado

Gabriel Galípolo vai ao Senado explicar acordo com Campos Neto sobre irregularidades no BC.

Galípolo vai ao Senado esclarecer acordo de R$ 300 mil de Campos Neto com BC

O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, participa nesta terça-feira, 25 de novembro, da audiência da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. Ele foi convocado para explicar um acordo de R$ 300 mil firmado com Roberto Campos Neto, ex-presidente do BC, que visa encerrar um processo administrativo referente a falhas no acompanhamento de operações de câmbio feitas durante a gestão de Campos Neto.

A audiência, presidida pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL), contará também com a presença de Ricardo Saadi, presidente do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que será questionado sobre o uso das chamadas “contas bolsão” por fintechs. Este mecanismo é controverso e tem sido associado a atividades irregulares no setor financeiro.

O termo de compromisso assinado pelo ex-presidente do BC foi celebrado em junho deste ano e determina que Campos Neto se comprometeu a pagar a quantia de R$ 300 mil ao Banco Central. Isso ocorre em resposta a um processo administrativo que apurava irregularidades na sua gestão. O acordo é comum em infrações que não são consideradas graves, permitindo que o infrator pague uma multa e evite penalidades mais severas.

No entanto, o Santander, banco onde Campos Neto atuou como executivo, esclareceu em nota que o termo não implica reconhecimento de infração, mas sim um esforço para aprimorar os controles internos de câmbio. A instituição enfatizou que mantém um diálogo constante com as autoridades regulatórias e que o acordo foi firmado para reforçar a conformidade de forma preventiva.

em meio a essa situação, Campos Neto, atualmente executivo no Nubank, não deu declarações sobre o assunto quando foi contatado em novembro. A expectativa é que Galípolo esclareça as circunstâncias do acordo e a necessidade de sua realização durante a audiência no Senado.

Contas bolsão e suas implicações

Além do acordo de Campos Neto, a audiência também abordará as “contas bolsão”. Essas contas são utilizadas por fintechs para reunir recursos de diversos clientes em uma única conta, o que pode ser visto como uma forma de ocultar a origem dos valores e dificultar a supervisão por parte das autoridades financeiras. As irregularidades ligadas a esse tipo de conta têm sido alvo de investigações, especialmente em relação ao seu uso por facções criminosas para movimentação de recursos de origem ilícita.

A Operação Carbono Oculto, deflagrada no final de agosto, revelou um esquema bilionário que utilizava essas contas para lavar dinheiro e esconder transações. O tema das contas bolsão é, portanto, uma preocupação crescente entre as autoridades, que buscam reforçar a regulamentação e a supervisão do setor financeiro.

Expectativas para a audiência

A audiência no Senado é uma oportunidade para que Galípolo explique o contexto do acordo e assegure que as práticas do BC estão em conformidade com as normas vigentes. A presença de Ricardo Saadi também é crucial, pois as questões envolvendo as contas bolsão podem ter implicações sérias para a integridade do sistema financeiro.

Os desdobramentos dessa audiência serão observados de perto, uma vez que o setor financeiro enfrenta desafios relacionados à transparência e à regulação das fintechs. A expectativa é que o Senado possa estabelecer diretrizes que garantam a segurança e a integridade do sistema financeiro nacional.

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