Estudo aponta tendências de fusões e a importância da inovação no setor de fundos de investimento

Estudo revela que fusões no setor de FIDCs são impulsionadas por tecnologia e conjuntura econômica.
Fusões no setor de FIDCs: um cenário em transformação
Os fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs) estão passando por um momento de transformação significativo, impulsionado por fatores tecnológicos e econômicos. De acordo com um estudo da Celcoin, até novembro de 2025, os FIDCs acumularam uma captação de R$ 54,9 bilhões, o que representa uma queda em relação aos R$ 143 bilhões registrados em 2024. Este cenário ressalta a necessidade de adaptação das gestoras e pode levar a um aumento nas fusões dentro do setor.
Aumento no número de FIDCs e novos desafios
O número de FIDCs saltou de 3.077 no final de 2024 para 3.761 em novembro de 2025, refletindo um crescente interesse de investidores. Essa situação é Resultado da nova regulamentação que permite a participação de pessoas físicas, conforme a Resolução 175 da CVM. Contudo, esse crescimento trouxe desafios consideráveis. Os administradores de FIDCs enfrentam margens apertadas e um mercado que demanda maior eficiência e inovação.
Rodrigo Claudino, diretor de Operações de Crédito da Celcoin, destaca que a estrutura antiga de muitas administradoras precisa ser modernizada para atender às novas exigências do mercado. “O mercado de FIDCs precisa se adaptar a novas modalidades de crédito, especialmente diante do aumento da demanda por crédito consignado e operações de alta frequência”, afirma Claudino.
A tecnologia como vetor de fusões
O estudo da Celcoin aponta que 66% dos executivos acreditam que a explosão no número de FIDCs está ligada à nova regulamentação, mas muitos alertam para a necessidade de uma seleção mais cuidadosa dos administradores. A adoção de tecnologia e automação emerge como uma prioridade. “Os fundos que investem em tecnologia são os que mais se destacam no mercado”, observa Claudino.
A demanda por investimentos em tecnologia no setor cresce, pois a maior parte das administradoras ainda opera com processos manuais e troca de arquivos. Essa situação cria um gap que pode ser solucionado através de fusões com empresas que já estão investindo em tecnologia. “A verticalização do setor é uma tendência natural para acompanhar o dinamismo do mercado”, conclui.
Oportunidades e riscos no cenário atual
Apesar dos desafios, o estudo revela que há uma demanda consistente por crédito, especialmente para pequenas e médias empresas. 55% dos executivos afirmam que os grandes bancos não conseguem atender adequadamente essas empresas, o que abre espaço para os FIDCs. No entanto, o aumento das recuperações judiciais e a instabilidade econômica são fatores que preocupam os gestores.
Os administradores de FIDCs precisam estar atentos à crescente atividade de fraudes, o que requer uma maior eficiência na análise de crédito. A utilização de tecnologias para validar informações e prevenir fraudes é essencial para a segurança das operações. “A integração de dados e a análise preditiva são fundamentais para minimizar riscos”, ressalta Claudino.
O futuro dos FIDCs e a descentralização do crédito
O setor de FIDCs pode receber um novo impulso com a implementação do Crédito do Trabalhador, que oferece empréstimos com garantia no salário. Essa linha pode levar milhões de trabalhadores a migrar dos grandes bancos para FIDCs, ampliando as oportunidades no setor. Contudo, essa mudança exigirá das administradoras um rigor maior na análise de crédito e na cobrança, já que as garantias tradicionais não estarão mais disponíveis.
A capacidade de inovação e adaptação das gestoras de FIDCs será crucial para navegar neste novo cenário. O mercado está em constante evolução, e aqueles que não se adaptarem correm o risco de ficar para trás. O futuro das fusões no setor de FIDCs está intrinsicamente ligado à capacidade de integrar tecnologia e fortalecer a análise de crédito.