Apesar da captação significativa, gestores apontam preocupações que podem afetar o setor.

Gestores de fundos de crédito privado expressam preocupações sobre captação e desempenho em 2025.
Fundos de crédito privado: captação robusta em 2025
A captação de recursos não tem sido um entrave para os fundos de crédito privado em 2025. Os investidores continuam a buscar estratégias voltadas para debêntures e outros títulos de renda fixa, motivados pelos juros elevados. Contudo, a crescente demanda gera preocupação entre os gestores, que observam uma possível desaceleração no fluxo de entradas, além dos spreads dos títulos e o rendimento acumulado no ano.
Em outubro, os fundos de crédito privado reportaram uma captação líquida de R$ 19 bilhões, contribuindo para um resultado positivo de R$ 13,9 bilhões em toda a indústria no mesmo mês. Apesar desse desempenho, há receios de que o capital comece a ser retirado em breve.
Desafios à vista: resgates e desempenho
Luiz Christ, gestor de crédito privado na Principal Asset Management, expressou preocupação com a possibilidade de resgates, afirmando que, embora o fluxo de entradas ainda seja positivo, o ritmo já mostra sinais de desaceleração. “Estamos em um momento em que os investidores começam a refletir sobre o rendimento de suas carteiras e o que faz sentido manter”, observou Christ, enfatizando que 2025 não tem sido um ano generoso em termos de retornos.
Além disso, a pressão sobre os spreads dos títulos privados tem sido uma preocupação constante. Os prêmios têm se estreitado, com algumas empresas oferecendo taxas inferiores às dos títulos públicos, o que limita as oportunidades de valorização nas carteiras. Recentemente, a abertura dos spreads tem causado desvalorização nos papéis, impactando negativamente o desempenho dos fundos.
O impacto de eventos no mercado
Os incidentes envolvendo empresas como Ambipar e Braskem foram vistos como catalisadores para uma reprecificação necessária dos títulos. Para os gestores, a abertura de spreads era esperada, e esses eventos apenas aceleraram o processo. Clara Sodré, analista de fundos da XP, destacou que o impacto do noticiário político, como a queda da Medida Provisória que taxava ativos incentivados, teve um peso considerável na abertura recente dos spreads, superando os efeitos dos eventos pontuais de estresse de crédito.
A estratégia dos gestores diante da incerteza
Daniel Palaia, CIO de crédito da Asset 1, não considera o movimento atual como o início de uma reprecificação intensa. Ele observa que uma abertura significativa dos spreads ainda depende de uma saída relevante dos investidores. “Vemos espaço para uma abertura média de 30 a 50 bps”, afirmou. Em resposta a esse cenário, os fundos estão evitando novas emissões no mercado primário, focando em oportunidades no mercado secundário, onde acreditam que podem gerar retornos melhores.
Os especialistas concordam que um movimento de resgates é inevitável em um futuro próximo. Contudo, isso pode ser visto como uma solução para a pressão sobre os spreads, já que a saída de investidores poderia facilitar emissões de títulos com taxas mais atrativas. Clara Sodré lembra que os resgates são comuns nos últimos meses do ano e que os gestores já se prepararam para essa eventualidade, mantendo níveis de caixa elevados.
Preparação para o futuro e recomendações
Os gestores estão adotando uma postura cautelosa, com muitos mantendo uma alta proporção de caixa em suas carteiras, prontos para aproveitar oportunidades assim que surgirem. A diversificação e a cautela nas movimentações são recomendadas, especialmente em um ambiente econômico incerto. Segundo Sodré, o crédito estruturado é uma opção promissora, e fundos como os FIDCs devem se destacar nesse cenário.
Apesar dos desafios, os gestores acreditam que o crédito privado continuará a ser um ambiente seguro para os investidores, desde que se adotem estratégias adequadas para navegar pelas incertezas do mercado.