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Folha Jundiaiense

Fotógrafa da Agência Brasil ganha importante menção honrosa em prêmio

A fotojornalista da Agência Brasil, Tânia Rêgo, recebeu menção honrosa no prestigiado Concurso Dom Phillips e Bruno Pereira de Jornalismo e Comunicação, em reconhecimento ao conjunto de imagens que compôs a reportagem “Áreas de retomada guarani em MS enfrentam dificuldades e violência”. O trabalho de Tânia Rêgo expôs a realidade brutal das comunidades indígenas Guarani e Kaiowá no Mato Grosso do Sul, onde a disputa por terras e a violência sistemática marcam o cotidiano. A premiação, que homenageia os defensores ambientais assassinados, destaca a urgência de dar voz às populações mais vulneráveis do país.

As fotografias da reportagem documentam a situação na retomada Guapo’y Mirin Tujury, área vizinha à Reserva Indígena de Amambai (MS). A equipe de reportagem chegou ao local após um episódio chocante: um indígena havia sido morto, e dois menores sofreram ferimentos. O corpo da vítima permanecia no local, gerando um impasse tenso. Indígenas temiam o desaparecimento do corpo caso fosse removido para autópsia. Decidiam, naquele momento, qual caminho seguir.

“Era um momento tenso e de grande importância”, relembrou Tânia Rêgo durante a cerimônia de premiação, realizada na tarde de quinta-feira, 11 de junho. Ela frisou a função da comunicação pública na cobertura sobre povos indígenas e suas comunidades.

O relato da fotojornalista sublinha a persistente violência que assola as comunidades de retomada. Estes grupos, que buscam reaver seus territórios ancestrais, vivem sob constante ameaça. Enfrentam agressões físicas, psicológicas e pressões de fazendeiros e, por vezes, de forças policiais.

A luta pela terra no Mato Grosso do Sul é antiga. É um cenário de conflito agrário crônico, intensificado pela expansão do agronegócio sobre áreas historicamente ocupadas por povos indígenas. As “retomadas” são uma forma de resistência ativa, onde famílias indígenas retornam a porções de seus territórios tradicionais, muitas vezes sem demarcação oficial.

Esse movimento gera confrontos diretos. Vidas são perdidas. Territórios são devastados. A reportagem de Tânia Rêgo captou a essência dessa batalha diária, dando visibilidade a uma realidade que muitas vezes permanece invisível para grande parte da sociedade brasileira.

A violência documentada no Mato Grosso do Sul não é isolada. Reflete um padrão em outras regiões do Brasil onde a demarcação de terras indígenas avança lentamente, ou onde interesses econômicos se chocam frontalmente com direitos constitucionais dos povos originários.

Tânia Rêgo enfatizou a importância de defender essas comunidades. “Os indígenas das retomadas são povos que sofrem todo tipo de violência, o tempo inteiro. Esse tipo de violência física, de matar, violências psicológicas diárias, violências da polícia militar, dos fazendeiros. De todos os lados.”

Para ela, reportar a vida e a luta dos povos tradicionais é uma forma de defender o meio ambiente. Ela descreveu os indígenas como “guerreiros que precisam ser visibilizados”, destacando o papel essencial do jornalismo na amplificação dessas vozes.

O Legado de Dom Phillips e Bruno Pereira

O concurso que premiou Tânia Rêgo honra a memória do jornalista britânico Dom Phillips e do indigenista brasileiro Bruno Pereira. Ambos foram brutalmente assassinados em junho de 2022, enquanto investigavam crimes ambientais e denunciavam a exploração ilegal na Amazônia. O prêmio busca perpetuar o compromisso deles com a verdade e a defesa dos povos da floresta.

A menção honrosa a Tânia Rêgo reforça o risco inerente ao fotojornalismo que mergulha em zonas de conflito. Repórteres e fotógrafos que cobrem temas como desmatamento, garimpo ilegal e disputas territoriais operam em um ambiente de constante perigo, onde a busca por justiça pode custar a própria vida.

Agência Brasil: Cobertura Essencial em Direitos Humanos

A Agência Brasil, veículo público de comunicação, tem um histórico consistente na produção de conteúdo relevante sobre direitos humanos e questões socioambientais. A menção honrosa de Tânia Rêgo não é um fato isolado na história recente da agência.

No mesmo dia da premiação a Tânia Rêgo, a Radioagência Nacional conquistou o terceiro lugar na categoria de iniciativa de educação midiática. O podcast “Crianças Sabidas – Série Trilhinhas Amazônicas” foi reconhecido pelo seu valor educativo ao abordar o tema amazônico para o público infantil.

Outros trabalhos da agência já receberam destaque. Em 2023, o fotógrafo Marcelo Camargo obteve menção honrosa no prêmio da Sociedade Interamericana de Imprensa (IAPA). Sua série “Ancestral Firefighters” retratou a atuação de brigadistas da comunidade quilombola Kalunga no combate a incêndios no Pantanal, em 2024.

Ainda em 2024, dois fotógrafos da Agência Brasil foram vencedores na 41ª edição do Prêmio Direitos Humanos de Jornalismo. O Movimento de Justiça e Direitos Humanos (MJDH) e a OAB-RS organizaram o evento. Paulo Pinto conquistou o primeiro lugar com “7×1”, imagem da repressão policial em protesto do Movimento Passe Livre (MPL) em São Paulo.

Fernando Frazão garantiu o segundo lugar com “Tenho Minha Vida de Volta”. A foto registrou o reencontro do jovem Carlos Vitor Guimarães com sua família. Ele foi solto após um ano e meio de prisão injusta no Rio de Janeiro.

A capacidade de suas equipes em cobrir temas delicados, do meio ambiente às violações de direitos, consolida a Agência Brasil como uma fonte essencial de informação. Suas imagens e reportagens são gratuitas e podem ser republicadas, reforçando seu papel no acesso à informação qualificada.

Contexto

A questão da posse de terras e os conflitos relacionados a povos indígenas e comunidades tradicionais representam um desafio histórico e estrutural no Brasil. A demarcação de terras indígenas, prevista na Constituição Federal, enfrenta resistência de setores do agronegócio e da política, gerando um ambiente de alta tensão e violência, especialmente em regiões como o Mato Grosso do Sul. Desde a colonização, a disputa por recursos e território tem impactado gravemente a sobrevivência cultural e física desses povos. O jornalismo, ao dar visibilidade a essas lutas, atua como um pilar democrático, expondo violações e fomentando o debate público sobre direitos humanos e sustentabilidade ambiental no país.

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