Um mapa de votos que surpreendeu muitos eleitores da Baixada Santista foi desenhado no primeiro turno da recente disputa presidencial.
Em uma eleição marcada pela polarização em todo o país, a região apresentou um padrão distinto: um dos candidatos dominou amplamente as urnas em oito das nove cidades, com apenas uma localidade destoando do panorama geral e revelando uma preferência diferente.
A Força de Flávio Bolsonaro: Um Retrato Eleitoral na Baixada Santista
A apuração do primeiro turno revelou uma tendência notável na Baixada Santista, onde o candidato Flávio Bolsonaro (PL) estabeleceu uma liderança robusta sobre Lula (PT) na corrida pela Presidência.
Dos nove municípios que compõem a região, oito registraram a preferência pelo candidato do PL, demonstrando um alinhamento majoritário do eleitorado local com sua chapa.
A soma dos votos nos nove municípios reforça essa vantagem: Flávio Bolsonaro angariou 518.693 sufrágios, contra 403.107 obtidos por Lula.
Essa diferença regional, que totalizou 115.586 votos a favor de Bolsonaro, delineou um cenário distinto da disputa nacional, que se mostrou mais equilibrada.
No âmbito federal, a votação apertada levou a eleição para o segundo turno, com Bolsonaro fechando com 47,03% dos votos (56.104.268) e Lula com 45,16% (53.876.617) na reta final da apuração do primeiro turno.
Cubatão: A Única Cidade na Baixada a Inverter a Tendência Regional
Em meio ao predomínio de um dos candidatos na Baixada Santista, a cidade de Cubatão emergiu como um ponto fora da curva, apresentando um resultado singular.
Foi o único município onde Lula conseguiu terminar à frente, contrariando o padrão observado nas localidades vizinhas e apontando para uma divisão de preferências no próprio litoral.
O petista garantiu 31.652 votos, o equivalente a 46,27% do total, superando Flávio Bolsonaro, que recebeu 30.373 votos (44,40%).
A margem de vitória de Lula em Cubatão foi de apenas 1.279 votos, uma diferença estreita que, contudo, foi suficiente para redesenhar o mapa eleitoral da Baixada.
Onde as Maiores Vantagens Foram Construídas
Analisando os resultados mais a fundo, Praia Grande se destacou como o município onde Flávio Bolsonaro obteve a maior vantagem absoluta, conquistando 32.500 votos a mais que seu oponente.
Em Santos, o principal polo da região, a diferença pró-Bolsonaro foi de 27.023 votos. Já Guarujá acompanhou essa tendência, com 23.509 votos a mais para o candidato do PL.
Em termos proporcionais, Bertioga registrou o maior percentual de apoio, com 54,32% dos votos válidos para Bolsonaro. Peruíbe, com 53,43%, e Praia Grande, com 54,15%, também estiveram entre os mais altos índices.
Impacto na Baixada Santista
Os resultados das urnas na Baixada Santista transcenderam a contagem de votos, refletindo diretamente as expectativas e as prioridades dos moradores locais.
A forte inclinação da região por um dos candidatos pode influenciar as pautas e os investimentos federais em áreas cruciais para o desenvolvimento da Baixada, como infraestrutura portuária, turismo e saneamento básico.
Essa polarização, com a particularidade de Cubatão, sugere que as demandas do eleitorado da Baixada Santista podem encontrar maior eco ou, alternativamente, desafios, dependendo do direcionamento da próxima gestão federal.
Para os residentes, a escolha feita nas urnas no primeiro turno pode sinalizar caminhos para projetos que afetam diretamente a qualidade de vida, o crescimento econômico e a segurança local.
As futuras relações entre as administrações municipais e o governo federal serão moldadas por esse quadro eleitoral, impactando o fluxo de recursos e a implementação de políticas públicas essenciais para a região.
Além da Polarização: O Espaço dos Outros Nomes na Disputa
Apesar da intensa polarização nacional e regional, outros candidatos buscaram um lugar na preferência do eleitorado, embora em patamares muito distantes dos líderes.
Na Baixada Santista, o escritor Augusto Cury (Avante) e Renan Santos (Missão) foram os nomes que mais se aproximaram da dupla que liderou as votações.
Cury alcançou a terceira posição em seis cidades da região: Santos, Praia Grande, São Vicente, Guarujá, Cubatão e Itanhaém.
Por sua vez, Renan Santos ficou em terceiro lugar em Mongaguá, Bertioga e Peruíbe, mostrando uma distribuição geográfica de suas bases de apoio.
A disputa entre Cury e Renan Santos pela terceira posição foi acirrada em diversos municípios, como em Santos, onde Cury obteve 9.289 votos (3,68%) e Renan Santos, 9.666 (3,83%), uma diferença de apenas 377 votos.
Em Praia Grande e São Vicente, o cenário se repetiu, com ambos registrando votações próximas, indicando uma parcela do eleitorado em busca de alternativas fora dos dois polos principais da corrida presidencial.
Outros candidatos, como Ronaldo Caiado (PSD), ocuparam a quinta colocação em todas as nove cidades, enquanto nomes como Zema (Novo), Samara (UP) e Hertz Dias (PSTU) tiveram votações ainda mais discretas, sublinhando a concentração da maioria dos votos nos candidatos que seguiram para o segundo turno.
O Voto Regional no Grande Desenho da Política Nacional
O resultado do primeiro turno na Baixada Santista, com suas particularidades e tendências, insere-se em um contexto mais amplo da política brasileira, marcada por transformações profundas nas últimas décadas.
A polarização observada em 2026 não é um fenômeno isolado, mas o ápice de um processo que vem moldando o cenário eleitoral do país, intensificando a disputa e redefinindo as bases de apoio político.
Desde ciclos eleitorais anteriores, o Brasil assiste a uma reconfiguração do eleitorado, com ideologias e narrativas ganhando força e dividindo o país em campos cada vez mais definidos.
A forma como a Baixada Santista votou, quase em bloco para um dos lados, e a exceção de Cubatão, oferecem um vislumbre de como as complexidades socioeconômicas e culturais de uma região podem se traduzir em escolhas políticas.
Com o segundo turno se aproximando, entender essas dinâmicas regionais e a evolução do comportamento eleitoral torna-se crucial para antecipar os desdobramentos e as consequências de uma eleição que promete moldar os rumos do país nos próximos anos.



