Clube apresenta sugestões para o Sistema de Sustentabilidade do Futebol à CBF

Flamengo apresenta propostas para o fair play financeiro ao futebol brasileiro.
No dia 6 de outubro de 2023, o Flamengo apresentou à CBF um conjunto de propostas para a criação do Sistema de Sustentabilidade do Futebol (SSF), que visa implementar o fair play financeiro no Brasil. O clube enviou um documento com sugestões voltadas ao aprimoramento da governança e responsabilidade fiscal no futebol nacional, afirmando seu compromisso em participar da elaboração e execução do sistema.
Propostas do Flamengo para um sistema sustentável
O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, enfatizou que o debate sobre o fair play financeiro é crucial para fortalecer o futebol brasileiro. “Entendemos que é providencial e digno de elogios essa decisão da CBF de finalmente tratar de um assunto tão importante”, afirmou Bap, ressaltando que a gestão fora de campo impacta diretamente o desempenho esportivo.
O dirigente destacou que o modelo europeu pode servir de inspiração, mas deve ser ajustado à realidade brasileira, considerando a presença de Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs) e clubes em recuperação judicial. “Inspirar-se no modelo europeu é fundamental, mas copiar exatamente esse modelo pode ser inviável”, disse ele.
Entre as propostas apresentadas, o Flamengo defende:
- Restrições a clubes em recuperação judicial.
- Controle total dos custos, incluindo salários e bônus.
- Bloqueio de brechas contábeis e criação de indicadores mínimos de caixa.
- Limitação de transações entre partes relacionadas.
- Adoção de ratings de governança e sanções esportivas como perda de pontos.
A importância de regras padronizadas
O Flamengo também propõe a criação de um grupo interno, coordenado por Marcos Motta, para tratar do tema, com foco na padronização das regras e punições imediatas para clubes que não cumprirem as normas. O presidente ressaltou que é necessário um arcabouço comum, visto que atualmente cada clube opera em condições diferentes. “Se não dá para punir o jogador, o clube deve ser punido de forma imediata”, afirmou.
Além disso, o clube sugere a implementação de um “Teste de Proprietários e Dirigentes” para avaliar a idoneidade e capacidade financeira dos dirigentes, além da proibição do uso de gramados artificiais em torneios profissionais, devido ao custo desigual de manutenção.
A trajetória do Flamengo como exemplo
Luiz Eduardo Baptista citou a trajetória recente do Flamengo como um exemplo de reestruturação financeira. “O clube se reestruturou, parou de contratar e seguiu um plano consistente de longo prazo”, afirmou. Ele destacou que a recuperação da reputação do clube foi um processo lento, mas necessário para a sustentabilidade.
O presidente também reforçou a necessidade de que o sistema proposto tenha mecanismos de transição e punições durante a temporada. “Os clubes devem ser avaliados ao longo da temporada, com penalidades progressivas”, declarou.
O futuro do futebol brasileiro
Por fim, Baptista enfatizou que a mudança estrutural tem um preço alto, mas é um caminho necessário para o fortalecimento do futebol no Brasil. “O Flamengo pagou cerca de R$ 4,5 bilhões em 13 anos de obrigações. Se tivéssemos usado metade desse valor para contratar jogadores, seria justo com os outros clubes?”, questionou.
Com a proposta de um sistema sustentável, o Flamengo reafirma seu compromisso em participar das discussões e elogia a CBF pela iniciativa de estabelecer um modelo nacional de fair play financeiro. O clube continua a trabalhar na busca por um futebol mais justo e sustentável no Brasil.