Imagine um cenário cultural onde as vozes femininas não são apenas ouvidas, mas celebram a própria força criativa. Em outubro de 2026, Campinas se prepara para ser o epicentro de um movimento que, desde 2021, transforma o palco da cultura brasileira, reforçando o protagonismo das mulheres.
A cidade se prepara para receber a quinta edição do Festival “Crie como quem Luta”, uma imersão gratuita e poderosa na produção cultural feminina. De 2 a 11 de outubro, os palcos campineiros serão tomados por teatro, dança, circo, cinema e muita música, destacando talentos e narrativas.
O Festival que Reverte o Silêncio: “Crie como quem Luta” Desembarca em Campinas
A iniciativa é do Coletivo Caju Cultura, um grupo feminista que, desde sua gênese, prioriza mulheres em todas as etapas de realização do evento. Da coordenação às artistas no palco, a proposta é dar visibilidade total ao protagonismo feminino.
Com a cantora Rachel Reis como um dos grandes destaques, a programação gratuita convida o público a um mergulho em diversas linguagens. Seu show “Acústico da Sereiona” promete ser um dos pontos altos do evento, um convite para celebrar a diversidade musical.
Este não é apenas um festival, mas um manifesto cultural. Ele se consolidou como um espaço crucial para a reflexão sobre o papel da mulher na cultura, sempre sob uma perspectiva feminista, impulsionando debates e novas criações.
Impacto na região
Embora focado em Campinas, a reverberação de um evento de tamanha magnitude alcança toda a região metropolitana. Moradores de cidades próximas, como Jundiaí, Valinhos e Vinhedo, encontrarão uma oportunidade singular para acessar cultura de alta qualidade sem custos.
A gratuidade e a diversidade de gêneros artísticos democratizam o acesso, enriquecendo o calendário cultural local. Isso fortalece o intercâmbio cultural e estimula o turismo regional, beneficiando a economia e a vida social das comunidades vizinhas.
Palcos Abertos para a Pluralidade Feminina: Destaques da Programação
A Sala dos Toninhos, o Sesc Campinas e o Centro de Convivência Cultural são apenas alguns dos espaços que abrigarão as atrações. A curadoria do festival busca, a cada edição, ampliar as linguagens e perspectivas artísticas, garantindo uma experiência rica para todos.
No teatro, “Gabri[Elas]”, do Coletivo Mulheres da Vida, promete impactar. A peça mergulha na trajetória de Gabriela Leite, uma figura central na luta pelos direitos das profissionais do sexo no Brasil, um tema de relevância social indiscutível.
O circo ganha forma com “O Último Show”, de Vick & Greta. A performance combina a comicidade com números circenses habilidosos, explorando o fim de carreira de duas artistas de forma sensível e divertida para o público de todas as idades.
A dança contemporânea será representada por “sempre foi um risco”, do Dobra Coletivo. A obra é uma profunda investigação sobre o amor, as relações afetivas e suas complexas dimensões raciais e sociais, culminando em uma residência artística.
A programação musical, além de Rachel Reis, terá o DJ Set Beira Mundo comandado por Flávia Aguiar. Ela trará sonoridades periféricas e ritmos intertemporais, reposicionando as “beiras” no centro do cenário cultural campineiro.
A mostra cinematográfica “Vivas, apesar da morte” exibirá curtas-metragens provocativos. Os filmes exploram temas como memória, ausência, violência e resistência, refletindo sobre a morte como perda e transformação, e convidam à profunda reflexão.
Experiências Além do Palco
O festival vai além das apresentações artísticas tradicionais, oferecendo atividades interativas e formativas. A Feira Garimpou oferecerá brechós, acessórios e comidinhas, criando um ambiente de confraternização e consumo consciente para os visitantes.
Para quem busca aprofundamento, o Sesc Campinas sediará o encontro “Mulheres na pesquisa: como se produz conhecimento na cultura?”. Pesquisadoras debaterão a produção de conhecimento feminino nas artes, em uma iniciativa do projeto Feminas.
Outra ação formativa essencial é a oficina “Acessibilidade Cultural em Festivais”, com Paula Monterrey no CIS Guanabara. O tema é vital para garantir que a arte e a cultura alcancem todos, abordando estratégias de planejamento inclusivo.
Haverá ainda uma Instalação de Grafitti, resultado da oficina “Graffiti: Corpo, Palavra e Resistência”. Ela celebrará o feminino, a resistência e a ancestralidade através de arte urbana coletiva, envolvendo o público em uma experiência visual única.
A Força Feminina que Transforma a Cultura: Uma Retrospectiva Necessária
O Festival “Crie como quem Luta” não surgiu de um vácuo. Desde sua primeira edição em 2021, o coletivo Caju Cultura vem construindo uma trajetória robusta. A edição de 2025, por exemplo, expandiu suas fronteiras para Peruíbe, alcançando projeção latino-americana.
A gênese do evento reside na percepção da sub-representação feminina nos espaços culturais. Historicamente, mulheres enfrentam barreiras para ter suas obras reconhecidas e divulgadas, um cenário que este festival busca subverter ativamente.
A iniciativa se encaixa em um movimento global de valorização da diversidade e da equidade de gênero na arte. Ela responde a uma demanda crescente por narrativas e estéticas que reflitam a pluralidade da sociedade, oferecendo plataformas para vozes antes marginalizadas.
Ao fomentar a criação coletiva e o intercâmbio de ideias entre mulheres, o festival se torna um motor de transformação. Ele não apenas entretém, mas também educa e inspira, mostrando o poder da arte como ferramenta de mudança social para a comunidade.
Para 2026, o festival reitera seu compromisso, não apenas apresentando artistas, mas cultivando um ecossistema. Ele contribui para a construção de um futuro onde a cultura brasileira seja, de fato, um espelho da diversidade de seus criadores e da riqueza de suas expressões.


