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Folha Jundiaiense

Fenabrave anuncia alta de 16,01% nos emplacamentos no 1º semestre

A venda de veículos novos no Brasil acelerou no primeiro semestre do ano, registrando alta de 16,01%. Foram 2.715.403 unidades emplacadas, somando automóveis, comerciais leves, motos, ônibus, caminhões e implementos rodoviários.

Os dados, divulgados pela Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), indicam um cenário de recuperação para a indústria, ainda que com nuances.

Considerando apenas junho, o mercado emplacou 488.420 unidades, uma queda de 0,82% frente a maio. No entanto, o volume superou em 18,96% o registrado no mesmo mês do ano anterior.

O segmento de automóveis e comerciais leves puxou a alta. Entre janeiro e junho, esses veículos somaram 1.359.107 unidades vendidas, um crescimento robusto de 20,11% na comparação com o primeiro semestre de 2023.

Esse avanço reflete diretamente os efeitos do programa de incentivos governamentais. A medida, lançada em meados do ano, impulsionou a demanda por modelos de entrada e injetou fôlego temporário no mercado de carros de passeio.

A iniciativa facilitou o acesso ao crédito e estimulou a troca de veículos usados por novos, especialmente entre consumidores que buscavam opções mais acessíveis.

O setor de motos também contribuiu significativamente para o cenário positivo. O emplacamento de motocicletas atingiu 1.174.459 unidades no primeiro semestre, um aumento de 14,10% frente ao mesmo período.

A demanda por motocicletas segue forte, impulsionada pela necessidade de transporte individual de baixo custo e pelo crescimento exponencial dos serviços de entrega, que dependem massivamente desse tipo de veículo para operar.

Cautela em Pesados Freia Setor

Contrariando a tendência de alta observada na maioria dos segmentos, os setores de ônibus e caminhões registraram queda. O acumulado do ano mostra um recuo de 9,09%, com apenas 61.020 novas unidades comercializadas.

A retração nos veículos pesados aponta para um cenário de cautela acentuada entre empresários do setor de transportes e logística, que adiam investimentos.

As elevadas taxas de juros, que encarecem drasticamente o financiamento de frotas, e a percepção de instabilidade econômica no horizonte freiam as decisões de investimento em renovação e ampliação. Empresas adiam compras, impactando diretamente fabricantes e concessionárias.

Além disso, o custo operacional, com preços do diesel e pedágios, segue em patamares altos, pressionando a rentabilidade do transporte de cargas e passageiros e desestimulando novos aportes.

Para o setor automotivo como um todo, o crescimento do primeiro semestre, embora expressivo em algumas categorias, sinaliza uma recuperação desigual.

A inflação, embora em trajetória de desaceleração, e a taxa Selic ainda elevada continuam a impactar o poder de compra do consumidor e o acesso ao crédito, especialmente para financiamentos de longo prazo que caracterizam a compra de um carro novo.

Concessionárias reportam um aumento na procura por seminovos e usados de menor valor, reflexo da busca por alternativas mais acessíveis diante da volatilidade dos preços dos veículos zero-quilômetro e das condições de financiamento.

A indústria automotiva brasileira trabalha para adaptar sua produção e estratégias de venda a um consumidor que se mostra cada vez mais exigente e consciente dos custos envolvidos na aquisição e manutenção de um veículo.

Contexto

O mercado automotivo brasileiro tradicionalmente funciona como um termômetro da economia nacional, reagindo de forma sensível aos ciclos de prosperidade e recessão. Após períodos de fortes turbulências, como a crise econômica pós-2014 e os impactos disruptivos da pandemia de Covid-19, que desorganizaram cadeias de suprimentos globais e derrubaram as vendas, o setor busca uma estabilização. Incentivos governamentais pontuais e uma gradual melhora do cenário econômico geral impulsionam segmentos específicos, como o de automóveis e motocicletas, mas o alto custo do crédito e a retração na demanda por veículos comerciais pesados permanecem como desafios estruturais, exigindo adaptações constantes da indústria e do varejo para manter a competitividade.

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