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Faraó dos Bitcoins mostra notável emagrecimento na prisão federal

As redes sociais fervilham com especulações sobre a nova aparência de Glaidson Acácio dos Santos, conhecido como o “Faraó dos Bitcoins”. Imagens exibidas neste domingo, dia 6, pelo programa “Fantástico” da TV Globo, mostram o empresário significativamente mais magro durante um depoimento em juízo. A transformação física, atribuída a possíveis fatores como a vida na prisão ou dietas, adiciona uma camada de curiosidade a um dos maiores escândalos financeiros do Brasil.

Glaidson Acácio dos Santos comparece à justiça na ação que o julga por crimes contra o sistema financeiro, em conjunto com sua esposa, Mirelis Yoseline Diaz Zerpa. Ambos permanecem presos. As autoridades apontam que o casal movimentou mais de R$ 38 bilhões em um esquema complexo, que pode ter lesado aproximadamente 77 mil vítimas em todo o país. A dimensão dos valores e o número de pessoas afetadas tornam o caso emblemático.

Detido há cinco anos, Glaidson apresenta uma visível perda de peso. Curiosamente, ele se autodenomina uma “baleia” de criptomoedas, um jargão de mercado para investidores que possuem volumes tão grandes de ativos digitais que podem influenciar significativamente seus preços. O processo judicial entra agora em sua fase final, mas o paradeiro e o montante exato da fortuna em criptoativos do Faraó continuam sendo um dos grandes enigmas a serem desvendados.

O próprio Glaidson Acácio detalha sua capacidade de manipular o mercado financeiro em depoimento. “Como ‘baleia’, eu consigo manipular outras criptomoedas. Entro em contato com outras ‘baleias’ e vamos falar o seguinte: ‘Ó, você aposta na queda, alavanca dez vezes que nós vamos derreter o preço. Vamos despencar o preço de uma determinada criptomoeda (…)’. No mercado, uns riem, outros vendem lenços”, explicou ele. Esta declaração sublinha a dimensão e a natureza coordenada das operações que ele supostamente liderava, capazes de gerar grandes ganhos para alguns enquanto causavam prejuízos avassaladores para outros.

A Estrutura da Pirâmide Financeira e Acusações Graves

Glaidson e Mirelis são os principais acusados de orquestrar, por meio da empresa GAS Consultoria, um elaborado esquema de pirâmide financeira. Este sistema criminoso era habilmente disfarçado de um legítimo sistema de investimentos em criptomoedas, atraindo milhares de pessoas com a promessa de lucros exorbitantes e insustentáveis. A operação, que se estendia por diversas regiões, tinha sua sede em Cabo Frio, na Região dos Lagos, um ponto central para a captação de clientes.

Além das fraudes financeiras, Glaidson, que está preso há cinco anos, é também investigado por acusações ainda mais graves. Ele é suspeito de ter ordenado o assassinato de concorrentes na mesma região de Cabo Frio. Tais alegações elevam a complexidade e a periculosidade do caso, transformando-o de uma simples fraude financeira em um enredo que envolve violência extrema e crime organizado, desafiando as autoridades a desmantelar completamente a rede.

A GAS Consultoria atraiu uma vasta clientela oferecendo rendimentos muito acima da média praticada pelo mercado. Essa promessa de retornos rápidos e elevados é um dos principais artifícios utilizados em esquemas de pirâmide para seduzir novos investidores e manter a ilusão de rentabilidade. Na esfera judicial, os credores da empresa buscam recuperar quase R$ 3 bilhões, um valor que, embora expressivo, representa apenas uma fração dos R$ 38 bilhões movimentados e perdidos no esquema fraudulento.

O “Faraó” também detalhou como a captação de recursos funcionava, revelando a audácia e a escala de suas operações. “Eram contratos individuais. Como diz aquele velho ditado: ‘De grão em grão, a galinha enche o papo’ (…). Os meus funcionários iam, de helicóptero, até São Paulo, levavam recursos em espécie dos clientes, e as pessoas lá, de São Paulo, transferiam para minha carteira”, relatou Glaidson. Essa descrição evidencia a logística complexa e a preferência por movimentação de dinheiro em espécie, características frequentemente associadas à lavagem de dinheiro e à tentativa de burlar sistemas de fiscalização financeira.

A participação de Mirelis Yoseline Diaz Zerpa no esquema também é central para a investigação. A esposa de Glaidson não foi detida junto com ele em 2021, pois conseguiu sair do país e se estabeleceu nos Estados Unidos. No entanto, sua condição de foragida durou apenas três anos. Ela foi detida pela imigração americana e posteriormente deportada para o Brasil, onde agora enfrenta as acusações. Em sua defesa, Mirelis alega que, ao contrário do que afirma o Ministério Público Federal (MPF), sua função não era gerir a carteira de clientes, mas sim estudar o mercado para maximizar os ganhos dos investimentos.

Mirelis Yoseline Diaz Zerpa refuta veementemente as acusações que pesam contra ela. “Eu realmente li todo o processo. E, com todo respeito, para mim foi como ler um livro de ficção científica”, argumentou a acusada. Essa declaração expressa sua incredulidade e seu posicionamento de completa negação em relação às evidências apresentadas pela acusação, sugerindo uma estratégia de defesa que tenta desqualificar a investigação e o arcabouço probatório montado pelas autoridades.

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