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Ex-presidente e generais presos pela primeira vez por tentativa de golpe

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Condenações marcam um novo capítulo na relação entre militares e a política brasileira

Ex-presidente e generais presos pela primeira vez por tentativa de golpe
Generais envolvidos no caso. Foto: Agência

Ex-presidente e generais são presos pela primeira vez na história do Brasil por tentativa de golpe de Estado.

Ex-presidente e generais condenados por tentativa de golpe

Pela primeira vez na história do Brasil, um ex-presidente da República e oficiais-generais estão presos para cumprir penas que lhes foram impostas por tentativa de golpe de Estado. A decisão histórica foi anunciada em 25 de setembro de 2023, quando o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), encerrou a ação penal contra o chamado “núcleo crucial” da trama golpista.

A condenação, a prisão e a possível expulsão de altos oficiais marcam um rompimento no histórico de investidas militares em governos e na política nacional desde a Proclamação da República, em 1889. A ação judicial representa uma mudança significativa no tratamento dado a militares que tentam interferir na política brasileira.

Detalhes das prisões e penas

As prisões foram realizadas com discrição, poucos dias após a Decisão de Moraes. A Polícia Federal não foi às ruas de maneira ostensiva, e os advogados dos condenados concordaram com a apresentação deles para o cumprimento das penas. O ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos, está detido na Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal. Ele foi preso por descumprimento de medidas cautelares, incluindo a violação de uma tornozeleira eletrônica.

Os generais Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira, condenados a 21 e 19 anos, respectivamente, cumprem pena nas dependências do Comando Militar do Planalto, em Brasília. Já o almirante Almir Garnier, ex-comandante da Marinha, começou a cumprir 24 anos na Estação Rádio da Marinha, uma base militar a cerca de 25 quilômetros do centro da capital.

O ex-ministro Anderson Torres, delegado da Polícia Federal, foi enviado ao 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, onde cumprirá 24 anos. No total, o núcleo crucial da trama golpista conta com oito integrantes, incluindo o deputado Alexandre Ramagem, que permanece foragido nos Estados Unidos.

Implicações para as patentes militares

Após as prisões, um novo processo será aberto na Justiça Militar para decidir se os condenados poderão manter suas patentes nas Forças Armadas. Caso o Superior Tribunal Militar (STM) decida que eles não devem continuar como integrantes das Forças, poderão perder também as prerrogativas militares, o que poderá influenciar o local onde cumprem as penas.

O general Walter Braga Netto, ex-ministro da Defesa, já estava preso na 1ª Divisão do Exército, no Rio de Janeiro, e permanece nesse local. O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, fez acordo de colaboração premiada e foi condenado a dois anos em regime aberto.

Reações e próximos passos

A decisão de encerrar o processo pegou de surpresa os advogados dos condenados, que acreditavam ter até a próxima semana para apresentar novos recursos. O advogado de Bolsonaro, Paulo Cunha Bueno, considerou a decisão “surpreendente” e afirmou que entrará com um último recurso ao plenário do STF, apesar do desfecho do caso na Primeira Turma.

A situação cria um cenário de incertezas para o futuro da relação entre as Forças Armadas e a política no Brasil, uma vez que a condenação de altos oficiais pode desencadear uma reavaliação da atuação militar em questões políticas e governamentais.

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