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Folha Jundiaiense

Ex-prefeito de Campo Limpo Paulista defende votação online para próxima eleição

Imagine uma região com o peso econômico e populacional de quase um milhão de habitantes, essencial para o desenvolvimento de São Paulo, mas que, paradoxalmente, vê milhões em recursos estaduais e federais escorrerem por entre os dedos. Esse cenário, longe de ser uma ficção, é a realidade atual da Região Metropolitana de Jundiaí (RMJ), um gargalo que compromete desde a duplicação de rodovias cruciais até investimentos em saúde e saneamento.

A falta de representantes políticos eleitos com um vínculo territorial direto tem sido apontada como a principal razão para essa drenagem orçamentária. Um alerta que ecoou recentemente nos bastidores da política local, revelando como a ausência de deputados “da casa” pode impactar diretamente o dia a dia dos moradores e a capacidade de progresso de sete municípios.

Quem acende o sinal vermelho é Armando Hashimoto, ex-prefeito de Campo Limpo Paulista. Em uma conversa com Itamar Gonçalves no programa Bastidores da Política, da Rádio Difusora 810 AM, ele foi categórico: sem deputados vinculados à RMJ, a região enfrenta um sério problema de representatividade.

A consequência, de acordo com Hashimoto, é direta: as cidades da RMJ “não conseguem acesso à Assembleia e à Câmara”. Isso significa menos verbas provenientes das emendas parlamentares, que são ferramentas essenciais para a viabilização de obras e projetos de infraestrutura.

O ex-prefeito argumenta que, com quase um milhão de habitantes, a Região Metropolitana de Jundiaí tem potencial eleitoral suficiente para eleger seus próprios representantes. Ele citou que um deputado estadual pode ser eleito com cerca de 90 mil votos e um federal com aproximadamente 300 mil, números que a região, se unida, poderia alcançar.

Hashimoto, em sua gestão, experimentou a diferença de governar com e sem o apoio de parlamentares locais. Ele recordou que a presença de deputados genuinamente ligados à região foi crucial para o município que administrava.

Um exemplo concreto dessa influência pode ser visto no Hospital das Clínicas, hoje uma referência na região. Hashimoto revelou que cerca de um terço dos recursos que possibilitaram sua construção e equipagem vieram por meio de emendas, incluindo um aporte de aproximadamente R$ 5 milhões de um único deputado estadual.

Milhões em jogo: por que a RMJ perde verbas cruciais?

A importância das emendas parlamentares vai além dos números. Elas são a ponte direta entre as necessidades urgentes das cidades e o orçamento dos governos estadual e federal, permitindo investimentos em áreas vitais como mobilidade urbana, saúde e saneamento básico.

Quando uma região não possui deputados que defendam seus interesses específicos, a priorização desses recursos torna-se um desafio maior. As emendas, que poderiam ser destinadas a duplicar uma estrada ou equipar um hospital, acabam sendo direcionadas a outras localidades que contam com maior articulação política.

É uma competição velada por recursos, onde a Região Metropolitana de Jundiaí, sem vozes fortes e constantes em Brasília e na Alesp, acaba largando em desvantagem, apesar de sua relevância econômica e demográfica.

Impacto na região

Essa falta de representação tem um efeito palpável na vida de quem mora em Jundiaí, Campo Limpo Paulista, Várzea Paulista, Itupeva, Louveira, Cabreúva e Jarinu. Projetos essenciais, que poderiam aliviar o trânsito, melhorar a qualidade da água ou ampliar a oferta de saúde, ficam na gaveta ou demoram anos para sair do papel.

A duplicação da Rodovia Edgar Máximo Zambotto (SP-354), por exemplo, é uma obra aguardada há décadas e que impactaria diretamente o fluxo de pessoas e mercadorias entre cidades como Cajamar, Jarinu e Itatiba. Sem a pressão e a **destinação de verbas** por parte de deputados engajados localmente, sua concretização se arrasta.

Isso significa mais tempo no trânsito, maior risco de acidentes e um freio no desenvolvimento econômico. A ausência de articulação política eficaz não é apenas um debate de bastidores, é um problema que se traduz em desafios diários para cidadãos e empresários.

Obras estratégicas: a Rodovia Zambotto e o desafio da articulação

Além da Zambotto, outras obras de infraestrutura e projetos de desenvolvimento regional aguardam a atenção e o financiamento que poderiam vir de uma representação parlamentar mais robusta. O ex-prefeito Hashimoto sublinhou a importância de integrar as cidades da RMJ no mapa de desenvolvimento do Estado de São Paulo, o que depende diretamente de uma maior articulação.

Para ele, a eleição de deputados com raízes na região não é apenas uma questão de vaidade política, mas uma necessidade estratégica para destravar investimentos em mobilidade, educação e tecnologia, que são pilares para o avanço de qualquer comunidade.

Apesar do potencial, a Região Metropolitana de Jundiaí enfrenta dificuldades para construir uma pauta unificada entre seus municípios. Hashimoto observou que as lideranças locais “precisam aprender a jogar em equipe” quando se trata de discussões que favorecem o desenvolvimento de toda a região, não apenas de uma cidade isoladamente.

Esse desafio de articulação, somado à ausência de deputados que possam capitanear os interesses regionais em esferas estaduais e federais, cria um ciclo de sub-representação que é difícil de quebrar. A falta de voz torna a região menos visível, e a menor visibilidade resulta em menos recursos.

Para além dos mandatos: o cenário que molda a força regional

A questão da representatividade política para a Região Metropolitana de Jundiaí não é um fenômeno isolado, mas reflete uma tendência mais ampla na política brasileira. Ao longo das últimas décadas, houve uma crescente pulverização dos votos, dificultando a concentração de apoio em candidatos com um perfil regional específico.

A forma como as campanhas eleitorais são conduzidas, muitas vezes focando mais em redes sociais e grandes centros do que em bases eleitorais territorialmente definidas, também contribui para que deputados eleitos não necessariamente tenham um compromisso prioritário com uma única região, mas com um espectro mais amplo de eleitores.

Este cenário ganha ainda mais relevância no momento atual, onde os municípios dependem cada vez mais de recursos externos para suprir demandas crescentes e complexas, como as que emergiram ou se intensificaram após períodos de crise econômica e sanitária. A competição por verbas é acirrada, e ter quem “puxe” para a sua região faz toda a diferença.

Compreender esse mecanismo é crucial para que a própria população da RMJ possa fazer escolhas mais estratégicas nas urnas. O poder de voto, quando direcionado de forma consciente para candidaturas com comprovado vínculo e histórico de defesa dos interesses locais, pode ser a chave para reverter esse quadro e garantir que a região receba a atenção e os investimentos que merece.

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