Almir Garnier, condenado por tentativa de golpe, cumprirá pena na Estação de Rádio da Marinha

Almir Garnier, ex-comandante da Marinha, foi preso em Brasília por tentativa de golpe. Ele cumprirá pena em unidade militar.
Ex-comandante da Marinha preso por envolvimento em golpe
Na tarde de terça-feira (24), o ex-comandante da Marinha, almirante Almir Garnier, de 65 anos, foi detido em um hotel em Brasília. Ele foi condenado a 24 anos de prisão por participar de um plano de golpe de Estado, que visava garantir a permanência do ex-presidente Jair Bolsonaro no poder. A prisão foi realizada em uma operação discreta que envolveu a Polícia Federal (PF) e militares da Força que Garnier chefiou entre 9 de abril de 2021 e 30 de abril de 2022.
Condenação e cumprimento da pena
O ex-comandante, acusado de ter colocado as tropas à disposição para que Bolsonaro realizasse um golpe, cumprirá sua pena na Estação de Rádio da Marinha, localizada no Distrito Federal. O mandado de prisão foi emitido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e foi executado por policiais federais, acompanhados por militares, em conformidade com o Estatuto dos Militares.
Reação da Marinha e comparação com o Exército
A Marinha, até o momento, não se manifestou sobre a prisão de Garnier, o que evidencia um certo desconforto dentro da Força. Um militar que preferiu não se identificar descreveu a ação como uma “covardia”, enquanto outro afirmou que a PF foi a responsável pela prisão, e não a Marinha. Essa postura da Marinha se diferencia visivelmente da do Exército, que já havia lidado com a prisão de generais e ex-ministros com um tratamento mais cuidadoso.
Abordagem dos generais
Em contrastes com a abordagem de Garnier, os ex-ministros Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira foram presos em suas residências, em Brasília, por militares, sob a supervisão da cúpula do Exército. A operação para prender os generais foi coordenada para evitar a exposição pública, o que gerou críticas e reconhecimento de que essa estratégia reduziu constrangimentos. Os ex-ministros foram acompanhados por generais de alta patente durante sua detenção, o que não ocorreu com Garnier.
Nota do Exército e rotina dos oficiais
Após a prisão dos generais, a assessoria do Exército divulgou uma nota confirmando que eles encontram-se em instalações militares, onde seguirão as normas vigentes aplicáveis a oficiais em custódia. A rotina dos oficiais será mantida dentro dos parâmetros estabelecidos para a custódia de militares. Essa abordagem, mais controlada, contrasta com a operação que resultou na prisão do ex-comandante da Marinha, levantando questões sobre a consistência do tratamento dispensado a membros das Forças Armadas.