Os Estados Unidos e o Irã trocaram ataques militares na madrugada desta quinta-feira (28), intensificando uma escalada regional. Após o segundo bombardeio americano em três dias, Teerã retaliou com mísseis contra uma base dos EUA. Os projéteis, contudo, acabaram interceptados pelo Kuwait, país vizinho.
A ofensiva mútua coloca em risco um frágil cessar-fogo entre Washington e Teerã. Enquanto isso, Israel segue com bombardeios sobre o Líbano, incluindo sua capital, Beirute. O governo iraniano exige o fim da guerra também no território libanês.
Escalada Perto do Estreito de Ormuz
Militares dos EUA informaram que a retaliação iraniana ocorreu horas depois de suas forças abaterem cinco drones do Irã. Os aparelhos voavam próximos ao Estreito de Ormuz, ponto estratégico para o comércio global de petróleo.
Washington impediu ainda o lançamento de um sexto drone a partir do território iraniano, perto da cidade de Bandar Abbas. O Comando Central dos EUA, que coordena as operações no Oriente Médio, declarou que os drones representavam “uma ameaça clara”.
Em resposta, o Corpo da Guarda Revolucionária do Irã (IRGC) afirmou ter alvejado uma base militar dos EUA às 4h50 no horário local. Teerã considerou essa base a origem do ataque americano nos arredores do aeroporto de Bandar Abbas, no sul do país.
“Esta resposta é um sério aviso para que o inimigo saiba que o ataque não ficará sem resposta e, se for repetido, nossa resposta será mais decisiva”, declarou o IRGC em comunicado.
Kuwait Intercepta Projéteis Iranianos
Embora o Irã não tenha especificado a localização da base americana atacada, tanto o Kuwait quanto os EUA confirmaram que os mísseis iranianos foram direcionados ao território kuwaitiano.
As forças de defesa aérea do Exército do Kuwait interceptaram e destruíram os projéteis. Fortes explosões foram ouvidas em várias partes do país.
Os países do Golfo, incluindo Arábia Saudita, Catar e Emirados Árabes Unidos (EAU), condenaram a retaliação iraniana. “O Ministério das Relações Exteriores expressa a condenação do Reino da Arábia Saudita e sua repulsa nas mais fortes palavras aos ataques hostis com mísseis e drones contra o Estado irmão do Kuwait”, disse o governo saudita.
O Estreito de Ormuz, cenário de tensões recentes, é uma rota marítima vital. Cerca de 20% do petróleo mundial transita por ali, tornando sua segurança um ponto sensível para o mercado global e para as negociações entre as potências.
Guerra de Israel no Líbano Adiciona Pressão
A tensão regional se agrava com a continuidade da campanha de bombardeios de Israel no Líbano. Apesar de um suposto acordo de cessar-fogo, os ataques israelenses atingem a capital Beirute.
O grupo político-militar Hezbollah tem, por sua vez, realizado operações contra forças israelenses na região. Desde o início da atual fase do conflito no Líbano, em 2 de março, mais de 3,2 mil pessoas morreram. Mais de 9,7 mil ficaram feridas, segundo dados do Ministério da Saúde do Líbano.
Negociações Paralisadas por Demandas Opostas
As negociações entre Irã e EUA seguem sem avanços concretos. Teerã exige a retirada das bases militares americanas do Oriente Médio, o desbloqueio de seus recursos congelados no exterior e o levantamento das sanções econômicas.
Washington, por outro lado, pede a entrega do urânio iraniano e a abertura completa do Estreito de Ormuz.
Nesta quarta-feira, Ibrahim Azizi, chefe da comissão de segurança nacional do parlamento iraniano, declarou que o país não cederá em suas exigências. “O Irã não será pressionado a recuar das suas linhas vermelhas pela retórica de Trump: o direito de enriquecer urânio, a posse de urânio enriquecido, a autoridade sobre o Estreito de Ormuz e a remoção de sanções”, afirmou Azizi.
O Irã recusa-se a negociar, neste momento, seu programa nuclear, que sempre afirmou ter fins pacíficos. O governo defende uma nova gestão sobre o Estreito de Ormuz, diferente do que era antes da guerra.
Analistas consultados pela Agência Brasil sugerem que a justificativa dos EUA e de Israel para a guerra contra o Irã, focada no programa nuclear, serviria apenas como pretexto. O objetivo principal seria derrubar a República Islâmica. Essa ação visaria projetar o poder de Israel na região e barrar a expansão econômica da China.
Contexto
A tensão entre Estados Unidos e Irã tem raízes históricas profundas, intensificadas desde a Revolução Iraniana de 1979 e a crise dos reféns. O programa nuclear iraniano, as sanções econômicas impostas por Washington e a presença militar americana no Oriente Médio são pontos de fricção constantes. A escalada recente se insere em um cenário de instabilidade regional mais amplo, com múltiplos conflitos interligados, como a guerra em Gaza e os embates no Líbano. Qualquer avanço ou recuo diplomático entre as duas potências afeta diretamente a segurança e a economia global, principalmente no que tange ao fornecimento de petróleo e à estabilidade das rotas marítimas vitais.