Os Estados Unidos lançaram uma nova rodada de ataques aéreos contra alvos no Irã durante a noite, conforme informou o Exército norte-americano nesta quarta-feira. A ofensiva militar escalou a tensão horas depois de o presidente Donald Trump prometer mais investidas caso não houvesse um acordo de paz entre as nações. Em resposta imediata, o alto comando militar conjunto do Irã anunciou na quinta-feira (horário local) o fechamento do Estreito de Ormuz, uma via marítima vital, impedindo o trânsito de navios, incluindo petroleiros e cargueiros, e alertou que qualquer embarcação que tentar passar será alvejada.
As forças militares dos EUA justificaram a ação. “Os ataques são uma resposta à agressão injustificada e contínua do Irã”, declarou o Comando Central das Forças Armadas em publicação na rede social X, detalhando que as operações começaram à 0h45 em Teerã.
Uma explosão foi ouvida na cidade portuária de Sirik. Defesas aéreas foram ativadas na zona oeste de Teerã, reportou a agência de notícias iraniana Mehr.
Essa troca de hostilidades representa o mais recente capítulo em uma escalada que ameaça reacender uma guerra em grande escala. O conflito havia sido interrompido no início de abril por um frágil cessar-fogo, agora severamente comprometido.
Fechamento de Ormuz: Impacto Global Imediato
O bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irã coloca em risco uma das rotas de navegação mais importantes do mundo. Por este estreito gargalo, localizado entre o Golfo de Omã e o Golfo Pérsico, transita cerca de um quinto do total de petróleo mundial consumido diariamente. O fechamento impacta diretamente o mercado global de energia e a logística comercial internacional.
Navios petroleiros, que transportam bilhões de barris de petróleo de países como Arábia Saudita, Iraque e Kuwait, dependem crucialmente desta passagem.
Analistas do mercado já preveem alta nos preços do barril de petróleo. Além disso, a interrupção da cadeia de suprimentos pode gerar atrasos e encarecer produtos em diversos setores, afetando o bolso do consumidor global.
A medida do Irã é um claro movimento de retaliação e demonstra sua capacidade de exercer pressão econômica e militar estratégica.
Trump Ameaça, Irã Adverte
A retórica do presidente Donald Trump precede os ataques. “Vamos atacá-los, atacá-los com muita força”, disse Trump a jornalistas na Casa Branca na quarta-feira.
O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, reforçou a linha dura. Durante visita ao Comando Central na Flórida, Hegseth afirmou que os ataques “devem promover nossos interesses militares e também fortalecer nossa posição diplomática”.
“Vamos atacá-los com força nesta noite, e esperamos que o Irã tome uma boa decisão”, declarou Hegseth. “Se precisarmos negociar com bombas, negociaremos com bombas.”
Apesar de Trump afirmar repetidamente que um acordo estava próximo, não há sinais de avanços diplomáticos. Ele já havia ameaçado retomar os bombardeios antes dos recentes ataques.
As duas nações trocaram tiros diversas vezes mesmo durante o período do cessar-fogo provisório.
Na terça-feira, as Forças Armadas dos EUA atacaram sistemas de defesa aérea e radares ao redor do Estreito de Ormuz. A ação ocorreu depois que um helicóptero de ataque norte-americano foi abatido próximo à via navegável na segunda-feira. O Irã respondeu com mísseis e drones contra bases dos EUA na Jordânia, Kuweit e Bahrein. Uma autoridade norte-americana afirmou não haver danos significativos nestes últimos ataques.
Crimes de Guerra e Diplomacia Paralela
O Irã acusou os EUA de atacar reservatórios que abasteciam 10 aldeias com água potável, classificando a ação como uma violação do direito internacional.
“Isto não é dano colateral – é um crime de guerra premeditado e uma violação flagrante dos direitos humanos”, afirmou Esmaeil Baghei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano.
O Pentágono não respondeu a pedidos de comentário sobre as acusações iranianas.
Trump, que já ameaçou destruir a infraestrutura civil do Irã, não detalhou se os próximos ataques teriam como alvo usinas de energia e pontes.
Em resposta à escalada, o chefe da Comissão de Segurança Nacional do Parlamento iraniano, Ebrahim Azizi, advertiu que “a guerra não se limitará à região”. A declaração sugere uma possível extensão do conflito para além das fronteiras iranianas.
Apesar da linguagem beligerante de ambos os lados, esforços diplomáticos seguem em curso. Uma delegação do Catar, que atua como mediadora entre Estados Unidos e Irã, desembarcou em Teerã nesta quarta-feira para discutir os últimos acontecimentos, conforme noticiou a mídia iraniana. A presença do Catar sugere que, embora a retórica e as ações militares se intensifiquem, canais de comunicação ainda são mantidos na tentativa de desescalada.
Contexto
As tensões entre Estados Unidos e Irã possuem raízes profundas, marcadas por décadas de desconfiança e intervenções. Desde a Revolução Islâmica de 1979, as relações bilaterais são complexas e frequentemente hostis. O Estreito de Ormuz, uma passagem marítima estreita e vital para o transporte de petróleo, é um ponto focal estratégico dessa disputa, com ambos os lados utilizando-o como alavanca geopolítica. Confrontos anteriores, como o abate de drones e petroleiros atacados, já elevaram o risco de um conflito maior na região. A presença militar norte-americana no Golfo Pérsico e as sanções econômicas impostas ao Irã adicionam camadas de complexidade a um cenário que exige cautela e esforços contínuos para evitar uma guerra em larga escala.