A barreira do silêncio em hospitais, escolas e empresas pode estar com os dias contados, graças à iniciativa de um jovem desenvolvedor de Jundiaí. Pedro Henrique Marçal Stella, de 18 anos, está à frente de um projeto ambicioso: a criação de um software capaz de interpretar a Língua Brasileira de Sinais (Libras) em tempo real, transformando gestos em comunicação acessível para todos.
Atualmente cursando o ensino superior na UniAnchieta, Pedro deu os primeiros passos nessa jornada durante o ensino médio técnico na Escola Bispo. O que começou como um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), sob orientação de seu professor, transformou-se em um propósito de vida.
“O principal problema que queremos resolver é a falta de intérpretes. Muitas vezes, uma pessoa surda chega na recepção de um hospital e encontra uma barreira muito grande na comunicação”, explica o desenvolvedor ao Tribuna de Jundiaí.
O desafio dos dados e da Inteligência Artificial
O projeto encontra-se hoje em seu estágio inicial, mas já apresenta resultados concretos: o sistema é capaz de reconhecer letras de Libras que não possuem movimento. Para chegar a esse nível de precisão, o trabalho manual é exaustivo. Pedro revela que possui cerca de 20 mil imagens de letras estáticas em seu computador para treinar a Inteligência Artificial (IA).
O caminho para a fluidez total, porém, exige superar obstáculos técnicos e estruturais:
- Banco de dados: A necessidade de capturar e processar milhares de fotos e vídeos para ensinar a máquina.
- Processamento: A demanda por computadores mais potentes para rodar algoritmos complexos.
- Hardware especializado: Equipamentos para o treinamento de avatares, que farão a ponte inversa da comunicação.
“Também temos uma dificuldade estrutural; esse projeto, no futuro, precisará de máquinas mais potentes e equipamentos específicos para treinamento de avatar”, pontua Pedro.
Do gesto à voz (e vice-versa)
A motivação de Pedro é alimentada pelas histórias que ouve de profissionais da área e da própria coordenadora da escola onde estudou, que o apresentou à comunidade surda. Embora esteja aprendendo Libras simultaneamente ao desenvolvimento do código, o foco está na evolução técnica.
Os próximos passos incluem a implementação de letras com movimento e palavras completas, migrando do reconhecimento de imagem estática para o vídeo. A etapa final e mais complexa será a interpretação bidirecional: transformar Libras em português e o português de volta para Libras.
Busca por parcerias
Sem uma estimativa exata de conclusão devido à complexidade do sistema, o projeto busca agora sair das paredes da universidade para ganhar o mercado e a sociedade. Pedro Henrique destaca que o momento é de encontrar apoio.
“Ainda estamos no estágio inicial, começando a compartilhar o nosso projeto para acharmos parceiros ou até patrocínios, pois é um projeto que irá precisar desse apoio.”
Para empresas ou investidores interessados em fomentar a tecnologia assistiva e a inclusão social, o projeto de Pedro Henrique representa não apenas uma inovação tecnológica, mas um passo fundamental para a cidadania.