Analistas avaliam impactos para MBRF e JBS após surto na região de Barcelona

Espanha confirma casos de peste suína africana, gerando preocupações no mercado de carne suína.
Peste suína africana retorna à Espanha após três décadas
Na última sexta-feira (28), o Ministério da Agricultura da Espanha confirmou a detecção de dois casos de peste suína africana (PSA) em javalis na região de Barcelona. Este é o primeiro surto da doença no país em 30 anos, uma situação que acende alertas no mercado global de carne suína.
Os protocolos sanitários foram ativados, incluindo a imposição de restrições às atividades em um raio de até 20 quilômetros ao redor do local onde os casos foram identificados. De acordo com o portal La Vanguardia, o Centro de Investigação em Sanidade Animal já analisou cerca de 40 javalis da área, com dois resultados positivos e oito outros ainda considerados suspeitos.
Impactos no comércio internacional
Após o anúncio, o México decidiu suspender as importações de carne suína da Espanha, uma ação que pode ter consequências significativas para a indústria espanhola, que é um dos principais fornecedores globais de carne suína fresca. Segundo estimativas do Goldman Sachs, a Espanha deve representar aproximadamente 31% do volume global comercializado em 2024.
A China se destaca como o maior destino da carne suína espanhola, absorvendo cerca de 40% das importações totais do país. Outros mercados importantes incluem Japão, Filipinas, Reino Unido, Coreia do Sul e o restante da União Europeia. A dependência do mercado asiático torna a situação ainda mais crítica para os produtores espanhóis.
Expectativas para os produtores brasileiros
Os analistas do Goldman Sachs, embora não tenham uma posição clara sobre a evolução da doença, indicam que os produtores brasileiros podem se beneficiar com um aumento na demanda por carne suína. À medida que o mercado busca fornecedores alternativos, o Brasil, como o quarto maior produtor e exportador de carne suína fresca do mundo, pode ver um crescimento nas exportações.
O relatório sugere que a carne suína natural representa de 5 a 10% do mix da BRF, e outros setores como frango e alimentos processados também podem ser favorecidos. A equipe de análise mantém sua recomendação de compra para as ações da MBRF (MBRF3) e da JBS (BDR: JBSS32).
Considerações finais
A reemergência da peste suína africana na Espanha levanta preocupações não só para a segurança alimentar, mas também para o comércio global de carne. À medida que a situação se desenvolve, os impactos sobre as empresas de carne suína, especialmente no Brasil, deverão ser monitorados de perto. Com a possibilidade de uma mudança na dinâmica da oferta e demanda, o mercado poderá experimentar flutuações significativas nos próximos meses.