A cidade de Jundiaí recebeu um encontro entre integrantes do Círculo Palmarino e lideranças locais para discutir políticas públicas voltadas à população negra. A reunião teve como foco o fortalecimento institucional das pautas raciais, o combate ao racismo estrutural e a ampliação da participação da comunidade negra nos espaços de decisão do município.
Segundo os organizadores, o encontro buscou alinhar demandas prioritárias e construir estratégias coletivas para garantir avanços concretos nos direitos da população negra em Jundiaí e região.
O ativista e integrante da Coordenação Nacional do Círculo Palmarino, Vanderlei Victorino, destacou a importância da mobilização social e da ocupação dos espaços de planejamento público.
“Seguimos em marcha, organizando a nossa base e projetando um futuro de igualdade e justiça social para Jundiaí e região. Quem se organiza, liberta! Vamos juntos construir uma Jundiaí mais justa e consciente de sua força ancestral”, afirmou.
Lideranças defendem fortalecimento das políticas de igualdade racial
Vanderlei Victorino, em entrevista ao Tribuna de Jundiaí, abordou a atual estrutura municipal voltada à promoção da igualdade racial e ressaltou a importância do fortalecimento institucional da pauta.
Segundo ele, a antiga Coordenadoria de Promoção da Igualdade Racial era vista pelo movimento como um passo importante para a criação de uma secretaria municipal específica, com maior autonomia administrativa e orçamentária para o desenvolvimento de políticas públicas voltadas à população negra.
“Nossa demanda central é a criação oficial da Secretaria. Ela é o instrumento necessário para garantir a transversalidade das pautas raciais”, declarou.
O representante também defendeu a ampliação de políticas públicas voltadas à educação, saúde e desenvolvimento econômico da população negra. Entre as propostas apresentadas está o fortalecimento da chamada “Rota Afro”, com a reserva de 30% dos espaços para empreendedores negros em eventos apoiados pela Prefeitura.
Encontros fortalecem organização da comunidade negra
Para o movimento, encontros como o realizado em Jundiaí cumprem um papel importante no fortalecimento da organização coletiva e no enfrentamento ao racismo estrutural.
Segundo Vanderlei, esses espaços promovem “aquilombamento” e formação política, além de contribuírem para o exercício do controle social sobre as políticas públicas municipais.
“Esses momentos servem para pautar a cidade sobre a nossa invisibilidade e para formular estratégias que retirem a questão racial da periferia das decisões orçamentárias”, destacou.
Plano de igualdade racial e Lei de Cotas estão entre as prioridades
Outro ponto abordado é a necessidade de implementação do Plano Municipal de Promoção da Igualdade Racial, elaborado a partir das propostas da Conferência Municipal e Regional de 2025.
O movimento também acompanha a aplicação da Lei de Cotas no serviço público municipal. Vanderlei afirmou que o grupo aguarda os dados sobre o cumprimento da legislação.
Participação política da população negra
As lideranças presentes também discutiram a representatividade da população negra nos espaços de decisão política em Jundiaí.
De acordo com Vanderlei Victorino, ainda existe o desafio de ampliar a presença da comunidade negra em conselhos municipais e cargos estratégicos da administração pública.
“A Lei de Cotas não deve se limitar à base, mas atingir todo o escalão, incluindo cargos de confiança e o secretariado”, pontuou.
Ele também reforçou a importância da participação ativa da população negra nos espaços de construção das políticas públicas.
“Jundiaí é bela e é negra” reforça ancestralidade e memória histórica
A frase “Jundiaí é bela e é negra”, criada por Vanderlei Victorino, também esteve no centro das discussões. Segundo ele, a expressão busca reafirmar a contribuição histórica da população negra e dos povos originários para o desenvolvimento da cidade.
“Quando dizemos que Jundiaí é negra, estamos fazendo um resgate histórico. As ferrovias que desenvolveram o interior paulista foram construídas por mãos pretas”, afirmou.
O ativista também citou o Clube 28 de Setembro como símbolo da resistência negra na região e defendeu políticas voltadas ao desenvolvimento econômico, habitação e agricultura como formas de reparação histórica.
Quem é Vanderlei Victorino
Reconhecido como uma das lideranças históricas do movimento negro em Jundiaí, Vanderlei Victorino atua na defesa dos direitos humanos e na promoção da cultura afro-brasileira.
Atualmente, integra a Coordenação Nacional do Círculo Palmarino e a Operativa Nacional da Convergência Negra. Também é Diretor Artístico e Cultural da Cia de Danza Sikelel’y Negr’Art, utilizando a arte e a dança como instrumentos de valorização da ancestralidade negra e combate ao racismo estrutural.